Lágrimas de Escuridão _ Mais um fantástico conto do Reino de Morserus

LÁGRIMAS DE ESCURIDÃO, BY MARCELO SCHWEITZER

É realmente um prazer voltar a comentar a obra do escritor Marcelo Schweitzer, que criou um mundo o qual vai além da literatura por questionar a vida de forma filosófica, sempre dando a seus personagens escolhas, vários caminhos, provocando pensamentos morais, discutindo ética e, acima de tudo, instigando o pensamento do leitor, obrigando-o muitas vezes reverem seus valores e tudo no que acreditaram até o momento de entrar no maravilhoso e fantástico mundo de Morserus, lugar além de todas as galáxias, um mundo onde os habitantes não são homens, tampouco são animais, porém uma intrigante mistura dos dois.

Desta vez o autor nos apresenta a doce Adell, menina com sérios conflitos de autoestima, que ao mesmo tempo em que acredita no amor como redenção para todos os problemas do mundo, dispensa mais tempo ao desamor, na dor da ausência do pai, e na confusa convivência com a meia irmã, e a mãe que parece preteri-la, em favor da outra que, mesmo sendo a mais nova, parece merecer mais ir para a Academia e ser amada.

Aqui, neste mundo surreal, tabus são quebrados, incestos e fratricídios são mais comuns do que se possa imaginar. Profecias questionadas e superadas! Afinal, estamos em Morserus.

A tragédia de Adell começa quando ganha uma máquina de escrever, novidade que o pai traz de Troferus, a Nação dos Gatos. Entretanto, a mãe ordena que o acessório fique para a irmã, por esta ser mais inteligente e apta a estudar.

A partir de um diário “mágico”, a triste menina vive uma odisseia de descobertas e acontecimentos perfeitamente normais para uma adolescente de treze anos, se não estivéssemos em Morserus, e Adell não fosse uma complexada cadelinha da linhagem Bexor, sem relevância na sociedade do lugar.

Em determinada altura, a personagem encara o desafio de defender o amor, de lutar por ele, através de uma verdadeira paixão por um cão de linhagem superior e muito mais bonito e rico que ela, o Jokua. Um toque shakespeariano, por que não? As coisas neste mundo parecem mais avançadas intelectual e filosoficamente, contudo, alguns sentimentos são semelhantes aos dos humanos.

O conto vem mesmo com grande apelo filosófico, e a personagem ser a narradora usando o diário como ferramenta é emocionante e remete a uma outra menina que viveu a mesma experiência, Anne Frank, ela mesma.

Neste episódio, o autor não economiza nas metáforas, e o coração aperta quando Adell compara o mau tempo, o redemoinho negro com seu interior. Uma dor latente que incomoda o leitor.

A busca incessante pelo amor e por uma elevação social a fim de conquistar sua paixão proibida, leva a jovem a passar por muitas situações inusitadas, entretanto, ela parece vencedora! Alcançou o status dos ricos e conquistou seu amante, com direto a bailes e ostentações.

Preservando o suspense do autor, paro por aqui, recomendando esta viagem onde quando menos esperamos, somos nós lá, nos conflitos, nas páginas do diário de Adell.

Como pista, subscrevo a personagem, que do alto de sua conquista, profere estas palavras, desconcertando o leitor:

“Os pobres saciam a sua (fome) com alimento, enquanto que nós temos fome de luz, e não encontramos no brilho do ouro luz suficiente para nos alimentar.”

Lágrimas de Escuridão trata do Efeito Borboleta. O que você faria se pudesse mudar algo em sua vida? Se pudesse voltar bem lá atrás e refazer o que estava errado? Bem, Adell o fez, mas o resultado seria, no mínimo, deselegante contar aqui.

Leiam o conto, é sensacional! Recomendo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DAS RELAÇÕES AFETVAS E SUAS TANTAS NUANCES ERÓTICAS

Sabemos que a natureza humana é dotada de certos privilégios, inclusive o de ter a consciência mais desenvolvida em relação aos demais animais. Não obstante, em muitos aspectos somos unos quando, por exemplo, se trata de sobrevivência.

Deixando introduções de lado, irei direto ao ponto. Sexo.

O sexo é uma dádiva para as espécies. Muito além de representar a continuidade da vida, ele traz consigo o cio. O desejo. A pré-concepção que vem dotada das mais variadas formas dos animais se atraírem e acasalarem. Uns dançam, outros cantam, assoviam, e se exibem de inúmeras formas.

Voltando ao ponto da espécie humana. O sexo é uma festa dionisíaca entre nós. Uma celebração tórrida acompanhada de vários apetrechos, tais como bebidas, roupas, perfumes, e tantas mais parafernálias de sedução. A festa do casamento e a espera dos filhos, no caso do casamento heterossexual, têm sido a principal forma de legitimar o sexo.

Não fosse a ética e a moral, possivelmente o homem experimentaria inenarráveis formas de sentir prazer. Por algum motivo – que vai além do apelo religioso – nos organizamos, envoltos em regras e pilares morais de acasalamento.

Antropologicamente colocando a questão, observamos certas exceções no que tange a leis de comportamento. Há tribos em longíquos lugares que pensam o sexo de forma muito distinta de nós, entretanto, são suas regras advindas de sua cultura, portanto a moral analisada pela ética vai bem além do nosso suposto monopólio orgástico.

O que o homem não conseguiu, contudo, foi reprimir certas formas de amar, tais como as relações homoafetivas, que aliás são a principal característica desse início de pós-modernidade. O queer é o desejo manifestado do amor entre pessoas do mesmo sexo, mas de gêneros variados; é a total quebra das tradições. Uma realidade que não poderá ser negada e nem intimidada com poderes das políticas e nem da Igreja.

Queer Culture

Entrementes, ainda é possível manter as coisas sob um certo controle administrativo. Não que isso vá inibir os amantes queers, mas eles precisarão aceitar alguns preceitos de moralidade, contribuindo, assim, para um consenso social legítimo e estável. E, da mesma forma, os heterossexuais terão a mesma responsabilidade, já que muitas vezes cometem torpezas inigualáveis.

Não fossem as organizações humanas como um todo, não seria de admirar que o homem chegasse ao ponto de se reinventar no amor, admitindo e praticando todo tipo de prazer, inclusive com espécies diferentes da sua, o que, em escala diminuta, já acontece de fato.

Concluo que a única explicação para que o homem necessite de freios a fim de  se relacionar afetiva e sexualmente, seja o fator biológico e genético que o retira do ordinário cenário da natureza e o eleva a um patamar melindroso, o que demoniza o entendimento sexual entre nós.

Porque o único ser que se utiliza de todos os seus cinco sentidos ao praticar o sexo, somos nós. Esta sensação única nos ensoberbece, e é quando confundimos tal dádiva com liberdade desenfreada de nossas ações. Os cinco sentidos trabalhando no ato sexual, faz do homem o maior beneficiário do amor. Mas também o mais confuso e irresponsável herdeiro de tão estonteante prazer.

 

 

 

 

 

METÁSTASE MORAL

METÁSTASE

O comportamento humano é viral. “Coisas” vão passando de geração em geração. Muitas vezes são boas, são benéficas à humanidade. Entretanto, as notícias são humilhantes para nós mesmos.

O homem, hoje, vive uma fase derradeira de amoralidade, falta de castidade espiritual, ausência total de qualquer sentimento que chegue, ao menos, próximo de amor.

Estamos voando na base aérea dos anjos negros, negros não de pele, negros não como a pelagem de um gato. São como trevas, não fictícias, e sim tão amargos e ásperos que, possivelmente, as próximas geraçãoes não terão conhecimento do que fora a humanidade.

Estamos criando em estufas etéreas e biológicas, pequenos monstros de egoísmo e fanatismo pelo Mal. Tais criaturas crescerão como fermento em massa humana, estarão a esfolar os semelhantes e, canibais, degustarão do fel do eterno fracasso que estamos produzindo, passo a passo.

DA ETIMOLOGIA DA INVEJA – O PRECONCEITO

blog

O preconceito é apenas a negação do que não se tem conhecimento. Etimologicamente, a palavra “inveja” tem sua origem do latim INVIDIA, inicialmente “olhar torto, lançar mau-olhado sobre”, e IN, “em”, mais VEDERE, “olhar”. Ou seja, olhar de má vontade certas coisas, pode significar que, lá no fundo, somos invejosos.

Fiz uma lista de 10 exemplos de inveja que acarreta o preconceito.

1 – Gays. Verdade – São pessoas alegres, que carregam humor refinado. Preconceito – São vistos como enfermos e prejudiciais à sociedade.

2 – Espinho das plantas – principalmente as rosas. Verdade – Eles são apenas protetores naturais. Preconceito – Chamar coisas ruins de ‘espinhos’.

3 – Cachorros. Verdade – São animais domesticados há séculos, são fiéis até a morte. Preconceito – Achar que xingar alguém de cachorro o está diminuindo.

4 – Abacaxi. Verdade – Deliciosa fruta e muito perfumada. A palavra vem de iwa’kati (fruta com cheiro forte). Preconceito – “Descascar um abacaxi”, referindo-se a resolver grave problema.

5 – Pacto. Verdade – Do latim pactum, de pacisci, “fazer um trato, um acordo”. Preconceito – “Fez pacto com o diabo!” Como se não existisse fazer pacto com Deus, com homens, com irmãos, com sócios.

6 – Macabro. Verdade – Vem do francês danse macabrée (dança com a morte), mas, na verdade, originou-se do sofrimento dos Macabeus. Preconceito – “Filme macabro”, onde o protagonista não sofre, mas faz sofrer.

7 – Rancor. Verdade – Do latim auspicum (observador de aves). Preconceito – “Que gente rancorosa!” – Que é a predileção pelo significado (também de origem latina) amargura, má vontade.

8 – Racismo. Verdade – Originou-se este termo em 1936, em referência ao Nazismo. Preconceito – Generalizar o termo, sem saber que, indiretamente, está sendo “nazista”.

9 – Dadaísmo. Verdade – Do grego geórgio “agricultor”, “terra”. Preconceito – “Este poema é lixo, puro dadaísmo!”, significando um estilo literário contra a burguesia, e dizem que, como não faz sentido, Dadaísmo vem de falas desconexas dos bebês (gugu-‘dada’).

10 – Tabu. Verdade – Do latim tener, significa “macio”, “suave”. Preconceito – Usamos o termo baseado no idioma Fiji que significa “coisa proibida”, “não permitida”.

Fonte – http://origemdapalavra.com.br/site/

A mulher como objeto sexual na Literatura

Equívocos de um misógino

Alguns escritores (?) não sabem mesmo a diferença entre um texto com linguagem coloquial/vulgar, e um bom texto com linguagem coloquial/vulgar. Trata-se do trabalho concorrente no Duelo de Escritores, do jornalista Fábio Ricardo, intitulado Sobre paus e pedras. O tema para o desenvolvimento do texto, seja conto, poesia, ou crônica, foi “Paquera”. ou “Flerte”. Ninguém saberia dizer qual parte do tema o autor não entendeu, dispondo um amontoado de palavras toscas e desconexas, totalmente inclinado ao machismo, o que, por si só, retiraria todo o  charme do texto.

Todavia, a coisa vai mais longe. Parece mesmo que o autor estava embriagado ou com uma tremenda dor cornícula ao escrever tal texto. O personagem é pedante, doentiamente fanático por sexo, e patologicamente mentiroso. Criar um personagem mentiroso é difícil, pois, não raro, ele se confunde com o autor, e, neste caso, tudo indica que sim, que a  personalidade do escritor migrou para tão sofrível trabalho literário, se é que podemos classificar um caminhão de palavrões como Literatura.

Falar de paquera e de mulher, ou vice-versa, não carece de uma linguagem tão chula, obscena e pornográfica, e até ofensiva para um leitor bem intencionado; para uma leitora então, fiasco total.

Devido às mudanças na sociedade humana, fica descabido uma redação  tão machista, vinculando a paquera à vagina, como se, em pleno terceiro milênio, a mulher ainda fosse objeto de falsos intelectuais. Eu até tentei entender o personagem, mas não o reconheci em nenhum arquétipo, e em nenhum lugar, a não ser na mente do escritor.

Para a maioria das mulheres e leitoras, um texto destes é risível (no mau sentido mesmo), já no primeiro parágrafo:

Eu não sou um cara bonito. Longe disso. Ok, bem longe disso. Mas mesmo assim eu tenho um jeito com as mulheres. Um jeito, é. Como posso explicar? Eu como mulher pra caralho.

Não sei se trata-se de regionalidade, pois que em muitas partes do mundo e do Brasil esse discurso não existe mais, graças a Zeus. A vulgaridade é tanta que chego a questionar se não foi proposital. Quem sabe o autor e proprietário do blog, Fábio Ricardo, não esteja com alguma frustração na alma, e se aproveitou, cegamente, de uma oportunidade para descer ao mais baixo nível literário, em nome de alguma raiva pessoal.

De qualquer forma, o texto é tão horrível, repleto de erros e de palavras grosseiras em relação às mulheres, que não resisti em apresentar-lhes um dos trabalhos mais infelizes que já li, não no Duelo de Escritores, mas em toda minha experiência de blogosfera. Lamentável assistir tamanho vitupério sociológico contra as mulheres. E, não podendo fazer nada, lavo minhas mãos e consciência, divulgando tanta sujeira literária aqui. Mais uma coisa, leitora e leitor: se vocês têm estômago fraco, ou são sensíveis demais, não leiam, pois aquilo é a bactéria das fezes de Bukowski.

Trechos do texto:

Quando eu era garoto eu não pegava ninguém. Nem sequer conseguia beijar alguém, imagina só comer.

Eles não são homens o suficiente para suas bocetinhas juvenis. Vagabundas.

Depois que comecei a agir assim, as vagabundas incrivelmente ficaram afim.

Sabe a menina de cabelo encaracolado, unhas mal cuidadas e a boceta peluda?

E não to falando daquelas vagabas que dormem com qualquer um.

… suas bocetas batem palminhas para o Almodóvar.

Uma mulher não aceita que o cara esteja mais preocupado em terminar de ler uma notícia de jornal do que em foder com ela.

Nada mais me resta, depois de tão insólita aventura, a não ser classificar o blog Duelo de Escritores como o pior espaço virtual  literário brasileiro da atualidade.

O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas…

Crarles Bukowski

Inté!

Dicas de literatura ruim, por Camila Kehl

Do Blog Livros Abertos

Acho complicadíssimo falar em literatura boa e literatura ruim, até porque as coisas não funcionam necessariamente como uma dualidade. Mas, se compararmos os romances de capa mole vendidos em bancas de revista e cujo título é um nome de mulher a uma obra como Ulisses, de Joyce, fatores como qualidade da narrativa, alusões à história, mitologia e saberes diversos, profundidade de reflexões e o próprio cuidado com a edição e revisão, que complementam o livro no sentido do que se convencionou chamar de obra de arte, me forçam a dizer que o segundo é, de alguma forma, superior ao primeiro. Joyce, portanto, é o vitorioso nesta briga desleal. Analisando a questão por outro prisma, Ulisses tem um diferencial importante em relação aos folhetins baratos: é mais difícil de ler, e exatamente porque exige maior capacidade de apreensão, mais conhecimento e maior intimidade com a literatura. É um entretenimento e tanto para os que vivem rondando as bibliotecas e livrarias, mas talvez não seja a obra de cabeceira daqueles que estão dando os primeiros passos em direção a elas. É, portanto, muito mais fácil para um habituado às obras literárias ler e gostar de folhetins ordinários do que o contrário – um iniciante ler e gostar de Joyce. Então, usando o adjetivo pejorativo e irônico, embora levemente equivocado, podemos dizer que a literatura ruim é uma unanimidade. Não a mística, esotérica ou pedante, o que exclui automaticamente uma porção de autores ligados a essas temáticas, e nem de autoajuda (que nem arte é), mas simplesmente ruim.

Cansaço, despreocupação, vontade de se entregar a um prazer cheio de culpa: nesses casos, a literatura ruim é uma salvaguarda. E o mundo está cheio dela. Romances policiais, romances açucarados, romances de terror… Quantos se conhece? Mas há uma autora tão ruim que chega a ser sensacional, e tão cafona que chega a ser kitsch, que é uma ilustre desconhecida. Conhecem V.C. Andrews? Pois deveriam conhecer.

Observem a capa deste livro:

Tem como ser bom? Não, não tem. E não é bom. O editor, o diagramador, o responsável pela arte, todos eles estão alertando, apelando, apontando para a má qualidade da obra. Quando retira aquele livro da prateleira, qualquer um sabe o que vai levar para casa. Todos os elementos que compõem a imagem aludem à desgraça do enredo, que, por sinal, é fantástico: “Ela era a resposta para todos os sonhos de seus novos pais… mas tão frágil quanto uma borboleta. As aventuras e desventuras da órfã Janet Taylor, de 12 anos, estão em Borboleta, primeiro volume da Série Órfãs, de V.C. Andrews. Para a pequena menina, seu mundo sempre fora o orfanato, com suas brincadeiras cruéis e o desejo silencioso do dia em que teria a própria família. Acolhida como filha pelo casal Sanford e Celine Delorice, que a afasta de seu trágico passado, Janet custa a acreditar que finalmente ganhará um lar e uma família. Seu novo pai é bonito e gentil. Celine, a mãe, embora confinada a uma cadeira de rodas, é a mulher mais linda e elegante que Janet já conheceu. Ansiosa em proporcionar alegria aos pais, Janet procura agradá-los com todo o empenho. Mas dança sobre uma frágil teia de felicidade, jamais sabendo o que poderá acontecer se um filamento romper…”.

GENIAL! PÉSSIMO! P*TA QUE PARIU, QUE LIVRO RUIM! Tão ruim, mas tão ruim, que dá uma vontade de abrir e começar a ler na frente da lareira, em um domingo de inverno, ou na beira da praia lotada no auge do verão. É como junk food: a gente sabe que é uma porcaria, mas gosta. A diferença é que as histórias da autora não exigem esforço nenhum, de órgão nenhum, para que sejam digeridas. Viram? Fiz uma comparação horrível, de um mau gosto impressionante, típica da má literatura.

Eu li muitos livros da V.C. Andrews. Quase todos, suponho. Quando eu era criança, minha mãe já tinha a coleção de obras traduzidas para o português praticamente completa (foi mal, mãe). E aí comecei a lê-los, ainda bem pequena. Um pior do que o outro, mas todos igualmente divertidos. Depois que se começa a leitura de um, é difícil largar.

As temáticas são escabrosas, mas abordadas como se fossem rotineiras: incesto, estupro, brigas de família, decadência. As histórias são um turbilhão de cafonices, todas elas cheias de reviravoltas estapafúrdias e acontecimentos bizarros. As ilustrações (principalmente das edições mais antigas, compradas a preço de banana em sebos) são tão feias que chegam a ser uma gracinha.

Recomendo fortemente toda A Saga dos Foxworth, além de Minha doce Audrina e Raven. Sintam só a sinopse: “Vivendo com a mãe bêbada em um apartamento, uma jovem de 12 anos não se cansa de sonhar com um verdadeiro lar. (…)”.

Corram para os sebos, preparem um drinque com rum com coco e guarda-sol na borda, vistam uma peça de roupa de veludo molhado, abracem o pinguim da geladeira, coloquem Sidney Magal para tocar e deliciem-se. Diversão garantida ou sua dignidade de volta.

Sem Crítica Literária Novas Modalidades de Escrever Via Net – Fim Dos Tempos

                    Os novos “escritores” da linguagem eletrônica – Literatura?

O Globo Blogs – Impasses da literatura contemporânea, por Alcir Pécora (Ver mais…)


“Ocorre, hoje, uma impressionante expansão das narrativas no cerne da própria existência. Antes mesmo de existir como evento, a ação já se apresenta como narrativa, como ocorre nos reality show, em que as pessoas, antes de agir, representam ou narram a ação que lhes cabe. Ocorre também na multidão que fala pelos blogs e pelas redes sociais, ou se monitoram pelos celulares, de modo que a ação ou a conversa é sempre exibição/narração da conversa. É como se o mundo inteiro fosse virtualidade narrativa antes de ser existência particular, e principalmente como se todo mundo fosse interessante o bastante para ser visto/lido. Esse é um dos pontos não negligenciáveis que parecem retirar a prioridade ou a exclusividade da narração do narrador literário. É um problema basicamente de inflação simbólica.

Escrever literatura, para mim, entretanto, é um gesto simbólico que traz uma exigência: a de ser de qualidade. Literatura mediana é pior que literatura ruim, pois, mais do que esta, denuncia a falta de talento e a frivolidade. A literatura decididamente ruim pode ser engraçada, ter a graça do kitsch, do trash, da paródia mesmo involuntária e grosseira: pode ter a graça perversa do rebaixamento. Já a literatura mediana não serve para nada. É a negação mesma da literatura, cuja primeira exigência é a de se justificar (justificar a própria presença) face aos outros objetos de cultura. E o que eles exigem é que você os supere, que se apresente como novo ou não dê as caras por lá.” (Alcir Pécora)

O bizarro movimento de (não) escritores que usam as ferramentas da web para se comunicar, tem fomentado grandes discussões no meio intelectual. Tal fenômeno, para lá de estranho, nem de longe eu chamaria de Kitsch. (Day)

O reboliço insano nas Letras, que está aquém do Kitsch, tem tomado proporções epidêmicas, mas nada que possa enfermar a Literatura. Porque quando não se faz realmente Arte, a ‘coisa’, por si só, desaparece com o tempo.

Tenho pesquisado na web blogs que alimentem tal movimento anti-literário, entretanto, até agora, só tenho como referência o blog Duelo de Escritores. Se o leitor for lá, perceberá bem o que  Alcir Pécora, professor de teoria literária na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está querendo nos passar.

Com o desaparecimento da crítica literária (que hoje restringe-se praticamente ao jornalismo), novas linguagens despontam. Certamente nada deverá convencer a estas pessoas de que o que fazem não é literatura, mas letrelagem, ou seja, um amontoado de palavras, feridas pelas más gramática e ortografia, abandonadas a um vazio de estética filosófica.

E não somente isto, mas a ausência perceptível e ao extremo da falta de leitura.

Um bom começo…

Como alguém pode pretender-se escritor sem, antes, ler Shakespeare, Platão, Machado de Assis, Freud, Jung, Franz Kafka, Fiodor Dostoievski, Nikolai Gogol, Jane Austen, Sófocles, Aristóteles, Mahabharata, Agostinho de Hipona, Dante Aliguieri, Cervantes, Erasmo de Roterdã, Ghoethe,  Hermann Hesse, Antoine de Saint-Exupéry, Marcel Proust, Alexandre Dumas (pai), Charles Baudelaire, León Tolstoi, Oscar Wilde, George Orwell, Rabindranath Tagore, Camões, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, José de Alencar, Graciliano Ramos, Érico veríssimo, Clarice Lispector.

Exemplo de Arte. O retrato acima é de Dante Aliguieri, obra do artista norte-americano John Sokol, que desenha o rosto com frases grafadas dos prórios escritores. Somente uma alma refinada pode entender o mergulho de Sokol; a ânsia com a qual ele quer definir o escritor, fundindo sua obra com sua psiquê (imagem).

No blog Duelo de Escritores, o constrangimento é total. O crítico literário Jefferson Maleski chama seu conluiado de escritores amadores :

“tenho certeza dq vc vai apreciar a interação entre os escritores amadores e leitores do blogue.”

Em outro trecho o próprio moderador dúbio define o espaço:

“deixo como sugestão q vc leia o regulamento (clique aqui) da nossa brincadeira literária p q na próxima vez apareça com uma bazuca.” (?!)

Pessoas deste quilate fazem parte de uma falange obscura que confunde escrever com escrever literatura. De alguma forma, em seu íntimo não reverbera o canto da Arte. Afinal, a Arte é uma das formas que o homem encontrou para filosofar com seus sentimentos. Uma obra é Arte se, e só se, exprime sentimentos e emoções do artista.

O que seria Literatura Amadora?

Segundo entendi, o escritor quis dizer com tal termo (que não se acha nem no Google) que escrever com erros gravíssimos de gramática, ortografia, sintaxe, textos vazios e sem mensagens,  pode passar despercebido. Não sendo eu radical, até ignoro alguns erros (quem não erra?) desde que a criação seja de qualidade, que o escritor tenha propriedade sobre o assunto abordado, ainda que ficcional, e, claro, que o escritor não seja aculturado, néscio, obtuso e filosoficamente analfabeto. E nenhum dos participantes do blog (com excessão de Maleski que é filósofo e leitor ferrenho) pode escapar deste crivo, infelizmente, e, ao se envergonharem em público, envergonham também a nós outros, brasileiros, que tanto amamos a Literatura. Ou não. Cada macaco no seu galho.

Segue abaixo trechos de imperdoáveis erros para um escritor, mesmo iniciante:

– “Lágrima que soluça a magoa que meu coração trás.” (Maria Dias)

– “1. o certo é meio-dia e não meio dia
2. no seu texto vc usou 2x “de encontro a” (multidão/marcos) qdo o certo seria “ao encontro de”, por causa do sentido da frase.” (Natália Oliveira).

Esta é uma leve correção do próprio crítico para não denotar a conivência com tal fraude literária.

Que contraste perturbador existe entre a inteligência radiante de uma criança e a frágil mentalidade de um adulto mediano. (Sgmund Freud)

Frases célebres de alguns candidatos a escritores do blog Duelo de Escritores:

Me atrapalhei com a data, escrever e diagramar com duas crianças de 3 e 4 anos no meu pé não é fácil.

(Natália Oliveira que em seu texto tacanho começa, xenofobicamente, criticando o clima de Copacabana e assaltos nas areias. Esta é forte candidata à lista de blogs de literatura amadora. Confiram o seu espaço intitulado Pensebook).

…fiquei assustada quando subi um pouco o cursor do computador para terminar de ler, mais foi um susto muito bom…

(Maria Dias, a novata que ainda estamos curiosos em saber se é brasileira, criança ou fugiu da escola, pois nem as regras do joguinho ela entendeu, transformando o blog numa babilônia dos horrores.)

Cada dia que passa fica mais difícil decidir entre os textos. Publicar um livro Duelo de Escritores até que não é uma má ideia.

(Mais Natália Oliveira, prolixa e sem noção)

já que mencionei em fazer um livro, vou aproveitar este espaço para divulgar um projeto do qual estou participando/Se trata de um livro com mil autores…

(Natália Oliveira espalhando o vírus)

Vou ter que discordar do nosso amigo JLM. Erros ortográficos quando se trata de fala do personagem está perdoado pois ninguém fala o português corretamente o tempo todo, a não ser que seja um personagem milionário como o príncipe da Inglaterra.

(Ela, Natália, de novo, totalmente gripada, justificando seus erros fenomenais de escrita)

Apenas um comentário que venho recebendo pelos meus editores…

(Natália Oliveira (editoreS?) bateu o record da rodada. Se escrevesse bem como escreve besteiras…)

É verdade Natalia, seriamos mudas sem agilidades e força nos dedos que é a nossa farinha de cordão

(Maria Dias, aquela)

O que seriamos de nós escritores sem elas? (as palavras)

(Ainda Natália Oliveira –  “Elas” quem Natália? As palavras? Ditas ou escritas? “Elas” quem? Novos signos? Novas linguagens? Novo surto? Pense nisso, pense book, leia books)

              Como diz a logo de seu blog: pense book, escrever é o de menos.

Teríamos muitos mais exemplos, porém o artigo precisa acabar. Contudo, na continuidade estarei falando sobre este assunto tão importante: Literatura e Crítica Literária.  Trarei textos de escritores e críticos renomados. Quiçá até matéria em jornais.

Por falar em críticos, aos leitores que estão sentindo falta de minhas opiniões (que não são críticas) dos últimos textos concorrentes no Duelo de Escritores, explico: por não considerar aquilo Literatura, dei-me ao luxo de ignorar os textos Duelo de Palavras, de Maria Dias; e O fim é apenas o recomeço, de Natália Oliveira. My time is precious to the true art and literature. Contentem-se com o que já comentei acima, queridos leitores.

Mesmo nos tempos de mais grave doença, nunca me tornei doentio. (Nietzsche)

Esta é uma epidemia, um vírus que tem tentado destruir a Literatura, contudo, como disse-o bem Alcir Pécora (que alívio!), nada que necessite grandes alarmes. É praticamente inofensivo, não deve se alastrar tanto. Por uma simples razão: por mais que estes estranhos seres invadam a arte de forma tão inescrupulosa, nós, leitores, estaremos de prontidão. Ninguém pode nos enganar. E todo bom leitor saberá separar o joio do trigo. Graças a Zeus! (E a Dionísio).

A crítica literária é hoje praticada por duas espécies de indivíduos: a dos críticos e a dos recenseadores. A partir daqui, considero crítico literário todo aquele indivíduo que também sabe ou soube ser teórico, conhece ou reconhece o que é ser teórico. Assim, o crítico é aquele que mais próximo está de um filósofo. (António Sérgio)

Inté!

Fugindo das proibições, caiu em desatino pela Princesinha do Mar

              Quimera e loucuras, mas nem tudo é possível em Copacabana

Como não estou de TPM literária, o escritor Vogan Carruna passará pela malha fina sem muitos arranhões com seu conto Só mais um dia por aqui que está concorrendo na rodada do Duelo de Escritores, um blog de exercícios literários repleto de controvérsias, porém inegavelmente excitante no que tange à discussão e aprendizagem na arte de escrever.

Para quem não está acompanhando a via crucis, trata-se de um jogo onde, a cada quinzena, o ganhador da última rodada escolhe um tema para ser desenvolvido, fazendo com que muitas vezes os concorrentes, por falta de inspiração, tropecem em suas criações, já que são impulsionados por qualquer coisa, menos pela inspiração criativa. Vá lá, até aí morreu Neves.

Nesta rodada, o desafio da galera é escrever um conto ambientado em Copacabana, sendo, contudo, proibido usar 100 palavras que o autor do exercício, José Castello, chama de clichê , no que foi cegamente seguido pelo escritor e moderador do blog, Jefferson Maleski, um controvertido crítico de artes que, vez por outra, credita valores inexistentes a trabalhos literários, talvez para manter seus fiéis escudeiros, os participantes lá do blog.

Mas hoje é o dia de Vogan Carruna!, um bom escritor que representa, nesta rodada, minhas análises sobre o absurdo de se criar sob pressão, principalmente de proibições.

Quimera dos inocentes

Ao ler o conto de Carruna, a primeira palavra que me veio à cabeça foi quimera. Passei horas pensando no porquê desse substantivo feminino martelando em minha mente. Claro que, de cara, vi que a estória era totalmente inverossímel, com muitas deficiências,  abusando de uma linguagem coloquial que me lembrou alguns filmes nacionais e telenovelas, onde o roteirista e o escritor não conhecem a realidade do que escrevem quando o assunto é malandragem carioca.

O autor poderia argumentar que não se trata de malandros, mas de policiais malandros. A diferença seria pouca. Na verdade o policial malandro nem sempre usa gírias, porém geralmente faz uso de palavras obscenas, grosseiras e ofensivas, ou seja, os famosos palavrões. Pode até ser considerado estilo do autor não usar tais termos em suas criações, o que é uma pena, pois assim ele acaba com a verossimilhança dos personagens, conotando sua própria personalidade (a do autor).

O escritor que não faz uso correto da linguagem coloquial em seus personagens, geralmente é preconceituoso,  medroso, ou os dois, e isso prejudica sensivelmente suas obras. Melhor seria escolher outros personagens e ambientações, que deixar os personagens à deriva, entregues nas mãos do leitor e do crítico. Uma covardia. “Então presta atenção e tira o dedo dessa p**** de gatilho.” Quem pode levar isso a sério?

O  conto “Só mais um dia por aqui”

Trata-se da estória, até engraçada, de um policial veterano, e um policial novato que vive uma angustiante expectativa ante a disputa pela orla de Copacabana por dois bandidos. A ideia do tira iniciante apavorado pelo iminente confronto é boa, contudo, foi pouco explorada, levando o leitor a uma surpresa no desfecho, não posso negá-lo, entretanto, mais uma vez o escritor  virou criança, conduzindo-nos  a um espantoso o quê?!

Posso entender perfeitamente as limitações em criar quando  são impostas infindáveis regras para escrever. Compreendo que censura na arte é um vômito pela manhã, um absurdo despropositado. Todavia, como diziam os antigos, tá chuva é para se molhar. Ou se afogar, parceiro.

Deselegância, ô loco!

Não foi elegante citar um famoso Morro que está pacificado, o Morro dos Tabajaras, fazendo alusão à violência. Esta e muitas outras comunidades estão pacificadas, o que é uma vitória, não somente para o Rio de Janeiro, mas para o mundo inteiro que vem nos visitar.

E, se a ideia tão singela da disputa pelo “ponto” foi para nos remeter a um Rio de Janeiro lúdico ou  Antigo, não poderia ter citado o contemporâneo crocks, muito menos o sofrível linguajar “cracudos”. Não se trata do “politicamente incorreto”, a arte é livre, mas trata-se da falta de pesquisa ao escrever, uma vez que fazer uso da gíria pejorativa “cracudos”  associada à  orla de Copa, é simplesmente impossível. Os viciados se reúnem em guetos e em linhas de trem, geralmente às portas das comunidades. E, por fim,  falar de crack em um momento em que este – graças a Zeus! – está sendo contido, é realmente um p*** despreparo de pesquisa.

Sentenças ao infrator

Para terminar a reflexão sobre pesquisa na criação literária, aponto mais uma falha do escritor ao dar vida a um personagem que seria dono do Leme à Lapa. Quimera. Do Leme à Lapa, mesmo sendo da mesma facção, não pode existir apenas um dono. Bicheiro? Nem.

Algumas sentenças equivocadas do autor:

“É só uma disputa pela orla.”

“Tu não tá na favela e nem num filme do Tarantino.”

“Um dia vamos subir a Ladeira dos Tabajaras para você ver o que é diversão.”

“Do Leme até a Lapa é ele que manda.”

“… o bicheiro que mandava aqui no bairro. Ele controlava além do bicho, a prostituição e o tráfico.”

“Se o Belzebu ganhar, isso aqui vai lotar de cracudos!”

Finalmente, para não dizer que não falei das flores, destaco positivamente:  alguns poucos, mas cômicos momentos do texto; a coragem do autor em dar alma carioca aos personagens (até agora foi o único);  e apresentar um desfecho menos violento do que o esperado, a julgar pela estrutura do conto.

A nota, de 1 a 5, para “Só mais um dia por aqui” de Vogan Carruna, é 2,7.

Em tempo: A Princesinha do Mar não tem dono, ela é de todos!

A grande coragem, para mim é a prudência. (Eurípedes)

Inté!

Ambientação no conto, um desafio e tanto!

                                             “Criar é matar a morte” –  Rolland

A ambientação na literatura do conto

A ambientação é a alma do conto. Cronologia é importante em romances e novelas, entretanto, não é de grande importância em contos. Quando o leitor “entra” na estória, algo já está acontecendo, portanto, é mister que ele seja imediatamente envolvido na atmosfera da narrativa. Ele deve entrar no clima das percepções, imagens e emoções.

Esta ambientação, porém, não deve ser cansativa, com excessos de descrições e adjetivos. Todavia, a carência na descrição pode fazer fracassar o que poderia ser uma bela obra literária.

Durante a ambientação algo ocorreu, está ocorrendo, ou ocorrerá, portanto, é necessário que o escritor tenha cuidado com este detalhe. O clima tem que envolver o leitor. Cabe ao narrador, seja ele em primeira ou terceira pessoa; seja um simples observador, ou um intruso, cabe ao narrador descrever tal ambientação, para só então desenvolver a estória, levando o leitor consigo.

Justamente por ser a ambientação tão importante na copilação de contos, volto a analisar o desafio literário imposto a escritores no blog já mencionado aqui, onde o concorrente deverá escrever um conto ambientado no bairro de Copacabana, sem contudo usar 100 palavras relacionadas à cultura e tradição do bairro. De fato um desafio e tanto!

Como esta rodada de comentários será mais trabalhosa, resolvi analisar conto por conto, até porque é um baita exercício de aprendizagem para todos nós, escritores.

Prós e contras do primeiro concorrente – “Escrever é perigoso”

O primeiro conto chama-se Escrever é perigoso, do escritor Jefferson Maleski. Vou abrir aqui  colchetes para explicar aos leitores por que venho fazendo análises sobre tais escritores e seus desafios. Na verdade, depois que de lá saí, fui acometida de um desejo nobre de estudar mais literatura e língua portuguesa, ao invés de ficar andando a passos curtos e lentos, escrevendo em um blog que não dá retorno, apenas nos faz exercitar na escrita ortográfica e gramatical, sem nenhum suporte de aprendizagem, de fato, literária.

Voltando ao conto “Escrever é perigoso”

Encarando um desafio insano de ser proibido de usar palavras alusivas à tradição, palavras estas que conotam a cultura de Copacabana, o autor Jefferson Maleski, como qualquer outro canditado vivenciará, se viu em maus lençóis, e isto dá para notar pelo excessivo cuidado de não infringir as regras do “exercício das proibições”.

O conto tem potencial e sairia vitorioso, se o escritor focasse justamente o que lhe fora proibido, ou seja, a descrição da ambientação. Por mais que seja um exercício árduo e cansativo, haveria Maleski de se concentrar no ambiente da ação – ok, sem clichês -, já que é  possível dar vida à narrativa, uma vez que Copacabana, de fato,  não é só praia, bunda, asa delta, surf, picolé, onda, etc.

Partindo deste princípio, ao criar sua ambientação, o escritor deveria “mergulhar”,  mais corajosamente,  no cenário da estória, pois  já que se passa em um hotel famoso de Copacabana, uma pesquisazinha lhe daria várias ideias, podendo até trazer fatos reais acontecidos em tal hotel, dando, assim, mais realismo à estória, no que tange à Copacabana.

O Conto e a ambientação

Trata-se da estória (possivelmente uma metáfora ou  alegoria, não fica claro) de um escritor entediado que, talvez enlouquecido, busca emoções fortes para um provável ou imaginário livro – o livro de sua vida (?), marcando encontro insólito com um assassino, em um hotel famosso de Copacabana muito mal descrito, infelizmente.

Não se sabe se intencionalmente, mas o fato é que o autor usa nomenclatura de audiovisual (plot point), sugerindo, talvez, que a insanidade do personagem o levou a viver a situação em tempo real, com cenas carnais, associando a estória ao cinema, em sua mente obviamente conturbada.

A partir de um anúncio que o escritor publica em um jornal de elite (por que não na imprensa marrom?!), oferecendo-se como matador de aluguel, o delírio mistura-se com realidade, levando-o  a um desfecho inesperado, o que dá um tom valoroso à narrativa. Entretanto, o desafio não é simplesmente escrever um bom conto livre, mas escrever um conto que desafia a alma do próprio conto: a ambientação.

Conclusão

O concorrente pode vangloriar-se por ter feito um bom trabalho, com bons diálogos, boa narrativa, tensão psicológica em boa medida; começo, meio e fim bem delineados. Contudo, no principal quesito o conto ficou aquém das expectativas. Diria mesmo que o autor pegou sua estória e a trouxe para o  terraço de um hotel no Rio de Janeiro, só para participar da rodada no Duelo de Escritores.

Uma coisa é seguir regras de desafio ao criar; outra, bem diferente, é se esquecer que driblar a literatura é algo, praticamente, impossível.

Nota de 1 a 5 para o conto “Escrever é perigoso”: 2,5. Errata: a referida nota é 3,5.

O verdadeiro crítico exige apenas que o plano
intencionado seja exemplarmente cumprido,
através dos meios mais eficientes.
Edgar Allan Poe

Boa sorte aos demais concorrentes e boas escritas!

Fonte: Aqui e aqui.

Inté!

Obrigada, Literatura, por Copacabana!

                                 MACHADO DE ASSIS, CARIOCA E UNIVERSAL, SEM BARREIRAS

       MAIS QUE UM BAIRRO, COPACABANA É CENÁRIO PERFEITO PARA TODO TIPO DE ARTE (Day)

A melhor fase de minha vida, foi quando morei em Copa.

Recentemente vi um artigo sobre escrever sem clichês. Na verdade não era um artigo, mas uma espécie de desafio literário, onde os participantes deverão escrever um conto sobre Copacabana, proibidos (sim, o termo usado é este – proibidos) de usar uma lista infindável de palavras referentes à cultura do bairro – do Rio de Janeiro por assim dizer – alegando o autor de tal exercício, José Castello, que as características culturais do bairro de Copacabana são clichês; que até servem para propaganda e marketing, mas não para a Literatura.

É impressionante a capacidade que o homem tem de exercer o poder. Sim, pois ao ministrar um curso, onde inventou tal exercício, o escritor do sofrível romance  Ribamar, induziu muitas pessoas a acreditarem em tal absurdo, inclusive hoje, já que anos depois de tal cursinho, um ex-participante reeditou tal “exercício literário”, pra lá de tendencioso, mal intencionado, e leviano, não só para a cultura, a literatura, mas também desconcertando os próprios cariocas que tão bem vivem com a diversidade cultural do país. E, como somos dignos do título capital da cultura, listo 10 livros ambientados em Copacabana, de escritores que conhecem o valor da cultura e costumes de cada lugar. E desta forma, Jose Castello e seus seguidores, fica um placar de 10×1. Na verdade 11×1. Foi difícil fazer uma lista de 1o.

EVA – ROMANCE – JORGE DESGRANGES/sinopse

AMAR EM COPACABANA – ROMANCE – AGOSTINHO RAMOS ALVES/sinopse

COPACABANA: A PRAIA DOS PRAZERES – ROMANCE – RAPHAEL MICHAEL/sinopse

COPACABANA – ROMANCE – ANTÔNIO OLINTO/obra

COPACABANA CIDADE ETERNA – 100 ANOS DE UM MITO – WILSON COUTINHO – TEXTOS DE VÁRIOS AUTORES: : Vinicius de Moraes, Rubem Braga, Antonio Maria, Carlos Drummond de Andrade, Joao Saldanha e Outros./sinopse

UMA JANELA EM COPACABANA – ROMANCE – LUIZ ALFREDO GARCIA-ROZA/sinopse

AMAR EM COPACABANA O REENCONTRO, VOL.2 – AGOSTINHO RAMOS ALVES /sinopse

FANTASMA – ROMANCE – LUIZ ALFREDO GARCIA-ROZA/sinopse

O ANOITECER DE COPACABANA – ROMANCE – SIDNEI ECLACHE/sinopse

ÍNDOLE – ROMANCE POLICIAL – KITO MELLO/sinopse

AI DE TI COPACABANA 1962 – 60 CRÔNICAS – RUBEM BRAGA/ sinopse

 

Fatos: 1 – Luiz Alfredo Garcia Roza (Rio de Janeiro, 1936) é um escritor brasileiro. Estreou na literatura de ficção em 1996, aos 60 anos de idade. Antes disso, foi professor universitário e autor de livros sobre psicanálise. Sua estréia na literatura ficcional, com a obra O Silêncio da Chuva rendeu-lhe um dos principais prêmios literários do Brasil, o Jabuti na categoria romance. Suas histórias se passam, basicamente, na cidade do Rio de Janeiro, entre os bairros de Copacabana e Peixoto. Neste último reside o personagem recorrente de seus livros, o delegado Espinosa e, em Copacabana, está localizada sua delegacia.

2 – ÍNDOLE, de Kito Mello, não só foca o Rio de Janeiro, Copacabana, dentro de um contexto internacional, como, sutilmente, delineia um Rio de Janeiro que é mais que uma Copacabana-bairro. O autor consegue transmitir a “magia” da cidade, e de como ela, com seus costumes, sua cultura, envolve a Literatura de forma tão perfeita.

3- ‘Ai de ti, Copacabana’, de Rubens Braga, é um livro que reúne crônicas, escritas de abril de 1955 a março de 1960, selecionadas e organizadas pelo próprio autor. As crônicas, impregnadas com o amor do autor à vida simples, dos humildes e sofredores, abordam assuntos do dia-a-dia, da infância, da mocidade e dos primeiros amores.

Todos os romances acima listados são obras literárias de grande valor. São histórias de ficção e realidade. O lado real dos romances fica por conta do indispensável cenário carioca de Copacabana.

Espero ter esclarecido, de uma vez por todas, quão enganado um aluno “não-carioca” pode ser por intelectuais fantasiosos e dúbios.

Boas leituras! Boas escritas a todos os duelistas! E não se esqueçam:

O preconceito é filho da ignorância.  (William Hazlitt)