13 livros de Fernando Pessoa para download gratuito

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Publicado por Universia

(Crédito: Luis Santos/Shutterstock.com)

Confira 13 obras do escritor Fernando de Pessoa que estão em dominio público

No 76º aniversário da morte de Fernando Pessoa, a Universia Brasil separou 13 obras do escritor e poeta português disponíveis em dominio público para download gratuito.

Os livros foram retirados do portal Dominio Público, biblioteca digital mantida pelo Ministério da Educação. Entre a selação estão inclusive obras de dois de seus heterônimos: Alberto Caeiro e Bernardo Soares, autores fictícios que possuem personalidade.

Veja a seguir as obras de Fernando de Pessoa para download:

Cancioneiro – Fernando Pessoa

Mensagem – Fernando Pessoa

O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

O Eu profundo e os outros Eus – Fernando Pessoa

Poemas de Fernando Pessoa – Fernando Pessoa

Poemas Traduzidos – Fernando Pessoa

Poesias Inéditas – Fernando Pessoa

Primeiro Fausto – Fernando Pessoa

Poemas em Inglês – Fernando Pessoa

O Guardador de Rebanhos – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

O Pastor Amoroso – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

Poemas Inconjuntos – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

Do Livro do Desassossego – Bernardo Soares

(heterônimo de Fernando Pessoa)

dica da Luciana Leitão

Copiado do Livros só Mudam o Mundo

Induz que luz

Que nada que não tem

como explicar as cataratas de tua visão,

Niágara, morte desprevenida,

manchas universo cérebro,

nada, que nada, tudo é a mesma coisa.

Tu o queres, mas não há coragem,

é invisível. Não basta.

Deus assim não queres,

talvez estejas com a razão.

Razão? Razão? Razão?

Sejamos loucos, tudo passa rápido,

daqui a pouco eu.

Mundo paralelo

Na realidade, ela sabia que tudo estava errado em sua vida. Desde sempre, carregara aquele defeitinho, que foi crescendo, crescendo, até explodir em sua própria alma. Seus pais, e toda a família sabiam, mas, por pena ou medo, jamais tocavam no assunto.

Eu a vi, depois de muito tempo, quando já estávamos com trinta e cinco anos. E, mesmo crescendo juntas, nunca me senti muito amiga dela. Sua excentricidade sempre me incomodou. E, precisamente, aquela mania, que só crescia, muito me assustava.

Marly estava rica. Morava em uma cidadezinha francesa chamada Vichy; porém vivia mais em Paris, por conta de seus badalados livros, e de suas peças para teatro. Casara-se com um belo e rico francês, um produtor de Arte. Conversamos por quase uma hora, e foi tudo que aguentei, naquele dia, no Rio de Janeiro, quando nos encontramos, casualmente.

A morena de olhos verdes, entre uma taça e outra de champanhe, descrevia como sua vida era feliz e agitada. Falava de seus amigos, seus livros, suas roupas, e de como era altruísta, ajudando muitos jovens artistas em início de carreira. Foi quando percebi que ela continuava a mesma Marly de sempre.

Ela jamais fora altruísta de verdade. Ao contrário, vociferava, aos quatro ventos, que amava as pessoas, que as entendia, e que faria de tudo por elas. Entretanto, sempre soubemos, nós duas, que, no fundo, Marly só queria se sentir rodeada de pessoas, e ser admirada, custasse o que custasse. Mesmo que, para isso, ela criasse um mundo paralelo.

De todos os erros cometidos, o mais grave foi ela ter insistido na antiga prática de inventar amores. Para cada estação, havia homens diferentes, e, muitas vezes, até acreditava que, de fato, os amava. Chegava mesmo ao cúmulo de sofrer por amores inventados por sua complexa mente de escritora.

Despedimo-nos e fomos, cada qual, para seus destinos. Confesso que senti pena de minha amiga de infância. Jamais conheci alguém que tivesse esta incrível capacidade de viver em um mundo paralelo, onde tudo é fake, tudo é de mentira, até o amor.

Cheguei a casa, ainda pensando. Quando anoiteceu, cochilei no sofá, e fui acordada com a terrível notícia do suicídio da Marly. Ela dera cabo da sua vida. De verdade. Pela primeira vez, de verdade, Marly existiu.

Leitura em Excesso

 

Excesso de Leitura

Existem dois modos distintos de ler os autores: um deles é muito bom e útil, o outro, inútil e até mesmo perigoso. É muito útil ler quando se medita sobre o que é lido; quando se procura, pelo esforço da mente, resolver as questões que os títulos dos capítulos propõem, mesmo antes de se começar a lê-los; quando se ordenam e comparam as idéias umas com as outras; em suma, quando se usa a razão.

Pelo contrário, é inútil ler quando não entendemos o que lemos, e perigoso ler e formar conceitos daquilo que lemos quando não examinamos suficientemente o que foi lido para julgar com cuidado, sobretudo se temos memória bastante para reter os conceitos firmados e imprudência bastante para concordar com eles.

O primeiro modo de ler ilumina e fortifica a mente, aumentando o entendimento. O segundo diminui o entendimento e gradualmente o torna fraco, obscuro e confuso. Ocorre que a maior parte daqueles que se vangloriam de conhecer as opiniões dos outros estuda apenas do segundo modo. Quando mais lêem, portanto, mais fracas e mais confusas se tornam as suas mentes.

Nicolas Malebranche, in ‘Procura da Verdade’

A mulher como objeto sexual na Literatura

Equívocos de um misógino

Alguns escritores (?) não sabem mesmo a diferença entre um texto com linguagem coloquial/vulgar, e um bom texto com linguagem coloquial/vulgar. Trata-se do trabalho concorrente no Duelo de Escritores, do jornalista Fábio Ricardo, intitulado Sobre paus e pedras. O tema para o desenvolvimento do texto, seja conto, poesia, ou crônica, foi “Paquera”. ou “Flerte”. Ninguém saberia dizer qual parte do tema o autor não entendeu, dispondo um amontoado de palavras toscas e desconexas, totalmente inclinado ao machismo, o que, por si só, retiraria todo o  charme do texto.

Todavia, a coisa vai mais longe. Parece mesmo que o autor estava embriagado ou com uma tremenda dor cornícula ao escrever tal texto. O personagem é pedante, doentiamente fanático por sexo, e patologicamente mentiroso. Criar um personagem mentiroso é difícil, pois, não raro, ele se confunde com o autor, e, neste caso, tudo indica que sim, que a  personalidade do escritor migrou para tão sofrível trabalho literário, se é que podemos classificar um caminhão de palavrões como Literatura.

Falar de paquera e de mulher, ou vice-versa, não carece de uma linguagem tão chula, obscena e pornográfica, e até ofensiva para um leitor bem intencionado; para uma leitora então, fiasco total.

Devido às mudanças na sociedade humana, fica descabido uma redação  tão machista, vinculando a paquera à vagina, como se, em pleno terceiro milênio, a mulher ainda fosse objeto de falsos intelectuais. Eu até tentei entender o personagem, mas não o reconheci em nenhum arquétipo, e em nenhum lugar, a não ser na mente do escritor.

Para a maioria das mulheres e leitoras, um texto destes é risível (no mau sentido mesmo), já no primeiro parágrafo:

Eu não sou um cara bonito. Longe disso. Ok, bem longe disso. Mas mesmo assim eu tenho um jeito com as mulheres. Um jeito, é. Como posso explicar? Eu como mulher pra caralho.

Não sei se trata-se de regionalidade, pois que em muitas partes do mundo e do Brasil esse discurso não existe mais, graças a Zeus. A vulgaridade é tanta que chego a questionar se não foi proposital. Quem sabe o autor e proprietário do blog, Fábio Ricardo, não esteja com alguma frustração na alma, e se aproveitou, cegamente, de uma oportunidade para descer ao mais baixo nível literário, em nome de alguma raiva pessoal.

De qualquer forma, o texto é tão horrível, repleto de erros e de palavras grosseiras em relação às mulheres, que não resisti em apresentar-lhes um dos trabalhos mais infelizes que já li, não no Duelo de Escritores, mas em toda minha experiência de blogosfera. Lamentável assistir tamanho vitupério sociológico contra as mulheres. E, não podendo fazer nada, lavo minhas mãos e consciência, divulgando tanta sujeira literária aqui. Mais uma coisa, leitora e leitor: se vocês têm estômago fraco, ou são sensíveis demais, não leiam, pois aquilo é a bactéria das fezes de Bukowski.

Trechos do texto:

Quando eu era garoto eu não pegava ninguém. Nem sequer conseguia beijar alguém, imagina só comer.

Eles não são homens o suficiente para suas bocetinhas juvenis. Vagabundas.

Depois que comecei a agir assim, as vagabundas incrivelmente ficaram afim.

Sabe a menina de cabelo encaracolado, unhas mal cuidadas e a boceta peluda?

E não to falando daquelas vagabas que dormem com qualquer um.

… suas bocetas batem palminhas para o Almodóvar.

Uma mulher não aceita que o cara esteja mais preocupado em terminar de ler uma notícia de jornal do que em foder com ela.

Nada mais me resta, depois de tão insólita aventura, a não ser classificar o blog Duelo de Escritores como o pior espaço virtual  literário brasileiro da atualidade.

O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas…

Crarles Bukowski

Inté!

Feliz aniversário, Drummond!

Singela homenagem

 

Carrega-me tu, Drummond,
com tuas asas imortais de letras e fogo.
Queria saber o que sentes, Carlinhos,
agora, daí de onde estás:
 Serás anjo, homem ou demônio,
_ Poeta das sábias coisas!
Fala-me, através de teus poemas,
digo até daqueles eróticos de
sugar e ser sugado pelo amor
Canta de onde estás,
que eu ouço daqui,
ouvirei de minha cama
com teu livro entre as pernas.
Sonho hoje, amado mineiro,
com a possibilidade amalucada,
de um dia estar contigo,
e novos poemas de ti ouvir,
pois sei que não paraste de escrevê-los,
eterno Andrade que és!

Parabéns, Drummond, para sempre!

Estou postando exatamente como recebi em minha caixa de e-mail. Hoje é Dia “D” aqui no meu blog também!

Hoje é o Dia D, data do nascimento do grande poeta Carlos Drummond de Andrade. Comemore essa data com a Companhia das Letras!
MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens

[presentes,

a vida presente.

(Poema de Sentimento do mundo)
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