Túmulo

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Brigite entrou em seu apartamento e sentiu que havia algo errado no ar. Precisamente no ar, um odor de queimado, pano queimado, correu até a porta a fim de chamar o síndico.

Antes que alcançasse a maçaneta, sentiu uma forte mão segurando a sua, pequena e trêmula. Foi um momento insuportável, aos poucos se virou e deu de cara com o síndico. “Graças a Deus”, respirou, “ia mesmo chamá-lo, há algo de errado aqui, sente o cheiro?”

Acordou e viu o teto do seu quarto. Pulsos e tornozelos doíam, estava amarrada. Entre as pernas uma gosma incômoda cheirava forte, era sêmen, ela constatou enjoada e quis vomitar. E vomitou pelo canto da boca, no travesseiro.

O síndico entrou, tinha olhos diferentes, com um brilho que Brigite jamais vira. Contorceu-se, mas era inútil, mil pensamentos passaram por sua cabeça. Pensou em Mônica, só pensava nela, era tudo que tinha. Jamais fora amada na vida. Pais ausentes, abusos, perdas, mortes. Pais drogados, tios, sombras, medo.

“Como se sente, sua vaca lésbica?”

E foi a última coisa que ouviu antes de desmaiar com um soco no queixo.

O síndico a retalhou em várias partes do corpo delicado e nu. Com um resto de consciência, Brigite pensou que era seu fim. Constatou resignada que a sua vida era assim, que felicidade nunca existiu. Pensou no sorriso de Mônica e pela última vez suspirou. Ainda viu seu gato tosquiado e morto ao seu lado. Sufocou com o sangue na garganta. Olhou para o síndico e esboçou o que julgou ser um sorriso.

“Obrigada”.

A vida é muito importante para ser levada a sério. Oscar Wilde

 

 

Lágrimas de Escuridão _ Mais um fantástico conto do Reino de Morserus

LÁGRIMAS DE ESCURIDÃO, BY MARCELO SCHWEITZER

É realmente um prazer voltar a comentar a obra do escritor Marcelo Schweitzer, que criou um mundo o qual vai além da literatura por questionar a vida de forma filosófica, sempre dando a seus personagens escolhas, vários caminhos, provocando pensamentos morais, discutindo ética e, acima de tudo, instigando o pensamento do leitor, obrigando-o muitas vezes reverem seus valores e tudo no que acreditaram até o momento de entrar no maravilhoso e fantástico mundo de Morserus, lugar além de todas as galáxias, um mundo onde os habitantes não são homens, tampouco são animais, porém uma intrigante mistura dos dois.

Desta vez o autor nos apresenta a doce Adell, menina com sérios conflitos de autoestima, que ao mesmo tempo em que acredita no amor como redenção para todos os problemas do mundo, dispensa mais tempo ao desamor, na dor da ausência do pai, e na confusa convivência com a meia irmã, e a mãe que parece preteri-la, em favor da outra que, mesmo sendo a mais nova, parece merecer mais ir para a Academia e ser amada.

Aqui, neste mundo surreal, tabus são quebrados, incestos e fratricídios são mais comuns do que se possa imaginar. Profecias questionadas e superadas! Afinal, estamos em Morserus.

A tragédia de Adell começa quando ganha uma máquina de escrever, novidade que o pai traz de Troferus, a Nação dos Gatos. Entretanto, a mãe ordena que o acessório fique para a irmã, por esta ser mais inteligente e apta a estudar.

A partir de um diário “mágico”, a triste menina vive uma odisseia de descobertas e acontecimentos perfeitamente normais para uma adolescente de treze anos, se não estivéssemos em Morserus, e Adell não fosse uma complexada cadelinha da linhagem Bexor, sem relevância na sociedade do lugar.

Em determinada altura, a personagem encara o desafio de defender o amor, de lutar por ele, através de uma verdadeira paixão por um cão de linhagem superior e muito mais bonito e rico que ela, o Jokua. Um toque shakespeariano, por que não? As coisas neste mundo parecem mais avançadas intelectual e filosoficamente, contudo, alguns sentimentos são semelhantes aos dos humanos.

O conto vem mesmo com grande apelo filosófico, e a personagem ser a narradora usando o diário como ferramenta é emocionante e remete a uma outra menina que viveu a mesma experiência, Anne Frank, ela mesma.

Neste episódio, o autor não economiza nas metáforas, e o coração aperta quando Adell compara o mau tempo, o redemoinho negro com seu interior. Uma dor latente que incomoda o leitor.

A busca incessante pelo amor e por uma elevação social a fim de conquistar sua paixão proibida, leva a jovem a passar por muitas situações inusitadas, entretanto, ela parece vencedora! Alcançou o status dos ricos e conquistou seu amante, com direto a bailes e ostentações.

Preservando o suspense do autor, paro por aqui, recomendando esta viagem onde quando menos esperamos, somos nós lá, nos conflitos, nas páginas do diário de Adell.

Como pista, subscrevo a personagem, que do alto de sua conquista, profere estas palavras, desconcertando o leitor:

“Os pobres saciam a sua (fome) com alimento, enquanto que nós temos fome de luz, e não encontramos no brilho do ouro luz suficiente para nos alimentar.”

Lágrimas de Escuridão trata do Efeito Borboleta. O que você faria se pudesse mudar algo em sua vida? Se pudesse voltar bem lá atrás e refazer o que estava errado? Bem, Adell o fez, mas o resultado seria, no mínimo, deselegante contar aqui.

Leiam o conto, é sensacional! Recomendo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SÚBITO

SÚBITO

Minha sanidade onde a perdi
Em qual momento deixou de existir
Para ser tormento
Quão bom é enlouquecer
As rosas ficam em ballet
Lírios aspergem voam
Há dois sóis há ternura
Nuvens Jô girassóis
Certamente é bom estar nada
Mente sem brilho
Sem vaidade
Um trem fora dos trilhos
E amar até pra sempre
Perturbar e cantar dar adeus voltar
É saber esquecer morrer retornar
Loucura é artística ritos riscos
Em cada chuvisco um sabiá
Vem loucura me apanhar
a dança lembras
O teatro sons acústica
Tua alma lúdica luzes
O pano caindo dormindo
Todos se vão é bom
És companheira perfeita
Rarefeita rodopia cotovia
Azul é a cor da seita
Linda essa dança vida
E cai
Desmaiada de amor
Diz que foi
Ou que vai
Não importa
Depois da porta
É outra peça
Peça e receberás
Satisfaz na letra
A negra borboleta
Devir porvir
Agora chega Loucura
Mesmo eu
Preciso dormir…

 

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NEUROSE

 

blog

“Mulher Sentada e Janela Gótica” __ Eduardo Machado

Espanto a vida é uma ruela que prende teu corpo minha vida estranha se jogará da janela, tantas nuances e a política apunhala entre as pernas o povo está nu, vilipêndio estupendas lágrimas mendigando fortunas no nome de Deus enquanto anjos tocam trombetas mendigos coçam bocetas e enquanto isso cachorros se alimentam de vômitos. Ruas desertas Moro o capeta e santo duas faces depende quanto pagará minha vida se despede e olha uma última vez para a antiga vitrola e Jmi Hendrix sorri, Lúcifer mija no fogo ardente das gurias do baixo cracolândia, beiços queimados futuros arruinados e dança a dançarina no Municipal. Cabral preso Brasil descobriu Cabral puta que o pariu tudo foi em vão a criação Eva e Adão, agora é suportar quando no pó descansarei, um dia serei estrela, desabou a  porra da janela virei cadáver.

Day

 

 

ONTEM NÃO É HOJE

ONTEM NÃO É HOJE

Ontem eu era virgem e amada
Hoje trago o ventre vazio de fomes
Ontem me dizias coisas belas
Hoje olho o quarto, tu somes

Ontem eu ri, mais de mil vezes apaixonei
Hoje, acordei fraca, sem beijo
Ontem repeti te amo te amo
Hoje aos pés de Deus me ajoelhei

Ontem viramos crianças enamoradas
compomos juntos as músicas
Tirei a roupa dancei na varanda
Ontem foi como noites recém-casadas

Ontem foi madrugada em alarde
Hoje na mesa apenas um copo
Ontem tu ficaste até tarde
Mas sem ti por aqui não galopo

Ontem sorrias e me lambias feito gato
Hoje vi melhor eram arranhões
Ontem tu parecias lindo e mui grato
Hoje só tenho dor e degradações

Mulheres Filósofas – Parte I

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Não são apenas lábios vermelhos e úmidos que encantam os homens; muitas vezes a secura de lábios retóricos enlouquecem de paixão o pensador. (Day)

O que pouca gente sabe é que, na história da filosofia, muitas de nós fizemos parte das grandes correntes de pensadores. Muitas se destacaram. Pensar não é privilégio do gênero masculino.

O homem (humanidade) está sempre buscando diferenciar-se entre si, seja por cultura, crença, raça.

Não querendo puxar a brasa para nossa sardinha, mas mulheres filósofas não foram e não são muito divulgadas. Contudo, a partir de hoje o Blog da Day faz homenagem a essas maravilhosas pensadoras.

                                       Algumas pensadoras da Antiguidade

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Enheduana

Foi o primeiro ser humano de que se tem notícia a assinar suas próprias obras, sendo por isso a primeira pensadora da História. Foi também a primeira sacerdotisa (sábia, filósofa) do templo da deusa lua; nestes templos dirigia várias atividades, comércio, artes; também eram ensinados matemática, ciências e especialmente o movimento das estrelas e dos planetas. Escreveu 42 hinos para a deusa Inana e é por isso uma das principais fontes da mitologia suméria.

Temistocléia

Foi uma filósofa, matemática e uma alta profetisa de Delfos, que viveu no século VI a.C. e foi, segundo o filósofo Aristoxenos a grande mestra de Pitágoras, introduzindo-o aos princípios da ética, Depois de Pitágoras criar o termo filosofia, Temistocléia teria sido a primeira mulher filósofa do Ocidente.

Melissa

Melissa foi uma filósofa e matemática pitagórica.

Safo de Lesbos(VII-VI a. C)

Poetisa e educadora nascida em Mitilene, na ilha de Lesbos. Rivalizou com o poeta Alceo e, junto com ele, representa a criação da poesia lírica grega, em contraposição à poesia épica (Homero). Da sua obra conservaram-se dez livros.

Aristocleia (Século V a. C.)

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Aristocléa (também Aristocleia; grego: Ἀριστόκλεια), (do século V a.C.) foi uma sacerdotisa grega em Delfos na Grécia Antiga. Ela foi citada por muitos antigos escritores como uma tutora do filósofo e matemático Pitágoras (Entre 580 a.C. – 500 a.C.)

Theano (546 a. C. -)

Nascida em 546 a.C., viveu na última parte do século VI a.C. foi uma matemática grega. É também conhecida como filósofa e física. Theano foi aluna de Pitágoras e supõe-se que tenha sido sua mulher. Acredita-se que ela e as duas filhas tenham assumido a escola pitagórica após a morte do marido.

Aspásia de Mileto (470-410 a. C.)

Nascida em Mileto, pertenceu ao círculo da elite de Atenas onde conhece Péricles e com ele tem um filho. Como sofista da época, Aspásia também nada escreveu, e os relatos de sua habilidade como argumentadora e educadora, bem como sua influência política sobre Péricles encontram-se na obra de Platão.

Diotima de Mantinéia (427- 347 a C)

Personagem criada por Platão é apresentada como sábia no diálogo o Banquete. Não se sabe ao certo se existiu, mas acredita-se que sim. A ela atribui-se toda a teoria socrático-platônica do amor.

Asioteia de Filos (393 – 270 a C)

Ensinava física na Academia de Platão ao lado de outras mulheres que frequentavam a escola.

Hipárquia de Maroneia

Aristocrata, é elogiada por Diógenes Laertios pela cultura e raciocínio, comparando-a com Platão. Escreveu: “Cartas e Tragédias”.

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Notaram que elas são da Era antes de Cristo, contudo, a série continuará até nossos dias.

Bem aventuradas as mulheres filósofas!

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Homenagem: Aspásia de Mileto

Fonte – Wikipédia

O Maior de Todos os Poetas Americanos era uma Mulher – Emily Dickinson

                                 Justa Homenagem – Emily Dickinson

esta emily

 

O maior de todos os poetas americanos era uma mulher: Emily Dickinson (1830-1886). Apesar de ter vivido reclusa por 56 anos, sem receber visitas, numa casa de Amherst, no interior de Massachusetts, refém do puritanismo asfixiante da Nova Inglaterra e de um pai dominador, apaixonou-se por um homem casado (mas evitou consumar a paixão) e deixou 1775 poemas, que têm, até hoje, emocionado sucessivas gerações. Como escreveu Otto Maria Carpeaux em sua monumental História da Literatura Universal: “Ela não inspirará nunca admiração perplexa, como Poe, nem será tão popular como Whitman.”  Mas é o próprio Carpeaux quem lhe dá o mérito de “maior poeta americano”, considerando a sua obra das mais originais em língua inglesa, especialmente pela reiterada quebra das convenções, no conteúdo e, para desgosto dos puristas, também na forma: nunca hesitou em surrar a gramática, para sintetizar seu desconforto diante do mundo.

emily em pé

Teve um amigo com quem se correspondia, Thomas Wentworth Higginson, um poeta hoje esquecido que inutilmente tentou “corrigir” as transgressões de seus poemas, copidescando forma e conteúdo, “para o bem de Emily”. Mas, sua obra sobreviveu a Higginson e ao pai. De Higginson ficaram as reminiscências que escreveu sobre ela. Seu pai, um tipo antigo e puritano, era sempre a figura princi­pal, um homem que, como ela disse, lia aos domingos “livros solitários e rigorosos”, e que, desde sua infância, lhe havia incutido temor. Até a idade adulta, Emily leu apenas a Bíblia e, escondida do pai, Shakespeare: “Quando perdi a visão, era um alívio pensar que os livros importantes são tão poucos. Depois, quando recuperei a visão, pensei: ‘Além de Shakespeare, por que preciso ler outro livro’?”. Na reclusão que escolheu, além de escrever, tinha ocupações gastronômicas que cumpria com prazer: diariamente ela fazia todo o pão da ca­sa, porque seu pai só gostava do pão feito por ela. E, segundo relatos de contemporâneos, seus pudins eram tão bons como os poemas. A obra de Emily Dickinson, exceto por raros versos isolados, acolhidos em pequenos jornais do interior, só foi impressa depois de sua morte.

emilylivro

A boa notícia é que foi lançada no Brasil (2008), em livro de bolso, uma primorosa edição de Poemas Escolhidos de Emily Dickinson (L&PM). O autor da magnífica tradução, além da seleção dos poemas, introdução e notas, é o professor Ivo Bender, que conseguiu preservar a graça, a originalidade e força dos versos, num criterioso trabalho de recuperação e adaptação dessa riqueza imensa à língua portuguesa. Por certo que ficaram de fora as receitas dos pães e pudins. Mas o professor Ivo Bender tem uma justificativa inatacável: as receitas desapareceram com Emily, em 1886.

Fonte: Zero Hora (14/03/08) /

10 Poemas de Emily traduzidos por Jorge de Sena

A Letter is a joy of Earth –
It is denied the Gods –

Uma carta é uma alegria da Terra
– Denegada aos Deuses.

* * *

A sepal, petal, and a thorn
Upon a common summer’s morn –
A flash of Dew – A Bee or two –
A Breeze – a caper in the trees –
And I’m a Rose!

Sépala, pétala, espinho.
Na vulgar manhã de Verão –
Brilho de orvalho – uma abelha ou duas –
Brisa saltando nas árvores –
– E sou uma Rosa!

* * *

Afraid? Of whom am I afraid?
Not Death – for who is He?
The Porter of my Father’s Lodge
As much abasheth me.

Of Life? ‘Twere odd I fear [a] thing
That comprehendeth me
In one or more existences –
At Deity decree –

Of Resurrection? Is the East
Afraid to trust the Morn
With her fastidious forehead?
As soon impeach my Crown!

Ter Medo? De quem terei?
Não da Morte – quem é ela?
O Porteiro de meu Pai
Igualmente me atropela.

Da Vida? Seria cómico
Temer coisa que me inclui
Em uma ou mais existências –
Conforme Deus estatui.

De ressuscitar? O Oriente
Tem medo do Madrugar
Com sua fronte subtil?
Mais me valera abdicar!

* * *

By a departing light
We see acuter, quite,
Than by a wick that stays.
There’s something in the flight
That clarifies the sight
And decks the rays.

A uma luz evanescente
Vemos mais agudamente
Que à da candeia que fica.
Algo há na fuga silente
Que aclara a vista da gente
E aos raios afia.

* * *

I died for beauty – but was scarce
Adjusted in the Tomb,
When One who died for Truth was lain
In an adjoining Room –

He questioned softly why I failed?
“For Beauty,” I replied –
“And I – for Truth – Themself are One –
We Brethren are,” He said –

And so, as Kinsmen met a-Night –
We talked between the Rooms –
Until the Moss had reached our lips –
And covered up – our names –

Morri pela Beleza – mas mal eu
Na tumba me acomodara,
Um que pela Verdade então morrera
A meu lado se deitava.

De manso perguntou por quem tombara…
– Pela Beleza – disse eu.
– A mim foi a Verdade. É a mesma Coisa.
Somos Irmãos – respondeu.

E quais na Noite os que se encontram falam –
De Quarto a Quarto a gente conversou –
Até que o Musgo veio aos nossos lábios –
E os nossos nomes – tapou.

* * *

I hide myself within my flower,
That fading from your Vase,
You, unsuspecting, feel for me –
Almost a loneliness.

Escondo-me na minha flor,
Para que, murchando em teu Vaso,
tu, insciente, me procures –
Quase uma solidão.
* * *

I’m Nobody! Who are you?
Are you – Nobody – Too?
Then there’s a pair of us!
Don’t tell! they’d advertise – you know!

How dreary – to be – Somebody!
How public – like a Frog –
To tell one’s name – the livelong June –
To an admiring Bog!

Não sou Ninguém! Quem és tu?
Também – tu não és – Ninguém?
Somos um par – nada digas!
Banir-nos-iam – não sabes?

Mas que horrível – ser-se – Alguém!
Uma Rã que o dia todo –
Coaxa em público o nome
Para quem a admira – o Lodo.

* * *

Silence is all we dread.
There’s Ransom in a Voice –
But Silence is Infinity.
Himself have not a face.

O Silêncio é o que tememos.
Há um Resgate na Voz –
Mas Silêncio é Infinidade.
Não tem sequer uma Face.

* * *
Soft as the massacre of Suns
By Evening’s Sabres slain

Suave como o massacre dos Sóis
Mortos pelos sabres do Anoitecer.

* * *

Volcanoes be in Sicily
And South America
I judge from my Geography –
Volcanoes nearer here
A Lava step at any time
Am I inclined to climb –
A Crater I may contemplate
Vesuvius at Home.

Os vulcões são na Sicília
E na América do Sul.
Diz-mo a minha geografia –
Vulcões mais perto daqui,
Encostas de Lava que eu
Queira inclinar-me a subir –
Cratera que eu possa ver –
Há um Vesúvio cá em casa.

Fonte: http://www.letras.ufrj.br/lerjorgedesena/port/antologia/traducao/texto.php?id=440

http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp?TroncoID=805133&SecaoID=816261&

O Amor é Acidente, uma Renúncia, um Hábito, uma Maldição – José Eduardo Agualusa

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O amor é um acidente.
Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava. Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal. As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes. Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me.

O amor é uma renúncia. Amar alguém é desistir de amar outros, é desistir por esse amor do amor de outros. Eu desisti de tudo. A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convicções mais profundas. Não me queixo! Não sou ingénua nem estúpida. Quando digo que o amor é uma renúncia, quero dizer que foi assim para mim. Para Bill foi sempre uma outra coisa. Eu sabia que ele reparava noutras mulheres, e que outras mulheres reparavam nele. Um homem feio, com poder, é quase bonito. Um homem bonito, com poder, é quase um Deus.

Apesar da minha educação cristã, ou por causa dela, sempre me recusei a viver sujeita à ameaça do pecado. As grandes indústrias vêm tentando convencer-nos de que é possível tirar o veneno ao prazer e ficar apenas com o prazer: café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina – amor platónico. Quanta estupidez. Quem bebe café procura a exaltação da cafeína. Quem pede uma cerveja numa tarde de sol quer refrescar o corpo, sim, mas também quer soltar o espírito. Se é para pecar quero o pecado inteiro.

Bill teve o seu castigo. Tivemos os dois. Foram dias difíceis, foram noites ainda mais difíceis, mas passaram. Uma manhã acordei e já não tinha lágrimas. Noutra manhã acordei e já não o odiava. Finalmente acordei e estava de novo abraçada a ele.
O amor é um hábito. Como acham que cheguei até este dia? Foi o amor que me trouxe. Maldito seja.

José Eduardo Agualusa

Mundo paralelo

Na realidade, ela sabia que tudo estava errado em sua vida. Desde sempre, carregara aquele defeitinho, que foi crescendo, crescendo, até explodir em sua própria alma. Seus pais, e toda a família sabiam, mas, por pena ou medo, jamais tocavam no assunto.

Eu a vi, depois de muito tempo, quando já estávamos com trinta e cinco anos. E, mesmo crescendo juntas, nunca me senti muito amiga dela. Sua excentricidade sempre me incomodou. E, precisamente, aquela mania, que só crescia, muito me assustava.

Marly estava rica. Morava em uma cidadezinha francesa chamada Vichy; porém vivia mais em Paris, por conta de seus badalados livros, e de suas peças para teatro. Casara-se com um belo e rico francês, um produtor de Arte. Conversamos por quase uma hora, e foi tudo que aguentei, naquele dia, no Rio de Janeiro, quando nos encontramos, casualmente.

A morena de olhos verdes, entre uma taça e outra de champanhe, descrevia como sua vida era feliz e agitada. Falava de seus amigos, seus livros, suas roupas, e de como era altruísta, ajudando muitos jovens artistas em início de carreira. Foi quando percebi que ela continuava a mesma Marly de sempre.

Ela jamais fora altruísta de verdade. Ao contrário, vociferava, aos quatro ventos, que amava as pessoas, que as entendia, e que faria de tudo por elas. Entretanto, sempre soubemos, nós duas, que, no fundo, Marly só queria se sentir rodeada de pessoas, e ser admirada, custasse o que custasse. Mesmo que, para isso, ela criasse um mundo paralelo.

De todos os erros cometidos, o mais grave foi ela ter insistido na antiga prática de inventar amores. Para cada estação, havia homens diferentes, e, muitas vezes, até acreditava que, de fato, os amava. Chegava mesmo ao cúmulo de sofrer por amores inventados por sua complexa mente de escritora.

Despedimo-nos e fomos, cada qual, para seus destinos. Confesso que senti pena de minha amiga de infância. Jamais conheci alguém que tivesse esta incrível capacidade de viver em um mundo paralelo, onde tudo é fake, tudo é de mentira, até o amor.

Cheguei a casa, ainda pensando. Quando anoiteceu, cochilei no sofá, e fui acordada com a terrível notícia do suicídio da Marly. Ela dera cabo da sua vida. De verdade. Pela primeira vez, de verdade, Marly existiu.

AS 5 mulheres mais inteligentes da atualidade

Copiado do site Miscelâneasqp

O jornal inglês “The Mirror”, publicou uma lista com as mulheres mais inteligentes da atualidade. E o primeiro lugar é de ninguém mais, ninguém menos que MADONNA.
Confira abaixo a lista das mais inteligentes:
1 – Madonna – além de ser a maior artista feminina de todos os tempos. Madonna sempre colocou em prática o seu Q.I. de 140, um dos mais altos entre as mulheres de nosso tempo. Escritora, diretora, empresária, produtora, fazem um todo que forma a mulher mais importante do século passado e desse. Biógrafos dizem que Madonna chega a ler 3 livros por dia de diversificados focos, desde ciências naturais até política e religião, conseguindo debate-los com profundidade após a leitura.ㅤ
2 – Natalie Portman – é psicóloga, aprendeu sozinha o alemão, hebraico, francês e classic greek. Atualmente, Portman desenvolve um estudo científico, dos mais importantes e contundentes, sobre espiritualidade e vegetarianismo. Ela é uma das maiores conhecedoras da bíblia em várias línguas. Natalie possui um troféu que recebeu em Harvard por seus trabalhos envolvento a mente humana e os símbolos oníricos.
3 – Jodie Foster – foi a melhor aluna do curso de Literatura da Universidade de Yale em todos os tempos. Jodie é conhecida por ler seus textos uma única vez e repetí-los com exatidão. Em 1998, quando professores de Yale discutiam a modernização da “Constituição dos Estados Unidos da América”, Foster foi convocada para o projeto como examinadora e orientadora.
4 – Lady Gaga – autodidata em piano clássico, Stefani era uma aluna exemplar. Ela possui um mosaico, que carrega por toda parte, contendo colagens e frases sobre tudo que quer conquistar em sua vida. Segundo Rich Cohenn, estudioso das estrelas, Gaga estuda minuciosamente a história da arte moderna, os artistas modernos e desenvolve seu trabalho a partir disso. Conhecedora profunda da arte de Madonna, David Bowie, Kraftwerk e Andy Warhol, em 2001, Gaga teve seu primeiro encontro com Madonna em um clube dos Estados Unidos da América, onde após isso teve a certeza do que queria fazer em sua vida.ㅤ
5 – Athina Onassis – Athina Hélène Roussel, mesmo sendo bilionária de nascimento, tornou-se doutora em história da arte e empreendedora de sucesso. Athina é fluente em inglês, francês, grego, espanhol e alemão, além de arranhar o iídiche. Onassis é apaixonada por cavalos e mantém duas fundações que estudam a melhoria da Síndrome de Down com a equitação