Temporada de Exposição de Contos e Poesias Camila Marins

QUASE DUAS DA MANHÃ DESTE 13 DE MAIO FALACIOSO

Perco-me de mim mesma
confesso diante deste altar
sedento de hipocrisia:
anos se passaram

e houvera a época que escrevia sobre ânus
brincava na cama entre Kafka e Sartre
Ah! Como Simone me espiava

de repente, não mais do que pânico
me afundo em redundâncias da existência
cálida queda cama
casa come quero

admito! Os verbos me causam orgasmos
daqueles múltiplos
não mais do que língua afiada

e o vento não existe, nada é
diante de minh’alma orquestrada
cacofonias de um dialeto mal dito
maldito!

e quanto ao hoje?
redoma que engole
enrolo-me em lençóis
nua de falácias ancestrais

sou um anjo mascarado
de sedutor: Lilith (dê) me acompanha em arquétipos
divido entre gêneros
o divã – testemunha de uma alma rodriguiana

meu canto vai além
atinge sustenidos famélicos
e meus poetas pedem mais
mais
mais – sussurram ao pé de minha orelha quente

brinda comigo
quem se atreve?
deixo minhas bodas de prata
e mendigo pelas próximas

nexo? coMneXo
e o plural retorna aos meus escritos
sempre na dúvida, temerosa
de alcançar
a plenitude fantasiosa

that’s me or not…

meus joelhos denunciam a forma do meu pecado
em flor

FIM

Nota – O wordpress não mantém a formatação original do texto.

Mais pérolas da jornalista, contista e poetisa Camila Marins em seu Blog O DESBUNDE.

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4 comentários em “Temporada de Exposição de Contos e Poesias Camila Marins

  1. Eu acho que teus poemas alcançaram aquele estágio de estudos. Tipo alguém vem e tenta desdobrar suas linhas e desvendá-las, como fazem com Quintana e tantos outros misteriosos e geniais poetas. Beijo, linda. E obrigada pela visita e por não ter se importado por publicá-la mesmo antes do seu consentimento 😛

  2. Oi Dai, obrigada pela publicação!!! Também gosto muito dos seus textos. Crise existencial? Talvez sim; talvez não. Um poema nunca é explicado, tem ou não motivo. Um poema sofre e como sofre. Um poema chora e debulha em linhas suas lágrimas. Um poema também sorri e abre lábios em papel branco. Um poema risca e arrisca em seu abjeto arisco. Entre vírgulas e pontos, apenas reticências…

  3. Camila, você parece inspirada por uma crise existencial, no que se refere à tua escrita. Próprio dos poetas inquietos. Mas se vc viesse aqui falar do seu poema, seria um luxo para nós, leitores. Beijo, linda!

Sua opinião me interessa ;)

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