Temporada de Exposição de Contos e Poesias Jefferson Maleski

QUIROMANIA PARA A CONDESSSA ERZSÉBET

A minha vida chegou ao fim no momento em que a noite terminou.

Uma mulher, uma sombra passageira disfarçada de musa, depois de ninfa, depois sereia, deusa, vício, maldição e tortura, transpôs a minha existência e roubou a essência do meu ser.

Transformou em rosa dilacerada o cego apaixonado. Em restos putrefatos o inocente sonhador.

Não fez caso da existência conjunta construída à custa de palavras, sussurros, gemidos, gritos e silêncios.

No buraco vazio onde outrora ardia o meu coração, por ela, restou apenas o som áspero de dentes dilacerando sentimentos. Cortou a jugular da minh’alma quando desprezou as noites de luxúria em que bebia incansavelmente a minha seiva. Eu a saciava dando o que ela queria e ela queria sempre mais.

Julgava-a perfeita – pobre tolo que era – a companheira ideal por nunca alterar-se com o tempo, permanecendo sempre bela, jovial, faminta e sedutora, e não levei em conta que eu é quem mudara. Uma noite, sorrindo o seu sorriso diabólico, olhando o seu olhar malicioso, falando suas falas encantadas, me acusou de haver secado por dentro, fazendo-me duro, insípido, gélido.

Não a interessava mais, de qualquer modo.

Partiu. Da minha vida.

Partiu. O meu coração.

A lua bem que tentara me avisar, mas eu era surdo e não entendia que a paixão só existe nas pinturas dos poetas. E que um amor como o meu – tão gigantesco, brutal e raro – só ocorre a uma pessoa em cada geração, nunca com duas, pois toda a matéria-prima amorosa faltante no Universo encontrava-se supercondensada em mim.

E este amor, esta dor, foi a herança e a maldição que ela me deixou.

Logo, só me resta suplicar para que o vazio me absorva por completo antes que em vingança eu mate milhões, explodindo de prazer bestial tal qual a minha algoz o fez, gozando a minha morte. Que a última lembrança dela seja o seu corpo nu e os esbugalhados olhos vermelhos, o sussurro de seu nome entre os meus lábios e o seu pescoço em espasmos entre as minhas mãos.

FIM

Autor: Jefferson Maleski, escritor, crítico literário, crítico de cinema, filósofo e proprietário do blog Libru Lumen.

Nota – Por enquanto as inscrições para o Concurso de Contos, que terminam no dia 15 de janeiro, não são suficientes, portanto estão todos convidados a participar da Exposição, comentando, dando o prazer de sua visita, e publicando seu conto. O que vale não é concorrer, mas expor seu talento. Abraço!

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16 comentários em “Temporada de Exposição de Contos e Poesias Jefferson Maleski

  1. Sou meio que cego pras sutilezas, so comentei por que poderia nao ter sido intencional, vc nao tem ideia de quantos subir pra cima e descer pra baixo eu me vejo colocando sem perceber.

    Sobre o lance do vampiro? tem esse lado?

  2. marcello, filosoficamente falando, um buraco sempre estará cheio, seja d ar, d água, d luz ou escuridão, mas procurei ir além. se vc quiser 1 auxílio p entender como um buraco pode ficar vazio, pense em uma rua com vários buracos nela. antes d chover, eles estão vazios, depois ñ estão +.

    pena vc ter notado só a característica + superficial do texto, pois ele foi trabalhado p possuir várias camadas.

  3. Acho melhor colocar outro conto meu, tenho um bem curto, acho q o prologo ja ta meio usado demais.

  4. Humm, acho q então teve algo que eu não entendi, seria ela a Vampira ou ele? Numa segunda lida com isso (apenas agora) em mente, a estoria fica ainda MELHOR.

    abs

  5. Bom vamos la, ja vi que pra variar tenho que ser o primeiro a criticar, uma vez que o mundo e timido.

    Lembrando primeiro que estou no jogo de livros a pouco tempo, menos de um ano, estou meio que aprendendo enquanto faço, com isso muitos dos meus comentários podem ir contra regras as quais eu desconheça.

    Primeiro o que eu gostei…

    Não e fácil escrever sobre dor, e ao escrever passar a dor, um dos grandes desafios para qualquer escritor, e justamente esse, guiar o leitor por sentimentos, fazer essas emoções saírem do papel e entrarem no peito de quem leu. A estória faz isso muito bem, existe uma perda real, existe um sofrimento real.

    Minha parte preferida foi, “Partiu. Da minha vida. Partiu. Meu coração.¨ Ótimos uso de pontos para dar ênfase ao que já ficaria bem apenas com virgulas.

    Outra coisa que eu gostei foi da narrativa, em sua maior parte foi consistente e utilizada habilmente para dar poder aos acontecimentos.

    Agora o que eu não gostei…

    A narrativa apesar de ser muito boa, ao mesmo tempo puxa muita atenção para si, acho q ouve um excesso, essa e uma critica que pode ser so minha, uma vez que vejo isso ser muito utilizado na literatura brasileira. (o pouco q eu li, realmente não curto literatura brasileira) Com isso vc renega um pouco os acontecimentos da estória, mulher termina com o cara, o cara sofre e se lamenta, essa e sua estória, enquanto que vc fez muito com pouco, eu aconselho no futuro trabalhar mais na estória, e não se ancorar tanto na narrativa.

    Acho q dilacerando e dilacerada meio repetitivo, aconselho trocar um, esse e um bom exemplo de como a tentativa de usar a narrativa para nos fazer sentir acaba por vezes ficando um pouco forçada.

    Buraco vazio? Um buraco e sempre vazio, buraco cheio não e buraco. Sugiro trocar buraco vazio por rasgo de meu peito. Ficaria então assim, troquei também dilacerado. compare…

    No buraco vazio onde outrora ardia o meu coração, por ela, restou apenas o som áspero de dentes dilacerando sentimentos.

    No rasgo em meu peito onde outrora ardia o meu coração, por ela, restou apenas a ferida não cicatrizada dos meus devorados sentimentos.

    Por final noto também uma inconstância, ele começa a noite dizendo q era seu fim por perde-la, e termina falando o quanto seu sentimento era gigantesco. Contudo, ela termina com ele por ser duro, insipido e gélido. Ou vc tem uma discordância de fatos, ou faltou contar algo na estória, por q ele foi percebido por ela como gélido? Por q ele não justifica a acusação? Ao meu ver, ou você não pensou nisso e deveria cortar, ou você não desenvolveu isso, afinal se ele e assim, essa e a grande saída do clichê da estória, essa seria sua verdadeira estória, cara ama, cara e abandonado, cara chora já tem de montão, já cara diz q ama, e mulher não sente esse amor, esse amor e so na cabeça dele. Bem ai meu amigo, ai esta sua grande estória.

    Bom e isso, não deixe que minhas criticas lhe deem a falsa ideia que não gostei da sua estória, eu amei, vc e um escritor talentoso, como eu falei antes, eu estou entrando de paraquedas no mundo literário, e como sou desprovido de talento (e a menor noção de gramatica), eu procuro compensar com o pensamento critico.

    Espero que meus comentários tenham ajudado.

    abs

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