Noite Apressada

Era uma noite apressada
depois de um dia tão lento.
Era uma rosa encarnada
aberta nesse momento.
Era uma boca fechada
sob a mordaça de um lenço.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Imensa, a casa perdida
no meio do vendaval;
imensa, a linha da vida
no seu desenho mortal;
imensa, na despedida,
a certeza do final.

Era uma haste inclinada
sob o capricho do vento.
Era a minh’alma, dobrada,
dentro do teu pensamento.
Era uma igreja assaltada,
mas que cheirava a incenso.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Imensa, a luz proibida
no centro da catedral;
imensa, a voz diluída
além do bem e do mal;
imensa, por toda a vida,
uma descrença total!

David Mourão-Ferreira, in “À Guitarra e à Viola”

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Um comentário em “Noite Apressada

  1. Era uma noite apressada depois de um dia tão lento. Era uma rosa encarnada aberta nesse momento. Era uma boca fechada sob a mordaça de um lenço. Era afinal quase nada e tudo parecia imenso! no meio do vendaval, imensa a linha da vida no seu desenho mortal, imensa na despedida a certeza do final. Era uma haste inclinada sob o capricho do vento. Era minh´ alma, dobrada, dentro do teu pensamento. Era uma igreja assaltada mas que cheirava a incenso, Era afinal quase nada, e tudo parecia imenso. Imensa, a luz proibida no centro da catedral, imensa, a voz diluída além do bem e do mal; imensa por toda a vida, na descrença total.

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