Edgar Allan Poe

Não fui, na infância, como os outros

e nunca vi como outros viam.

Minhas paixões eu não podia

tirar de fonte igual à deles;

e era outra a origem da tristeza,

e era outro o canto, que acordava

o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.

Assim, na minha infância, na alba

da tormentosa vida, ergueu-se,

no bem, no mal, de cada abismo,

a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

da rubra escarpa da montanha,

do sol, que todo me envolvia

em outonais clarões dourados;

e dos relâmpagos vermelhos

que o céu inteiro incendiavam;

e do trovão, da tempestade,

daquela nuvem que se alterava,

só, no amplo azul do céu puríssimo,

como um demônio, ante meus olhos.


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4 comentários em “Edgar Allan Poe

  1. Olá, Sisino, eu também amo Allan Poe. E você falou exatamente a virtude deste escritor. Ele põe ação em tudo que escreve. Para nós, roteiristas, ele é tudo. Obrigada por sua presença. 🙂 Beijo. 🙂

  2. Olha, eu gostei muito é bem profundo, legal mesmo!!! Parabéns, e é formidável saber jogar com as palavras… Realmente encanta a imaginação, além de nos transportar sem precisar viajar ou melhor, sem sair do lugar.
    Abraços poéticos:
    Sisino.

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