O que não é o amor, Fernando Pessoa?


Amor é não ficar sem dormir.
Tantas palavras existem. Eu me detive no verbo do Veríssimo-defenestrar.
Na verdade eu estava descansando do almoço; peguei um dos meus vários livros – O Analista de Bagé. Fernando Veríssimo, é vero! E, quase com vontade de ser um personagem do gênio, lembrei de outro Fernando.
O que para mim sempre fora “a pessoa”.
Carioquices à parte, eu amarei para sempre os meus Fernandos.
Eu tive o mais amável e anônimo dos amores; e ele era um Fernando. Envergonhada admito que foram, na verdade, dois Fernandos anônimos.
Ambos descendentes de portugueses. Ambos bobos para mim.
E confesso: Até mesmo o Veríssimo não poderia me conquistar, de tão bobo.
Porque os Fernandos são homens adjetivos dos poemas.
Que palavra eu substituiria por Fernando?
São todos substantivos próprios.
E nenhum, propriedade minha. Os Fernandos…
Ah! Sou amante do Pessoa:
Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Eu ainda te amo, Fernando Pessoa.
Meu Fernando…