A REUNIÃO NO VILAREJO

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Há muito, muito tempo atrás, um homem que era conhecido como O Homem que Sabia, reuniu algumas pessoas e as levou a uma praça, onde muita gente se aglomerara, a fim de ouvi-lo. Ele levou consigo uns trabalhadores que eram, um médico, o outro um jardineiro, um padeiro, um carpinteiro, e ainda um escritor muito erudito.

Depois de acomodados em cadeiras de madeira feitas pelo carpinteiro, o Homem que Sabia, pigarreou discretamente e começou a falar. O silêncio era absoluto.

“Meus amigos, eu os reuni hoje para explanar sobre algumas questões que têm me tirado o sono. Certamente eu já cheguei a uma conclusão, contudo, tenho observado no povoado que vocês andam confusos com as questões trabalhistas. Sei que precisam ganhar o sustento para suas famílias; entretanto, vêm-me aos ouvidos muitas reclamações no que tange às suas habilidades…”

A esta altura, uns homens negros e fortes chegaram com alguns utensílios. Eram materiais e ferramentas de acordo com as profissões dos demais.

Depois de tudo arrumado e organizado, o sábio mandou que cada profissional se apossasse das ferramentas, aleatoriamente. Desta forma, o médico ficou com os apetrechos do padeiro, o padeiro com os do carpinteiro, este com os do escritor. E, finalmente, o escritor tomou das ferramentas do jardineiro.

Então, o Homem que Sabia, cortesmente, pediu a cada um dos participantes que procurassem desenvolver alguma coisa com as ferramentas de que dispunham.

Muitas horas depois, cansados, desistiram de suas obras. E todos admitiram que não possuíam habilidades para outras artes ou ofícios, mas que eram excepcionais naquilo que faziam.

O velho sábio olhou em volta. Chamou apenas dois dos concorrentes, objetivando prestar exemplo ao povoado. Se aproximaram dele o carpinteiro e o escritor.

Perguntou ao primeiro:

_ O senhor, como excelente carpinteiro, como se sentiu ao ter que elaborar um belo texto, um escrito artístico, que só pode sair de um coração deveras literário?

O homem, ressentido, retrucou:

_ Meu senhor, sou capaz de construir qualquer móvel, qualquer apetrecho, e até crio formas e detalhes a cada invento, contudo, nenhuma palavra escrevi que pudesse ser chamada literatura.

O velho desviou o olhar do carpinteiro e se dirigiu ao escritor:

_ E o nobre escritor, também execelente em seus atributos, como se lhe deu com as artes da jardinagem?

_ Oh, meu nobre senhor da pura sabedoria…- redarguiu o escriba – Minha tarefa, aparentemente simplória, que era apenas plantar umas mudas de flores, em nada redundou, uma vez que mal consegui distinguir a terra do adubo.

O Homem que Sabia levantou-se, e olhando para o povo decretou:

_ E assim todos os concorrentes não conseguiram desenvolver suas tarefas de forma agradável. – respirou e continuou – o grande Criador do Universo dá a cada um de nós uma habilidade específica. Às vezes  até mais de uma. Todavia, não é o caso aqui.

Ai daquele que ignora seus dons e avara obter o dom do outro, tirando-lhe seu campo de trabalho e reconhecimento. Tal homem, que age com tamanho desatino, geralmente é um fracassado. E pior, ele mancha a arte do trabalho e da própria.

Anelo saber que, a partir de hoje, deste memorável dia, cada um dos amigos procure sua habilidade, seu ofício, seus dons. Porque mais tolo que o mau profissional, que pode crescer e aprender, é aquele que nem profissional é digno de ser chamado.

(Dedico este texto a todos que escrevem por amor e dom)

Importado do Blog da Day, meu blog literário.

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