Continho

Era real. Um ano, e nenhum contato. Telefone mudo, fotos perdidas. Em meio a confusas mudanças, ela queria esquecer tudo aquilo. Então, no meio da noite, ao se tocar, descobrira que já não tinha em quem pensar. A vida era mesmo misteriosa, pensou, domirndo em seguida.

Parte ll

No dia seguinte, saira feliz para trabalhar. Sentia-se livre, largada do amor escravo. Não havia mais aquela sensação de abandono. Aquela coisa enjoada e chata. Até seu chefe parecera mais belo, educado. Ah, a felicidade era engraçada, gratuita, boba. Entrou no elevador e deixou a pasta, tudo cair no chão. Aí, aquela mão peluda e perfeita recolherera suas coisas.

Parte lll

Estava apaixonada. Outra vez. Ele era representante de uma empresa que prestava serviços para a empresa em que ela era gerente de compras. Muitos contatos e vendas depois, foram morar juntos. Na casa dele. Tinha piscina e sauna.
E uma “mãe do meu filho” mal resolvida e ainda louca por ele.

Parte lV

Era meia noite. Não conseguia dormir. Dois meses de separação. Tédio, dor, sofrimento, solidão. Dor. O pior de tudo: sabia que demoraria ser feliz de novo. Mas ao menos sabia como sê-lo. Depois de amar, desamar era a melhor parte. Cadê esse sono que não vem…

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