A Garota do Jack

Ela nasceu, cresceu e morreu da mesma forma. Sorria e chorava nos tempos certos, comedidamente. Tristemente. Nada pediu da vida, nem mesmo irmãos teve para brincar.

Era só, escondida no final do corredor, no quartinho úmido onde raramente alguém entrava. Ela era esquecida, abandonada pela desolação daqueles duros tempos. Londres era fria como sempre fora. Escura-cinzenta, agourenta, má.

Homem bom, namorado, não sabia deveras o significado.

Sua única companheira era aquela, mesmo deixando-a só nas noites de natal, sempre voltava com um presente barato, e ela sabia que era daqueles homens que a apertavam, na velha cama, quando ela resolvia não sair de casa. Preguiça alcoólica, dores no corpo. Cólica de aborto.

Viveu da forma que aprendeu na vida. Desgraçada e nebulosa, sem filhos, sem irmãos. Apenas marcas na alma, e profundos arranhões no coração.

Os assassinatos não pararam até que a próxima vítima fora sua mãe. Estripada e só, jogada numa calçada.

Anos mais tarde, igualmente, morreu sozinha, numa noite de chuva fina. Afecção desconhecida. Londres se despediu dela, com um leve sorriso de alívio. E nada mais.

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Deus! Acabou o Pesadelo!


Ideias Medievais

Na boa, e sinceramente, muito me custou acompanhar a rodada do bloguito literário Duelo de Escritores, tarefa realmente estafante, inglória e entediante, haja vista que minhas previsões se cumpriram. Nenhum texto brilhante, nada de novo. E muita falta de imaginação, culminando com o sofrível “mini-conto” do “moderador” Jefferson Luiz Maleski. Ao menos ele tentou justificar sua deficiência:

eu tinha outro texto em mente, mas como estou em viagem ñ consegui separar o tempo necessário p trabalhar nele. assim, fica oq consegui produzir, hehhe. espero q tenha ficado legalz.

Entretanto, como o escritor é mesmo criativo, eis que conseguiu produzir atmosfera de terror, de pesadelo, já que no referido conto intitulado Quando eu crescer quero ser igual ao meu pai, o autor narra o sufoco de alguém menos favorecido que trabalha para comer, alguém pobre e escravizado pelo Sistema, sem o menor respeito pelo personagem, ou pela sinopse de sua vida. E não sei se a ideia chega a ser um pesadelo, uma vez que o país já se acostumou com esse Status quo. Enfim. Cumprida minha missão, e como fui cobrada para ir até o fim, aí está a crítica do último texto da rodada.

Como amante da arte, espero que os duelistas, visivelmente fatigados, tenham mais capricho nas próximas propostas, para que eu, também cansada deste famigerado duelo, possa seguir em frente. Por favor, não me provoquem mais com textos tão desprovidos de alma.

Que Elaine Rocha, Natália Oliveira, Vogan Carruna, e Jefferson Maleski, tenham mais amor à arte, à literatura. E que não envergonhem a classe de escritores da internet em troca de comentários em seus textos. Às vezes o silêncio faz crescer o artista. Feedbacks muito desejados conotam insegurança e falta de amor à arte que não pode ser tão egoísta.

Contudo, não baixem a guarda. Se aparecerem motivos na próxima rodada, estarei aqui, de olho, não em vocês, mas na arte de escrever literatura genuína, aquela que nasce de uma ideia apaixonada, e não com a imposição de um tema proposto.

Boa sorte a todos os duelistas!

Inté!

Castelo de Cartas – Luiz Guilherme Volpato

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Castelo de cartas

De tanto empilharmos sonhos

tentamos alcançar o céu

Construimos algo grande

Baseado no que não somos

Nosso construto foi invejado

por todos ao redor

algo que erigimos, com sonhos e suor

Superando as nuvens, almejando o céu

Nem vimos quando ruíu

A nossa torre de Babel

Hoje falamos línguas diferentes

e mal podemos nos comunicar

e entre dois pares de braços

um abismo se criou

E ficamos distantes,

ficamos pequenos no horizonte

Nunca mais voltei a torre

nunca mais empilhei meus sonhos

nunca mais dei as costas ao mundo

nunca mais

nunca mais

Porém ainda olho para cima

e assim, contemplo o céu

E sinto falta de nós dois, em nossa torre de babel

Alheios a tudo

Alheios ao mundo

felizes

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