Sem Crítica Literária Novas Modalidades de Escrever Via Net – Fim Dos Tempos

                    Os novos “escritores” da linguagem eletrônica – Literatura?

O Globo Blogs – Impasses da literatura contemporânea, por Alcir Pécora (Ver mais…)


“Ocorre, hoje, uma impressionante expansão das narrativas no cerne da própria existência. Antes mesmo de existir como evento, a ação já se apresenta como narrativa, como ocorre nos reality show, em que as pessoas, antes de agir, representam ou narram a ação que lhes cabe. Ocorre também na multidão que fala pelos blogs e pelas redes sociais, ou se monitoram pelos celulares, de modo que a ação ou a conversa é sempre exibição/narração da conversa. É como se o mundo inteiro fosse virtualidade narrativa antes de ser existência particular, e principalmente como se todo mundo fosse interessante o bastante para ser visto/lido. Esse é um dos pontos não negligenciáveis que parecem retirar a prioridade ou a exclusividade da narração do narrador literário. É um problema basicamente de inflação simbólica.

Escrever literatura, para mim, entretanto, é um gesto simbólico que traz uma exigência: a de ser de qualidade. Literatura mediana é pior que literatura ruim, pois, mais do que esta, denuncia a falta de talento e a frivolidade. A literatura decididamente ruim pode ser engraçada, ter a graça do kitsch, do trash, da paródia mesmo involuntária e grosseira: pode ter a graça perversa do rebaixamento. Já a literatura mediana não serve para nada. É a negação mesma da literatura, cuja primeira exigência é a de se justificar (justificar a própria presença) face aos outros objetos de cultura. E o que eles exigem é que você os supere, que se apresente como novo ou não dê as caras por lá.” (Alcir Pécora)

O bizarro movimento de (não) escritores que usam as ferramentas da web para se comunicar, tem fomentado grandes discussões no meio intelectual. Tal fenômeno, para lá de estranho, nem de longe eu chamaria de Kitsch. (Day)

O reboliço insano nas Letras, que está aquém do Kitsch, tem tomado proporções epidêmicas, mas nada que possa enfermar a Literatura. Porque quando não se faz realmente Arte, a ‘coisa’, por si só, desaparece com o tempo.

Tenho pesquisado na web blogs que alimentem tal movimento anti-literário, entretanto, até agora, só tenho como referência o blog Duelo de Escritores. Se o leitor for lá, perceberá bem o que  Alcir Pécora, professor de teoria literária na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está querendo nos passar.

Com o desaparecimento da crítica literária (que hoje restringe-se praticamente ao jornalismo), novas linguagens despontam. Certamente nada deverá convencer a estas pessoas de que o que fazem não é literatura, mas letrelagem, ou seja, um amontoado de palavras, feridas pelas más gramática e ortografia, abandonadas a um vazio de estética filosófica.

E não somente isto, mas a ausência perceptível e ao extremo da falta de leitura.

Um bom começo…

Como alguém pode pretender-se escritor sem, antes, ler Shakespeare, Platão, Machado de Assis, Freud, Jung, Franz Kafka, Fiodor Dostoievski, Nikolai Gogol, Jane Austen, Sófocles, Aristóteles, Mahabharata, Agostinho de Hipona, Dante Aliguieri, Cervantes, Erasmo de Roterdã, Ghoethe,  Hermann Hesse, Antoine de Saint-Exupéry, Marcel Proust, Alexandre Dumas (pai), Charles Baudelaire, León Tolstoi, Oscar Wilde, George Orwell, Rabindranath Tagore, Camões, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, José de Alencar, Graciliano Ramos, Érico veríssimo, Clarice Lispector.

Exemplo de Arte. O retrato acima é de Dante Aliguieri, obra do artista norte-americano John Sokol, que desenha o rosto com frases grafadas dos prórios escritores. Somente uma alma refinada pode entender o mergulho de Sokol; a ânsia com a qual ele quer definir o escritor, fundindo sua obra com sua psiquê (imagem).

No blog Duelo de Escritores, o constrangimento é total. O crítico literário Jefferson Maleski chama seu conluiado de escritores amadores :

“tenho certeza dq vc vai apreciar a interação entre os escritores amadores e leitores do blogue.”

Em outro trecho o próprio moderador dúbio define o espaço:

“deixo como sugestão q vc leia o regulamento (clique aqui) da nossa brincadeira literária p q na próxima vez apareça com uma bazuca.” (?!)

Pessoas deste quilate fazem parte de uma falange obscura que confunde escrever com escrever literatura. De alguma forma, em seu íntimo não reverbera o canto da Arte. Afinal, a Arte é uma das formas que o homem encontrou para filosofar com seus sentimentos. Uma obra é Arte se, e só se, exprime sentimentos e emoções do artista.

O que seria Literatura Amadora?

Segundo entendi, o escritor quis dizer com tal termo (que não se acha nem no Google) que escrever com erros gravíssimos de gramática, ortografia, sintaxe, textos vazios e sem mensagens,  pode passar despercebido. Não sendo eu radical, até ignoro alguns erros (quem não erra?) desde que a criação seja de qualidade, que o escritor tenha propriedade sobre o assunto abordado, ainda que ficcional, e, claro, que o escritor não seja aculturado, néscio, obtuso e filosoficamente analfabeto. E nenhum dos participantes do blog (com excessão de Maleski que é filósofo e leitor ferrenho) pode escapar deste crivo, infelizmente, e, ao se envergonharem em público, envergonham também a nós outros, brasileiros, que tanto amamos a Literatura. Ou não. Cada macaco no seu galho.

Segue abaixo trechos de imperdoáveis erros para um escritor, mesmo iniciante:

– “Lágrima que soluça a magoa que meu coração trás.” (Maria Dias)

– “1. o certo é meio-dia e não meio dia
2. no seu texto vc usou 2x “de encontro a” (multidão/marcos) qdo o certo seria “ao encontro de”, por causa do sentido da frase.” (Natália Oliveira).

Esta é uma leve correção do próprio crítico para não denotar a conivência com tal fraude literária.

Que contraste perturbador existe entre a inteligência radiante de uma criança e a frágil mentalidade de um adulto mediano. (Sgmund Freud)

Frases célebres de alguns candidatos a escritores do blog Duelo de Escritores:

Me atrapalhei com a data, escrever e diagramar com duas crianças de 3 e 4 anos no meu pé não é fácil.

(Natália Oliveira que em seu texto tacanho começa, xenofobicamente, criticando o clima de Copacabana e assaltos nas areias. Esta é forte candidata à lista de blogs de literatura amadora. Confiram o seu espaço intitulado Pensebook).

…fiquei assustada quando subi um pouco o cursor do computador para terminar de ler, mais foi um susto muito bom…

(Maria Dias, a novata que ainda estamos curiosos em saber se é brasileira, criança ou fugiu da escola, pois nem as regras do joguinho ela entendeu, transformando o blog numa babilônia dos horrores.)

Cada dia que passa fica mais difícil decidir entre os textos. Publicar um livro Duelo de Escritores até que não é uma má ideia.

(Mais Natália Oliveira, prolixa e sem noção)

já que mencionei em fazer um livro, vou aproveitar este espaço para divulgar um projeto do qual estou participando/Se trata de um livro com mil autores…

(Natália Oliveira espalhando o vírus)

Vou ter que discordar do nosso amigo JLM. Erros ortográficos quando se trata de fala do personagem está perdoado pois ninguém fala o português corretamente o tempo todo, a não ser que seja um personagem milionário como o príncipe da Inglaterra.

(Ela, Natália, de novo, totalmente gripada, justificando seus erros fenomenais de escrita)

Apenas um comentário que venho recebendo pelos meus editores…

(Natália Oliveira (editoreS?) bateu o record da rodada. Se escrevesse bem como escreve besteiras…)

É verdade Natalia, seriamos mudas sem agilidades e força nos dedos que é a nossa farinha de cordão

(Maria Dias, aquela)

O que seriamos de nós escritores sem elas? (as palavras)

(Ainda Natália Oliveira –  “Elas” quem Natália? As palavras? Ditas ou escritas? “Elas” quem? Novos signos? Novas linguagens? Novo surto? Pense nisso, pense book, leia books)

              Como diz a logo de seu blog: pense book, escrever é o de menos.

Teríamos muitos mais exemplos, porém o artigo precisa acabar. Contudo, na continuidade estarei falando sobre este assunto tão importante: Literatura e Crítica Literária.  Trarei textos de escritores e críticos renomados. Quiçá até matéria em jornais.

Por falar em críticos, aos leitores que estão sentindo falta de minhas opiniões (que não são críticas) dos últimos textos concorrentes no Duelo de Escritores, explico: por não considerar aquilo Literatura, dei-me ao luxo de ignorar os textos Duelo de Palavras, de Maria Dias; e O fim é apenas o recomeço, de Natália Oliveira. My time is precious to the true art and literature. Contentem-se com o que já comentei acima, queridos leitores.

Mesmo nos tempos de mais grave doença, nunca me tornei doentio. (Nietzsche)

Esta é uma epidemia, um vírus que tem tentado destruir a Literatura, contudo, como disse-o bem Alcir Pécora (que alívio!), nada que necessite grandes alarmes. É praticamente inofensivo, não deve se alastrar tanto. Por uma simples razão: por mais que estes estranhos seres invadam a arte de forma tão inescrupulosa, nós, leitores, estaremos de prontidão. Ninguém pode nos enganar. E todo bom leitor saberá separar o joio do trigo. Graças a Zeus! (E a Dionísio).

A crítica literária é hoje praticada por duas espécies de indivíduos: a dos críticos e a dos recenseadores. A partir daqui, considero crítico literário todo aquele indivíduo que também sabe ou soube ser teórico, conhece ou reconhece o que é ser teórico. Assim, o crítico é aquele que mais próximo está de um filósofo. (António Sérgio)

Inté!

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6 comentários em “Sem Crítica Literária Novas Modalidades de Escrever Via Net – Fim Dos Tempos

  1. O poder das palavras é estarrecedor. Devemos sim, ter cuidado com a escrita! Ler e reler, aprimorar e esculpir, como uma obra de arte!

  2. RAINHA DO GELO é o maior acontecimento na literatura no Brasil, véio! Eu li até agora, e sei que teu livro vai além da literatura estagnada. Ele fará parte na alforria cinematográfica, porque é livro e cinema! Uma coisa é escrever com deficiência, outra, é não escrever. Leia o artigo de novo e veja as pessoas que querem ser escritoras, então entenderás do que estamos falando. Até quem não lê e escreve conta uma estória. Ou seja, o Escritor é aquele que nasce com talento para, antes de escrever, sofrer a vida, entender tudo, e filosofar a respeito. Você É um escritor. Que bom.

  3. Cello, muito boa sua análise. O que quero discutir aqui é justamente isso: Quem é escritor de literatura: Quem só quer viajar na web, ou quem, como nós, entregamos nossas almas em nossos textos? Obrigada, escritor, por sua presença. E se vc escreve de forma errada (ainda?) devo dizer que um escritor como você que só lê na língua inglesa, e escreve com um gênio de quem escreve para sempre, digo que, Cello, tu és meu maior exemplo do que se trata de ser um ser nascido para escrever. Sua presença aqui é algo que tem valor, haja vista que és o maior gênio do Brasil. Eu sei do que falo. Beijo, escritor.

  4. Se não e a opinião do famoso quem?, deve ser ótimo ser o oraculo literário ao qual todos temos q consultar para saber o que gostamos ou nao gostamos de ler, oq consideramos ser ou nao ser literatura.

    Isso e pra mim e medo, o mundo muda e aqueles que não se adaptam ficam para trás junto com os dinossauros, contudo covardia nao pode perdoar falta de edução e ética, quando vc quer criticar algo, o minimo que tem q fazer e ler tudo, o q ele admite que nao fez, tem um tempo precioso demais, e importante demais, pelo menos no mundo do faz de conta da cabeça dele.

    Num mundo onde ler e algo raro, vc pensa que um escritor iria encorajar outros a encontrar a sua voz, esse autor se tivesse no titanic seria um daqueles que ao entrar no salva vidas negaria a seu irmão um lugar ao seu lado, mesmo tendo espaço de sobra para todos.

    Nao meu caro, seu testo falou muito a seu respeito ao seu caráter e falou pouco sobre literatura, seria o caso de seguir o seu conselho e procurar ler mais, e ser menos inseguro.

    abs de um nao autor, aos seus olhos pelo menos.

Sua opinião me interessa ;)

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