Simplesmente amor.

Eu quero, antes de começar esta narrativa, informar que alguma parte é real, outra eu vou inventar porque ela pode saber. E ele também.
Não éramos amigos. Nem amantes. Embora ambos já tenham demonstrado um excessivo amor por mim, algo me dizia em meu íntimo que era melhor nem começar.
Andei até a feira. Envergonhado, não queria admitir para as pessoas que ela era meio rebelde por ser jovem. Era desleixada. Ele, bem, ele até era um belo rapaz, mas se pendesse para a genética da parte do pai, segundo soube, seria um mullerengo daqueles. Para mim não daria. Certamente tiraria-me o sono esperá-lo por toda a madrugada.
Os olhos dela eram azuis. Lindos e brilhantes. Atentos a tudo. Eu era seduzido a todo momento. Pecado. Sentia-me mal. Sempre morara sozinho, até recebê-los como hóspedes, meio sem gosto. Mas enfim.
Levei-os até a feira, com a desculpa de comprar comida. Peixe e frutas. Mas eu mentia. De forma cruel, o plano era me desvencilhar deles. Eu era um solteiro convicto. Nada de amores. Sem modernidades ou paixões. Era assim que eu era.
Quando perceberam o que estava acontecendo, estranhamente meus olhos ficaram úmidos. O dono da barraca meneou a cabeça, reprovando-me. Todos me olhavam. Eu chorei, mordendo uma cebola para disfarçar.
Paguei as frutas e legumes e saí andando, sem olhar para trás. Meu coração estava aliviado, e triste.
Entrei em meu apartamento, senti-me só. Eu estava apaixonado por eles. Os dois.
Corri até a feira com um grito na garganta. Onde eles estão? Foram em qual direção?
A moça gorda que vendia pastel com caldo de cana os apontou. Estavam encostados ao muro, atrás da máquina que moía a cana. Eu sentia meu peito ser espremido.
Eles me olharam nos olhos e eu sorri. Abracei-os e os beijei. A mulher gorda me disse, sem eu perguntar, onde ficava a barraca de ração para gatos. Agora só faltava dar-lhes nomes. E amor.

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7 comentários em “Simplesmente amor.

  1. Pronac 100515 – Concurso Literário Beco dos Poetas – Todo Autor quer ser Publicado – Abertura Oficial.

    Leia a Portaria publicada no Diario Oficial da União: (clik no link)
    Portaria diário Oficial da União.pdf

    Síntese do Projeto : Projeto literário, de incentivo á leitura e novos poetas receberemos textos de todo o Brasil selecionando através de banca julgadora ou por voto popular via internet e SMS, premiaremos os 50 primeiros colocados com a publicação de um livro solo e contrato editorial por um período de um ano, os demais participantes terão cada qual um texto publicado em nossa antologia coletiva, uma coleção composta por 50 volumes, totalizando assim 100 novos títulos e centenas de autores benefíciados. Situação: Autorizada a captação total dos recursos Obs: Maiores informações consultar no Portal do Ministério da Cultura Pronac: 100515 Projeto: Concurso Literário Beco dos Poetas – Todo Autor quer ser Publicado Proponente: Marcio Marcelo do Nascimento Sena Comunicamos a todos os membros do Movimento Literário Beco dos Poetas & Escritores (Membros dos sites http://www.becodospoetas.com.br , http://www.literaturaperiferica.ning.com e Blog- http://www.literaturaperiferica.com.br) e Patrocinadores Culturais o inicio da Captação de Recursos amparado na Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313 de 23 de dezembro de 1991) para o nosso Projeto Cultura “Concurso Literário Beco dos Poetas – Todo Autor quer ser Publicado” que possibilitará á publicação de 50 livros individuais e 50 antologias mista compartilhada entre todos os participantes inscrito no concurso finalizado o projeto seguirá da distribuição de 1000 livros gratuitamente entre inúmeras bibliotecas públicas levando os trabalhos a apreciação dos leitores e assinatura de contrato editorial com o Grupo Editorial Beco dos Poetas & Escritores Ltda e eventuais parceiros Editoriais.

  2. Nem sei como descrever a alegria de ler seu comentário/poema. Eu te amo muito, minha amiga. Quero ter vc sempre por perto. E, confesso: estava morrendo de saudades!
    Beijão apara as duas princesas 🙂

  3. Minha querida amiga.
    Há muito deixei-te só;
    Há muito deixei de dizer o muito que ficou prezo,
    Entre os lábios – palavras do bem-querer.

    Há muito não venho aqui;
    Mas não abandonei-te, amiga!
    É que há muito deixei de viver;
    Deixei de viver por mim mesma,
    Para viver por duas: por mim e minha filha.

    Há pouco conheci o verdadeiro amor,
    O maior de todos,
    Pois meu amor por ela é mais vasto que os Oceanos,
    Mais forte que adamantium.

    Mas não deixei de amar minha amiga: você.
    Só ficou um amor mais distante….
    Mas nem por isso menos forte.

    Morri de saudades de você.
    E, para matar as saudades, ficarei por aqui.

    Terei me tornado hóspede indesejada?
    terei magoado minha amiga tanto assim?

    Só você pode responder-me;
    Só você poderá atender aos anseios de meu coração;
    Permitindo que eu volte a demonstrar minha amizade.

    Um grande beijo, minha amiga!

    🙂

  4. E o que seria de mim sem ocê? Passei aqui rápido para corrigir o texto e dou com você. Perfeito.
    Beijo, te gosto muito também.

    “Eu sustento com palavras o silêncio do meu abandono.” Manoel de Barros

    ps – sinto-me a autora da frase. brigada.

  5. Eu gosto de colocar um fragmento inicial, uma pedra polida pelos anos afora, e que dá uma pitada de sal, pimenta ou uma gota de vinagre ao texto, e peço sua autorização para colocar uma, no seu texto, posso?

    “Eu sustento com palavras o silêncio do meu abandono.” Manoel de Barros.

    Fique com meus beijos, minha escritora do coração.

Sua opinião me interessa ;)

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