Flores antigas

Na vida da gente, as coisas passam, às vezes tão rápido que nem nos damos conta de que as vivemos.
Brigite pensava nessas questões filosóficas, enquanto embrulhava um maço de flores para o cliente.

Lembrava-se que outro dia estivera apaixonada e casada com Marcos. Parecia ser há tão pouco tempo. Mas não. Vários anos se passaram depois da traição. Traição dupla. Marcos e Giselda, sua melhor amiga. A vida dessa loba parecia um clichê. Tudo era normal, igual.
Entregou as flores ao freguês e sorriu seu sorriso técnico. Automático.

Depois do expediente, foi para casa andando. Era perto. Parou na padaria, como sempre, para comprar umas besteirinhas doces. Sorte que não engordava – suspirou.

Chegou em casa. Notou que as almofadas da sala estavam reviradas. O coração anunciou que havia algo errado.

_ Quem está aí? – a voz saiu segura, incrivelmente.

Ele aparece na porta da cozinha, mordendo um sanduiche de queijo.

_ Marcos?!

_ Pois é, Brigite… Eu fiquei com as chaves todos esses anos.

Aproximou-se. Abraçou a mulher. Depositou um leve beijo em seus lábios. Disse, se jogando no sofá:

_ Querida, eu trouxe salmão para o jantar. Vou dar uma cochilada e depois você me diz como foi o seu dia…

Ficou na dúvida: estivera separada de Marcos ou fora um sonho? Bem… As coisas passavam muito rápido, voltou a pensar. Então, melhor deixar pra lá.

Deu de ombros e foi para a cozinha preparar o peixe.

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5 comentários em “Flores antigas

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