Temporada de Exposição de Contos e Poesias Justicinha

    LOGO EU?

    Logo eu, que não estudei Direito, não fui feito à imagem e semelhança de Deus? Logo eu, que nem sei por que nasci? Eu, que não posso me posicionar como de esquerda ou de direita?

    Eu, que não leio Machado de Assis? Eu, que não falo?! Eu, que todos notaram desde o princípio que era ‘inferior’?

    Não sou eu o irracional?

    Ou as coisas estão mudando tanto, que precisaremos arranjar uma forma de pensar melhor que vós? Por favor, sejais mais inteligentes! Ao menos algo podemos ensinar: amar e ser fiel!

    Eu estou errado, eu que jamais li Shakespeare, Darwin, Marx, Freud, Jesus?…

    Quando tivemos voz para peitá-los? Quando fomos socorridos na hora do perrengue? Quem não se lembra da gente largado em primeiro plano nas enchentes de Friburgo? E tantas outras ocasiões em que sempre ficamos para trás?

    Talvez possas estar vos perguntando por que logo eu, um filhote dos mais frágeis, estou representando os animais irracionais? Aliás, se pudéssemos falar, saberíeis o quanto não somos tão irracionais assim…

    Quando um fêmur nosso é quebrado, urramos de dor, e todas as vezes em que somos abandonados, choramos, do nosso jeito, lá num canto escuro, onde tudo que temos é a visão, em sonhos, do nosso ex-dono.

    Hoje em dia está na moda nos acusar de violentos. O pitbull, por exemplo, é mais humilhado que os negros escravos, mais que os galos de rinha. Mas a culpa é sempre nossa. Nós, os animais irracionais.

    Sabe por que há países que comem a nós cachorros e gatos e macacos? Porque vós mesmos deram a direção: Onde há loucura, há erros. Mas eu pergunto: Poderíamos nós freiarmos vossa loucura? De que forma, estancaríamos o sangue inocente dos rinocerontes, dos elefantes? Se até os leões se encontram debatendo-se em extinção?

    Digamos que fôssemos criados para tortura e bem estar dos homens… Se assim fosse, não estaria o mundo em plena compaixão por nós. Fácil para nós entendermos o erro: Falta de amor!

    Não quero defender os nossos, mas, quem sabe, defender a vós que, certamente responderão, um dia, por vossa crueldade.

    Todos nós nos comunicamos, e sentimos a dor dos amigos nos laboratórios, para que vós tenhais cosméticos de primeira linha, desprezando a nossa linhagem e a nossa importância no planeta.

    Não criamos religião. Não alcançamos sórdidas desculpas para os erros. Jamais erramos. Certamente, um cientistazinho qualquer de vós o provaria.

    Nosso objetivo seria acalentar-vos e distrair-vos, divertí-los.

    Porém, que povo sórdido sois. Um dia, e eu espero-o apaixonadamente, tudo será explicado!

    Neste dia, que vós chamais de Julgamento Final, para nós é apenas um dia de descanso. Descanso de pauladas, ferimentos, xingamentos, e toda sorte de crueldade que vós cometeis na terra.

    Se viemos do nada, vós também. Mas se viemos de um criador, vós também.
    A diferença, é que na hora das explicações, nós apenas abanaremos as caudas ou faremos ruídos próprios dos animais irracionas.

    Já vós, gemerão.

    E nem mesmo nós, os irracionais, entenderemos vossas lamentações.

    FIM

    Justicinha é um personagem que nasce pela necessidade de gritar, em defesa dos animais que estão sendo extintos pelo ódio do ser humano.
    Nota – E, como todo personagem, ele precisa de voz. Justicinha é de todo aquele escritor que queira falar por ele. Mas não se engane, ele existe!

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7 comentários em “Temporada de Exposição de Contos e Poesias Justicinha

  1. Valeu, Marcellão,
    Para mim você é um exemplo de ‘coração humano’. Doce como um poeta, valente como um leão, que acredita no que faz e assume seus erros (de português hehe) publicamente, o que faz de ti um ser humano, desses que nem nos preocupamos se são ateus ou o quê. Sua sensibilidade é a prova de sua existência. Desde o tempo da faculdade vc chamava minha atenção. Como disse, sua alma d epoeta e seu coração de leão fazem de ti um ser humano maravilhoso. Obrigada por sua amizade.
    beijo
    ps – A propósito, vc está escrevendo MUITO bem, qual foi a metamorfose? 😛

  2. Querido Kito,
    Ter amigos como você, Marcelo e tantos outros que eu me amarro, é que justifica minha existência. Acreditar ou não em Deus, exige a mesma paixão. E o que mais somos senão seres apaixonados? Como dizia Raul Seixas somos metamorfoses ambulantes. Ontem discutimos índole e maus tratos aos animais. E hoje? Nosso coração permeia várias emoções. Certamente somos nós que devemos lutar. Nem sempre o personagem fala pelo autor. Eu, por exemplo não teria a fé desse cachorrinho. Também acho que estamos por nossa conta e risco. Só não viro ateísta porque é mais complicado provar a não existência, eu por exemplo não saberia explicar como tudo se fez. Explosões? Um grande vazio? Evolução? Então, fico com minhas viagens, sem jamais deixar de respeitar os que em nada creem. Tanto que tenho vários amigos ateus na rede http://ateu.wordpress.com/ do Lealcy Junior e da Fátima Tardelli é um blog polêmico e muito visitado. A questão, para mim, é saber pelo menos quem eu sou, o que já é uma grande luta hehe. Se hoje falo pelos animais, quem sabe amanhã terei uma fábrica de artigos de couro? É essa diversidade de emoções que me faz viver. Quanto ao juízo final, todos nós temos o nosso juízo todas as manhãs, quando pensamos em nossos erros e acertos. Nós temos escolha, mas o cãozinho, o Justicinha, só pode acreditar em Deus, porque nos homens tá foda.
    beijo!

  3. Parabéns, Daisynha!

    Seu texto é lúcido, emocionante e provocativo, mas existe um outro fator que incomoda. Ele só será lido por que ama os animais, por quem se indigna e rompe o silêncio tornando pública sua reclamação. Gostaria muito de poder dizer que o dia do juízo final existe e que todos os que devem irão pagar, mas isso é só um forte desejo que alguns cultivam para poderem suportar todas as injustiças do mundo. Estamos cansados de ver homens bons morrendo e homens maus se regozijando, animais morrendo e seus assassinos entornando a última no bar da esquina. Desde que o mundo é mundo, é assim e nada vai mudar isso, para a angústia daqueles que acreditam em uma justiça divina. Sim, minha amiga, estamos por nossa conta e risco e se não formos nós a fazermos alguma coisa contra tudo o que nos incomoda, ficaremos com a sensação de impunidade formando um nó em nossa garganta.

  4. Muito forte e triste. não gosto nem de pensar em animais sofrendo, tem muita coisa no mundo q eu não entendo, gente q maltrata animais e crianças estão no topo da minha lista.

    Quando oq vc escreve entra dentro de quem le, então vc conseguiu seu objetivo com o trabalho. Parabenz.

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