Temporada de Exposição de Contos e Poesias Patrícia Raphael

DAR O MELHOR DE MIM

A loucura é minha…
A sinceridade é minha…
A luta é minha…
O futuro é meu…
A promessa é minha…
A conquista é minha…
A surpresa é minha…
A hora é minha…
O carinho é meu…
O outro lado é meu…
A força é minha…
A paixão é minha…
A promessa é minha…
A amizade é minha…
A coragem é minha…
A sutileza é minha…
O ficar é meu…
O sentimento é meu…
O pensamento é meu…
A provação é minha…
O desejo é meu…
O receio é meu…
O amanhã é meu…
A passagem é minha!

Patrícia Raphael é poetisa e faz parte da Revista Literária Estilingue, donde recebemos energias dos irmãos de África.

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Temporada de Exposição de Contos e Poesias Nely de Saquarema

AMOR

Eu morei na Zona Sul por toda a minha vida, no Flamengo, até me tornar o que chamavam undergroud e deixar meu pai louco da vida.

Como tínhamos casa em Saquarema – dessas lindas e grandes com piscina e casa de caseiro – para lá fui, prometendo ao meu velho que ‘tomaria jeito’. Afinal, eram anos noventa e eu, sinceramente gata pra caramba (tipo Chistiane Torloni, só que mais bonita) me estabeleci naquele bucólico lugar – Saquarema. Sempre ouvindo Eagles, Hotel California é a minha música.

Papai estava satisfeito comigo. Nely longe de tudo que pudesse envergonhá-lo: eu largar faculdade de Letras, e passar a namorar mais que chuchu na serra (no caso, no mar).

Estranhamente aceitei ser erradicada do meu Rio de janeiro, minha Copa sexy, meu Arpoador.

Passei a pegar onda e exibir meu corpinho de medidas perfeitas: aquela falsa magra carioca toda gostosa.

Papai feliz. Mamãe feliz.

Não fui eu quem quis, mas me apaixonei pelo Cimar, homem rústico e pescador das águas límpidas de Saquarema.

Era para deixar de fumar maconha, mas Cimar gostava.

Meu papai, ao nos visitar e abençoar a nossa relação, perguntou, como um general:

– Ele fuma?

Eu, com meu olhar eternamente enviesado e sarcástico, respondi:

_ Ele me ama, papai, essa fininha que ele enrola todas as manhãs…

FIM

Nely é moradora de Saquarema e tem uma das mais fortes personalidades que eu conheci, quando morei em Saquarema.

Temporada de Exposição de Contos e Poesias Justicinha

    LOGO EU?

    Logo eu, que não estudei Direito, não fui feito à imagem e semelhança de Deus? Logo eu, que nem sei por que nasci? Eu, que não posso me posicionar como de esquerda ou de direita?

    Eu, que não leio Machado de Assis? Eu, que não falo?! Eu, que todos notaram desde o princípio que era ‘inferior’?

    Não sou eu o irracional?

    Ou as coisas estão mudando tanto, que precisaremos arranjar uma forma de pensar melhor que vós? Por favor, sejais mais inteligentes! Ao menos algo podemos ensinar: amar e ser fiel!

    Eu estou errado, eu que jamais li Shakespeare, Darwin, Marx, Freud, Jesus?…

    Quando tivemos voz para peitá-los? Quando fomos socorridos na hora do perrengue? Quem não se lembra da gente largado em primeiro plano nas enchentes de Friburgo? E tantas outras ocasiões em que sempre ficamos para trás?

    Talvez possas estar vos perguntando por que logo eu, um filhote dos mais frágeis, estou representando os animais irracionais? Aliás, se pudéssemos falar, saberíeis o quanto não somos tão irracionais assim…

    Quando um fêmur nosso é quebrado, urramos de dor, e todas as vezes em que somos abandonados, choramos, do nosso jeito, lá num canto escuro, onde tudo que temos é a visão, em sonhos, do nosso ex-dono.

    Hoje em dia está na moda nos acusar de violentos. O pitbull, por exemplo, é mais humilhado que os negros escravos, mais que os galos de rinha. Mas a culpa é sempre nossa. Nós, os animais irracionais.

    Sabe por que há países que comem a nós cachorros e gatos e macacos? Porque vós mesmos deram a direção: Onde há loucura, há erros. Mas eu pergunto: Poderíamos nós freiarmos vossa loucura? De que forma, estancaríamos o sangue inocente dos rinocerontes, dos elefantes? Se até os leões se encontram debatendo-se em extinção?

    Digamos que fôssemos criados para tortura e bem estar dos homens… Se assim fosse, não estaria o mundo em plena compaixão por nós. Fácil para nós entendermos o erro: Falta de amor!

    Não quero defender os nossos, mas, quem sabe, defender a vós que, certamente responderão, um dia, por vossa crueldade.

    Todos nós nos comunicamos, e sentimos a dor dos amigos nos laboratórios, para que vós tenhais cosméticos de primeira linha, desprezando a nossa linhagem e a nossa importância no planeta.

    Não criamos religião. Não alcançamos sórdidas desculpas para os erros. Jamais erramos. Certamente, um cientistazinho qualquer de vós o provaria.

    Nosso objetivo seria acalentar-vos e distrair-vos, divertí-los.

    Porém, que povo sórdido sois. Um dia, e eu espero-o apaixonadamente, tudo será explicado!

    Neste dia, que vós chamais de Julgamento Final, para nós é apenas um dia de descanso. Descanso de pauladas, ferimentos, xingamentos, e toda sorte de crueldade que vós cometeis na terra.

    Se viemos do nada, vós também. Mas se viemos de um criador, vós também.
    A diferença, é que na hora das explicações, nós apenas abanaremos as caudas ou faremos ruídos próprios dos animais irracionas.

    Já vós, gemerão.

    E nem mesmo nós, os irracionais, entenderemos vossas lamentações.

    FIM

    Justicinha é um personagem que nasce pela necessidade de gritar, em defesa dos animais que estão sendo extintos pelo ódio do ser humano.
    Nota – E, como todo personagem, ele precisa de voz. Justicinha é de todo aquele escritor que queira falar por ele. Mas não se engane, ele existe!