Coração de Pedra Para Música

Música, para mim, vai além de acordes e sinfonias. Cresci no meio de maestros, portanto, se há algo que reluto postar é artigo sobre música. Não iriam gostar de minhas críticas. Porque não há como criticar o que não é música. Entretanto, vez por outra, algo toca meu coração.

Coração de Pedra – Grupo Semeando (1985)

PS – Descobri esta canção na madrugada. Ainda que sejam “taxados” como gospel, eu senti uma forte queixa aos que possuem coração insensível. Contudo, eles, segundo meu coração, não se referiam aos ímpios (os não cristãos). Filosofia é a arte de fazer pensar. Então, quem seriam esses com coração de pedra, no Cristianismo?

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Aforismos, aforriem-me!

A pior guerra que travei em minha vida, foi amar e odiar toda e qualquer pessoa. Partindo deste insólito propósito, derrubei barreiras, e descobri que amar e odiar, seja qual for o filósofo, ou o ser humano, deixar-me-ia satisfeita, não apenas como mulher, mas totalmente satisfeita. Por isso, inspirada no filósofo Jefferson Luiz Maleski, veio-me tamanha inspiração para discorrer sobre tema apaixonante, a saber, amor e ódio, sobre o mesmo abismo humano.

Como o filósofo pós-moderno Jefferson nos induziu a tal pensamento, transcrevo seu aforismo, em primeiro lugar:

“Existem pessoas de quem não consigo dizer o que é pior: ser amado ou ser odiado por elas.”

Eu respondo que, que bom termos alguém assim, haja vista que sentimentos não lhe faltam!

A seguir, derreto-me, debaixo do cáustico sol, às palavras de Nietzsche:

“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.”

Respondo que concordo, caro e amado Nietzsche. Teu amor pelo homem e pelo cavalo me inspira.

E, para que não seja eu julgada como insólita desapaixonada, trago também, nada menos, que Marcel Proust!!:

“Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação.”

Respondo, triste, ao querido Proust: como provar que, mesmo bonita, sou feia para alguém? E o que é beleza?

Concluindo eu, deverei, assimilando tantas pensaduras, crer que, nenhum homem, se não teve posse da mulher que diz amá-lo, recolher-se-á à sua provável insignificância, a menos que publique, numa próxima oportunidade, no cartório da realidade, que ruins são os beijos da mulher que o ama.

PS – Misturando estes homens pensadores com a matemática, chego a um resultado: Subtraindo-se não será possível chegar a um resultado satisfatório.

Colaboração: Guto Fontela

O Último Negócio – Tagore

Foto – Tagore e Gandhi

Certa manhã
ia eu pelo caminho pedregoso,
quando, de espada desembainhada,
chegou o Rei no seu carro.
Gritei:
— Vendo-me!
O Rei tomou-me pela mão e disse:
— Sou poderoso, posso comprar-te.
Mas de nada lhe serviu o seu poder
e voltou sem mim no seu carro.

As casas estavam fechadas
ao sol do meio dia,
e eu vagueava pelo beco tortuoso
quando um velho
com um saco de oiro às costas
me saiu ao encontro.
Hesitou um momento, e disse:
— Posso comprar-te.
Uma a uma contou as suas moedas.
Mas eu voltei-lhe as costas
e fui-me embora.

Anoitecia e a sebe do jardim
estava toda florida.
Uma gentil rapariga
apareceu diante de mim, e disse:
— Compro-te com o meu sorriso.
Mas o sorriso empalideceu
e apagou-se nas suas lágrimas.
E regressou outra vez à sombra,
sozinha.

O sol faiscava na areia
e as ondas do mar
quebravam-se caprichosamente.
Um menino estava sentado na praia
brincando com as conchas.
Levantou a cabeça
e, como se me conhecesse, disse:
— Posso comprar-te com nada.
Desde que fiz este negócio a brincar,
sou livre.

Rabindranath Tagore é conhecido principalmente por seus poemas, mas é também autor de canções, de contos e de ensaios. Seus poemas estão repletos de mensagens espirituais. Saiba mais aqui.