Reptiliano – Luiz Guilherme Volpato

E acordo assim.

Com o sono invadido por sonhos e lembranças.

Como realidades hipotéticas.

De uma época onde curvas no caminho ainda poderiam ser tomadas.

Num mundo onde fechar os olhos e sentir a brisa contra o rosto ainda fazia sentido.

Numa época onde meus desejos e orações eram endereçados a mesma pessoa.

Onde haveria sentido voltar ou não sair de casa.

Mas de cicatrizes sobrepostas meu coração se tornou escamoso.

Duro, frio… feio.

Não desejo saber de seu paradeiro.

Não me interesso por sua vida.

A curiosidade é menor que a segurança da beira do meu lago.

Não a quero aqui hoje.

Mas sinto falta de mim, aí, ontem.

 

 

 

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