Literatura – Quem é o Narrador, afinal?

 

O Narrador

Para o mundo literário amador, esta figura imprescindível, o narrador, simplesmente inexiste. Os incautos escritores tendem a contar a estória de seu próprio ponto de vista. Mas… Quem realmente  é este tal de narrador?

O narrador é a entidade que conta uma história. É uma das três pessoas em uma história, sendo os outros o autor e o leitor/espectador. O leitor e o autor habitam o mundo real. É função do autor criar um mundo alternativo, com personagens e cenários e eventos que formem a história. É função do leitor entender e interpretar a história. Já o narrador existe no mundo da história (e apenas nele) e aparece de uma forma que o leitor possa compreendê-lo.

Em inglês, para delimitar essa distinção, o autor é referido por he, o leitor por she e o narrador por it.

Uma boa história deve ter um narrador bem definido e consciente. Para este fim há diversas regras que governam o narrador. Esta entidade, com atribuições e limitação, não pode comunicar nada que não conheça, ou seja, só pode contar a história a partir do que vê. A isso se chama foco narrativo.

O narrador é uma pessoa, ou animal, e até um objeto, que só pode falar do que sabe, ou seja, ele experimentou tudo que contou, sejam odores, cores, paisagens, ou histórias que ouviu. Ele leva a credibilidade do que se conta.

O narrador é Onisciente, já que tudo sabe e tudo vê. Normalmente usado na literatura pela facilidade de narrar os sentimentos e pensamentos das personagens. Conta a história em 3ª pessoa, às vezes, permite certas intromissões narrando em 1ª pessoa. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas emoções e pensamentos.

Ele é capaz de revelar suas vozes interiores, seu fluxo de consciência, em 1ª pessoa. Quando isso acontece o narrador faz uso do discurso indireto livre, nao se sabe quando é o narrador ou o personagem que esta falando ou pensando. Assim o enredo se torna plenamente conhecido, os antecedentes das ações, suas entrelinhas, seus pressupostos, seu futuro e suas conseqüências.

Não é raro o escritor inexperiente não entender a narrativa em primeira pessoa. É que em obra de ficção, o narrador é imprescindível. Jamais devemos confundí-lo conosco, ainda que seja uma personagem parecida com a gente.

Quando ele é o  narrador-personagem que tudo sabe a seu respeito,  não significa que saiba tudo em relação às personagens que o cercam, e  nem pode ver o contexto com tanta clareza. Pode narrar uma história em que é protagonista (Memórias Póstumas de Brás Cubas) ou não, como o Blau Nunes de Lendas do Sul. Conta na 1ª pessoa a história da qual participa também como personagem.

Quando é apenas observador, também chamado de narrador-câmera ou narrador testemunha, limita-se a contar uma história sem entrar no “cérebro” ou “coração” das personagens. Conta a história do lado de fora, na 3ª pessoa, sem participar das ações. Ele conhece todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa neutralidade, apresenta os fatos e os personagens com imparcialidade. Não tem conhecimento íntimo dos personagens nem das ações vivenciadas.

Além da focalização, é importante notar na pessoa do narrador, seu nível narrativo, quais sejam:

Heterodiegético: o narrador não é personagem da história (forma mais comum na literatura). Ainda que seja um narrador intruso como o de As intermitências da morte, de Saramago, ele não é parte dela.

Homodiegético: o narrador é personagem, mas não protagonista. O exemplo mais comum é o Dr. Watson narrando as peripécias de Sherlock Holmes ou, trazendo para o Brasil, o já citado Blau Nunes de Contos Gauchescos e Lendas do Sul.

Autodiegético: Aplica-se esta designação ao narrador da história que a relata como sendo seu protagonista, quase sempre no decurso de narrativas de carácter autobiográfico.

Elementos básicos da narrativa

Fato – o que se vai narrar (O quê?)

Tempo – quando o fato ocorreu (Quando?)

Lugar – onde o fato se deu (Onde?)

Personagens – quem participou ou observou o ocorrido (Com quem?)

Causa – motivo que determinou a ocorrência (Por quê?)

Modo – como se deu o fato (Como?)

Conseqüências –  (Geralmente provoca determinado desfecho)

Pesquisa O foco narrativo, Ligia Chiappini Moraes Leite (Ed.Ática,1997)

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