Temporada de Exposição de Contos e Poesias Bukowski

POEMA PARA UM ENGRAXATE (E PARA MARCELA)

o equilíbrio é preservado pelas lesmas que escalam os
rochedos de Santa Mônica;
a sorte está em descer a Western Avenue
enquanto as garotas numa casa de
massagem gritam para você, “Alô, Doçura!”
o milagre é ter 5 mulheres apaixonadas
por você aos 55 anos,
e o melhor de tudo isso é que você só é capaz
de amar uma delas.
a bênção é ter uma filha mais delicada
do que você, cuja risada é mais leve
que a sua.
a paz vem de dirigir um
Fusca 67 azul pelas ruas como um
adolescente, o rádio sintonizado em O Seu Apresentador
Preferido, sentindo o sol, sentindo o sólido roncar
do motor retificado
enquanto você costura o tráfego.
a graça está na capacidade de gostar de rock,
música clássica, jazz…
tudo o que contenha a energia original do
gozo.

BUKOWSKI dispensa comentários.

Nota – A identificação com minha filha Marcela, é notar o amor inerente a todo poeta, maldito ou não.

FIM

De Day:

Porque eu, quando achava que bebia e as pessoas falavam
Descobri que elas é que bebiam e eu nada falava.

As pessoas falavam demais, gritavam demais
Enquanto eu passava os anos embalando minha Marcela,
A que esteve comigo em todos os momentos
De ferro escandescente, e de flores de algodão,
É para ela esse poema; ela que guentou a barra com tantos quilos.

Na escuridão que só o poeta errado viveu, eu pari
E, não tive índole para erradicá-la a mundos distantes.

Eu não fui mãe antes de ser poeta, eu só fui poeta.
Escolho as coisas que me fazem escrever, e nem sempre elas vem,
Eu não quero falar de maternidade, apenas convivo com ela.

Marcela foi o acontecimento que mudou minha vida,
Mas que, de certa forma, em nada mudou porque continuo por aí,
Em busca da essência que produza em mim poesia.

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