Culpabilidade – Isabel Gouveia

O que é o perdão?

Vivi na esperança
de o ter entre os dedos.
Quem diz que o alcança
só vive de enredos…

Fiz mal? Mas a quem?
Que venham contar-me
as mágoas geradas
por meu vil desdém
e as feridas mostrar-me
na carne rasgadas.

Fiz mal? Mas a quem?
Fui pedra lançada
no vosso caminho?
Barrei-vos a estrada
com traves de pinho?

Só sei que

há vozes gritando
a culpa que sinto
pesar-me na alma,
há ecos cavando
a dor que pressinto
em noites de calma…

Só sei que
suspensos enredos
da minha agonia,
urdida ao serão
em grande segredo,
tornaram vazia
a minha intuição.

Fiz mal? Sim ou não?
Onde e quando?
Dizei-mo, dizei-mo!

Eu sou como a rocha
virada prò norte,
que acolhe a rajada
em concha bem forte
e a atira prò nada…

Fiz mal? Sim ou não?
Até os duendes,
escondidos e aduncos,
me negam razão.

O que é que vós tendes?
Tremeis como os juncos
nas bordas do rio.
Escondeis-vos de mim,
do meu poderio?

Do meu poderio!
Ah! Ah! Ah!
Tesouros saídos
de cofre guardado
em cave nojenta,
demónios roídos
de querer aturado
em bolsa sangrenta?

Fiz mal? Mas a quem?
Àqueles que ainda
não viram a luz
das coisas imundas?
De ideias fecundas
fiz braços em cruz?

A treva gerada
em dúvida vã
que cobre a minha alma
andou apressada;
a todos levou
a ânsia e a calma
em Deus embarcou?

Fiz mal? Como e onde?
E quando? E quando?

Isabel Gouveia

Isabel Gouveia, in “Os Sete Dias Passados”

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Romance ou Aluguel? – Sobre a Credibilidade do Escritor José Castello

                                       LIVRO RIBAMAR – JOSÉ CASTELLO

Para quem pensa que eu deliro, leitores e amigos, resolvi me aprofundar mais no escritor José Castello, que está sendo endeusado num certo blog de desafios literários.

Castello, até já foi um critico respeitado, um cronista bem aceito no Rio de Janeiro, porém, ao escrever, loucamente, seu “romance” intitulado Ribamar, que pretendeu ser algo do tipo a carta de Kafka ao pai, deixou cair o pano, mostrando-se uma pessoa “pessoal” demais, ao buscar lembranças por demais amargas para serem consideradas Literatura. Já a obra prima de Kafka, você pode ler aqui, em PDF.

Segundo o ator e crítico lietrário e afins, premiado até no Exterior, Milton Ribeiro, este sim, um artista completo e verdadeiro, o livro de Castello é pura depressão. “Era um agradabilíssimo gentleman literário, mas vá saber que abismos se escondem sob a casca?”

Geralmente quando me proponho a criticar, prefiro ser científica e profissional, para tanto trago, hoje, uma análise sobre este homem que, a meu ver, caiu quando quis ser como Kafka, escrevendo um livro-carta para o pai que, ao que tudo indica, nem chegou a ler aquele amontoado de chororô.

Leiam a crítica para lá de realista aqui.

Quiçá os envolvidos nesta árdua tarefa insana possam cair na real, e perceber que estão seguindo uma sugestão absurda, ao intentar escrever um conto ambientado em COPACABANA sem poder usar TODAS as características culturais da cidade do Rio de Janeiro. Não digam que não avisei.

E a pergunta que não quer calar: Quem é mais insano, José Castello, a pessoa que fez tal sugestão, o escritor Jefferson Maleski, ou os que aceitaram o “desafio”?

A melhor maneira de sermos enganados é julgarmo-nos mais espertos do que os outros.  (La Rochefoucauld)

Inté!