Solidão, e agora?

Solidão
Não basta sentir solidão.
Tem que vir o medo, o vazio e o nada.
Um escombro doloroso que, finalmente,

me enfrenta, mais audacioso e forte,
e me questiona, eu em coma.
Solidão é pouco,
tem que sacudir toda a minha existência
sem respostas e sem perguntas.
É um momento quieto
de dor e gozo ao mesmo tempo.
É possível ser feliz
quando não sei o que isso significa.
O objetivo talvez seja sofrer
um masoquismo que vem de longe,
e enquanto isso as moscas me olham
com grandes olhos de saber.
Solidão é mais que a própria solidão.
É conhecer a morte mesmo estando viva.
É saber que nas alturas do medo
nada acontece, até que meu corpo reaja
diante das armadilhas
preparadas por mim mesma.
É possível sentir solidão
sem ser nada que tenha vida,
e é angustiante pensar que tudo se foi, contudo,
ainda vir as toscas peles
e suas células sorrindo em camadas
de minha velhice, qual flor depois da primavera.
A solidão nunca vem só;
ela traz aquela sensação doida
de quem abre os olhos
e se depara com uma janela no sol.
Cansa a vista, cansa a vida, e nada mais acontece.
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