VAIDADE

MULHER ESQUELETO

DA VAIDADE PORQUE TUDO É VAIDADE

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.” (Eclesiastes1-2)

A palavra ‘vaidade’ tem uma semântica interessante. Semântica vem do grego σημαντικός, sēmantikáv, ou seja, o “estudo do significado”. Em nossa língua, vaidade tem dois significados.

– Pode denotar orgulho excessivo, prazer em chamar a atenção. Exemplifico com a onda da ostentação entre os artistas de rap, funk, e os chamados sertanejos. Bem como os jogadores de futebol, exibindo suas posses e mulheres lindíssimas.

E, por falar nisso, as mulheres também, principalmente no Brasil, têm gasto verdadeiras fortunas; ‘poposudas’ quantias para se sentirem desejadas e amadas, elevando a aparência física ao mais alto patamar de sua existência.

Atualmente tais pessoas são conhecidas por “Ubersexuais”, ou seja, são indivíduos que gostam de se destacar, aparecer mais que os outros.

– Contudo, há outro significado para vaidade, onde se lê quão vãs as coisas podem ser. Evidentemente, ambos os significados são interligados, uma vez que nossa existência é finita. “Que grande inutilidade, diz o mestre. Que grande inutilidade! Nada faz sentido” (Eclesiastes1-2).

Certamente, muitos não haveriam de concordar, tendo sua visão de mundo limitada à matéria. Por outro lado, há que se concordar que tudo passa. Portanto, tudo é vaidade em toda a semântica que o substantivo feminino nos ensina.

Um dia este post não estará mais aqui. Muito menos eu.

Fontes:
http://www.bibliaon.com/eclesiastes_1/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sem%C3%A2ntica

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Boyfriend’s Day

flor negra2Não é pelo dia aclamado, nem por força do meu âmago,

Não é o frio no estômago, talvez nem paixão seja.

É como um mistério, uma vontade maior que eu,

Maior que meu corpo. Não quero explodir o mundo,

Não quero trair você, só precisava voar até lá,

No Sul, no castelo de outro Rei por um segundo.

E depois voltar, com meus lábios inflamados,

Talvez alguma decepção, heresia na alma,

Outra cama em vão?

Contudo,preciso ir lá, atravessar a ponte

E cavalgar até cansar.

Depois, sentada à beira de um córrego,

Recarregar as forças, guardar as rosas que ele me deu,

 Perceber que, aos poucos, na medida em que saía

De perto de seu castelo,

Voltava sozinha, pela noite escura,

Mordendo o mesmo lábio que você chupou batom.

E tudo está bom, apesar do meu bardo,

Do dia dos namorados, apesar de mim…

O que restou, além dessa saudade da noite

Em que com ele estive, mas apenas em sonhos,

Sonhos para outros sombrios.

Para mim, necessários,

Imprescindíveis, cortantes, quentes.

Caem lágrimas e pétalas

Das flores que enegreceram

Com o veneno do Rei

Que, ao me deixar,

Estancou meu sangue que circulava,

Mas era somente por ele,

O clérigo Rei do meu

Desatino.

E mais ninguém.

ELA

DARKMAN

Ontem à noite, revirei meu apartamento procurando alguma coisa que havia perdido. Sei lá, era algo que me parecia imprescindível; alguma coisa que me fazia bem. Revirei os armários, olhei debaixo da cama, na cozinha, no porão e no sótão.

Vasculhei os jardins, e até no telhado do vizinho eu a procurei. Não estava lá também. Perscrutei em volta de mim mesmo, olhei para a garrafa de vinho vazia, a taça quebrada, e os guardanapos manchados. Parecia sangue, mas deveria ser apenas o vinho tinto. Como louco, até no banheiro, onde jamais a guardava, procurei.

Procurei nos bolsos dos paletós, entre as gravatas, na carteira, dentro de minha boca – quem sabe um pequeno vestígio para me indicar algo…

Imaginei que a única prova seria eu me olhar. Deveria haver algum detalhe diferente em mim. Qual nada!

Então, fui até à janela e acendi o charuto cubano –  mesmo não sendo de esquerda, eles eram ótimos. Respirei o perfume do fumo. Retirei o roupão, fiquei nu. Meu pensamento me ajudava a lembrar de mais algum lugar onde pudesse encontrá-la… Qual lugar? Onde? Quem?

Apaguei o charuto, voltei a ler Os contos fantásticos do século XIX.  Eu estava assombrado por vinte e seis autores do passado. Minha mente embaralhava com aquelas tradições literárias tão diversificadas. De Hoffmann e Walter Scott a Kipling e H. G. Wells, passando, claro, por Gogol, Poe e Andersen, dentre outros.

Sem falar dos autores considerados realistas famosos, como Balzac, Dickens, Maupassant e Henry James. Eu procurava, além da realidade, atrás da aparência cotidiana dos fatos, um mundo encantado, lúdico e infernal que, mais do que me atemorizar, me deixava perplexo. Eu flutuava dentro de mim, no silêncio que as paredes faziam ao meu redor.

Enlouquecera de tanto ler. Será?

Dormi entre os personagens aterradores. Quando acordei, lá estava ela, bem diante de mim. Como não a avistara no dia anterior?

Estava lá, bem no centro da mesa, ao lado da jarra de água, rodeada de livros e cinzeiros. Estiquei o braço, abri a caixa e tomei a medicação. Agora, era só esperar alguns minutos e puff! Eles sumiriam de vez. Contudo, depois, como sempre, eu não tomaria a pílula, só para voltar aos livros.

E aos fantasmas.