Tanta coisa… e o dia das mães!

O cérebro do homem é algo por demais complexo. Nesta manhã, por exemplo, acordei pensando em mil coisas. Cigarro (que não quero), terminar um texto para teatro… Levar os filhotes dos gatos para os novos donos… Lembrar o endereço da diretora de teatro, amar Jesus, ganhar dinheiro! Pensei em arruinar minha carreira de roteirista, indo viajar, sumir no mapa, e pensei no que gostaria de almoçar, vestir à tarde. Desfocada da reralidade, já imaginei como estariam pessoas que não vejo há muito, pensei em gritar com minha filha porque deixou o cachorro dentro de casa outra vez… Troquei o vestido e pensei se sairia com os cabelos presos ou os deixaria soltos. Estão longos, pensei se devia cortá-los, então.
Pensei no sapato caríssimo de couro que o cachorro de minha filha destruiu… E pensei que a vida ainda valia a pena. Achei alguns livros que estavam sumidos… pensei que esqueci que os havia emprestado, então pensei em como é bom ler… Lembrei do meu primeiro livro “sério” O diário de Anne Frank, Kafka, e lembrei de algumas coisas que tenho lido na fase mais que adulta, pensei que tenho lido demais inclusive, os livros do Novo Testamento, Teologia… Pensei que deveria comprar uns gibis do Walt Disney, mas aí pensei nos Estados Unidos e em Bin Laden morto. Eu pensei que não é elegante ficar feliz com a morte das pessoas, então nada de ficar feliz com a morte dele, aí pensei que poderia ser eu uma terrorista. Decidi usar o vestido rosa, terminei o texto de teatro. Lembrei o endereço da professora. Mas pensei que se não for hot mail… alguém lerá um texto de teatro denso e dramático nesta manhã. E se esta pessoa nem for leitora, se nem gostar de arte, teatro e cinema? Pensei que só estarei com a diretora amanhã… então confirmarei se ela recebeu o texto. Amanhã é o dia das mães… Pensei em como amo minha filha… Pensei em um presente…

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