Tolos

‘Não quero choro nem velas’

lá onde minha sombra quer ficar assim mesmo,

sem estardalhaço, sem vozes

eu mesma aprendi a gritar no vazio espantoso

de meu solitário abrigo,

eu mesma cantando e contando cédulas e células

de meu tronco, e eu vazia

porque esvaziei-me na penumbra

do meu achado, o tesouro que outrora escondido,

fazia curiosos outros diferentes de mim,

agora estou bem e até desconfio

que aquele que vem lá é o próximo trem

para eu sumir luzindo em luz azul

que desta cor é o louco céu

e não necessito eu de mais nada

que não seja minha própria clausura

assim penso melhor, vivo melhor

e adeus rapinas do meu idílio

vejam que me fui…

sosseguem tolos

que tudo que some aos olhos

descansa do abuso

de olhar o que não quer.

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