FINITUDE

O mais importante na vida é termos consciência de que nada merece nossa atenção em escala de cem porcento. Por mais que haja motivos e objetos necessitando de atenção, carinho e zelo, digo que não possuimos tempo para tantas tarefas; e desta forma tudo se torna sem importância. Hedonistas ou místicos; materialistas ou religiosos, todos estamos sem tempo. Por mais que queiram desdobrar-se em mil tarefas no intuito de vencer as barreiras dos anos, claro está que alguns destes afazeres deixarão a desejar, portanto não insistamos.

Agir como Nietzsche e desligar os relógios e a rotação da terra, é demais para mortais, este foi encargo pessoal do filósofo que assim vislumbrou o mundo, e com sucesso, tendo em vista que dedicou-se apenas a pensar.

Lembremo-nos do tempo que é finito e implacável. Volto a insistir – larguemos as incumbências secundárias e terciárias para apenas haver dedicação àquilo que mais nos dá prazer, e seja o que for, façamos apenas o que amamos, porque dentro em pouco a Morte se ocupará de nós, e este é seu único e irrevogável prazer.

SOMOS

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Poucos sabem do que se fala quando o que se quer falar é assunto proibido; castrados são os porcos e não os homens. De nada me adiantam crenças carameladas com deuses que não saciam minha fome de viver feliz. Claro está que não existe prazer na vida, a não ser o de pensar, anestesiando os sentidos vitais e aceitando a sorte de se estar fazendo parte de um todo tardio e recluso na falta de razão o bastante para que ao menos possamos assistir ao sol se pondo sem pensar no dia seguinte. As guerras são internas, nenhuma manifestação pode nascer do nada. Maléficas sois vós – crenças miseráveis! – que ao invés de curar feridas, emprestam apenas um momentâneo sopro sobre a dor, impondo a falsa certeza do salvo-conduto entre céus. E enquanto isso ouço gritos dos miseráveis que a sociedade excluiu entre paredes imundas de sanatórios ilógicos. Ouço também as gargalhadas da besta e, finalmente, sigo o som do meu silêncio, eu, solitária presa do absurdo.

(By Day)

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“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.”

(Friedrich Nietzsche)

METÁSTASE MORAL

METÁSTASE

O comportamento humano é viral. “Coisas” vão passando de geração em geração. Muitas vezes são boas, são benéficas à humanidade. Entretanto, as notícias são humilhantes para nós mesmos.

O homem, hoje, vive uma fase derradeira de amoralidade, falta de castidade espiritual, ausência total de qualquer sentimento que chegue, ao menos, próximo de amor.

Estamos voando na base aérea dos anjos negros, negros não de pele, negros não como a pelagem de um gato. São como trevas, não fictícias, e sim tão amargos e ásperos que, possivelmente, as próximas geraçãoes não terão conhecimento do que fora a humanidade.

Estamos criando em estufas etéreas e biológicas, pequenos monstros de egoísmo e fanatismo pelo Mal. Tais criaturas crescerão como fermento em massa humana, estarão a esfolar os semelhantes e, canibais, degustarão do fel do eterno fracasso que estamos produzindo, passo a passo.

Tratado sobre o fim, ou o brilho eterno de uma mente sem lembrança

“Feliz é o destino da inocente vestal. Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Toda prece é ouvida, toda graça se alcança.”

Quantos anos terei ainda na vida? Viverei até os cem? Ou terei dez anos a mais, ou menos que isso? Kurt Cobain aos 24 anos de idade, no auge de sua banda Nirvana, não pensava que dali a apenas três anos ele morreria, ainda que supostamente por suas próprias mãos. Charles Bukowski, com sua vida de excessos e mulheres loucas, imaginava não passar dos 50, no entanto viveu até os 73, sempre dizendo que tinha sorte de chegar lá (na verdade ele dizia que Linda Bukowski, sua última mulher, havia lhe dado dez anos extras cuidando de sua saúde). Pois é, não se pode saber uma coisa dessas.

Posso viver quantos anos mais o destino me der, sejam cinco, dez, vinte ou cem anos a mais, mas na realidade não é isso o que importa nesse momento em que acabo de matar a melhor parte de mim, e observo seu sangue escorrer pelo chão.

Sim, eu me encontro no pior momento da vida de um homem: o momento em que ele deve matar seu amor diariamente para não morrer por inteiro. Há muitos que sucumbem, matando literalmente esse amor, ou seja, a mulher depositária dele, mas depois não sobra muito a fazer senão meter uma bala na cabeça, e boa parte não tem nem essa coragem depois de cometer um crime tão grotesco. Não.

Eu falo da morte do meu amor, da doçura, da leveza e da beleza interior, que a despeito de sua profundidade e amplitude interna, acaba por sucumbir sob o peso dos ataques traiçoeiros e mesquinhos do mundo e dos que dele fazem parte.

Eu vivo uma luta homérica mortal diária. Minha luz e minhas sombras se engalfinham todo dia buscando o controle dessa vida. Amar ou secar ao Sol, fritando em sombras e desamparo? Cada momento uma coisa, e frequentemente acabo por passar por ambos de uma só vez. Cada vez mais eu aprendo que a Vida na verdade é uma queda de braço entre o criador e o ceifador dentro de mim mesmo, cada hora vencendo um deles, mas há raros momentos em que ambos repousam aqui dentro, e essa trégua se dá no meu amar.

Quando isso não acontece, eu assisto à luta voraz que me corrói por dentro, embora você veja algo diferente disso quando me olha do lado de fora, caso me observe por algum tempo. Sim, estou ficando bom nas retóricas perguntas feitas a mim no dia-a-dia. Os nunca pouco casuais “Tudo bem?” que sempre ouço.

Para que eu possa viver pela metade, e não deixar de viver COMPLETAMENTE, mato todo dia metade de mim, o criador, o que ama, o que sente completamente tudo ao redor sem reservas, o que chora, o que dói mais.

Nesse exato momento, observo com esse cadáver, mas é só a melhor parte de mim que morre, como eu já disse antes. Tudo bem, faz parte do meu show, além disso, quando eu me levantar amanhã, essa parte acordará mais uma vez, pois ela se recusa a morrer, então, terei de matá-la outra vez. Cada dia, um novo dia.

É um serviço sujo…

Mas alguém tem que fazer.

Mais do autor em http://odiadpois.blogspot.com

Copacabana Princesinha do Mar Desafiada

                                                           De costas para as proibições!

Ótimo! Aliens no Duelo de Escritores. Quero ver, mui sinceramente, essa corja falsária anti-carioca escrever um texto sobre COPACABANA, e ainda por cima, proibida  de usar tudo que nós temos, ou seja, TODAS as carecterísticas de nossa cidade maravilhosa, nossa cultura! Inveja se, não sei. Mas que estou rindo até agora estou! Uma característica de quem não se garante no que faz, é idolatrar quem faz. Nós não fazemos isto. Por mais que o currículo de José Castello seja interessante, não confere a ele nenhuma coroa de deus.

Confiram a lista de proibições e o desafio:

EXERCÍCIO DAS PROIBIÇÕES

Escreva um conto, que tenha no máximo 5 mil caracteres com espaços, ambientado na praia de Copacabana. As 100 palavras que constam da lista abaixo não podem ser usadas, estão proibidas. A idéia desse exercício é levar o aluno a refletir sobre as facilidades oferecidas por clichês, lugares comuns, e tudo o mais que escrevemos “sem pensar”. Eles podem ser úteis para a publicidade, para o marketing, para a propaganda, até para o jornalismo – não para a literatura.

Lista da proibição do ditador (Só no Duelo de Escritores mesmo):

1- água de coco
2- amendoim
3- areia
4- asa delta
5- avião
6- barco
7- barraca
8- barriga
9- bermudas
10- bíceps
11- biquíni
12- bicicleta
13- biscoito
14- bola
15- boné
16- bronzeador
17- bunda
18- cachorro
19- calçadão
20- calor
21- camarão
22- caminhada
23- campeonato
24- canga
25- cedê
26- cerveja
27- céu
28- chapéu
29- chinelo
30- chuva
31- cochas
32- cooper
33- COPACABANA
34- conversa fiada
35- domingo
36- ducha
37- esporte
38- esteira
39- estrela
40- flacidez
41- futebol
42- futevôlei
43- galera
44- garota
45- garotão
46- ginástica
47- horizonte
48- ilha
49- jornal
50- livro
51- lua
52- mar
53- mate
54- mulher
55- músculos
56- namoro
57- navio
58- oceano
59- óculos
60- óleo
61- ondas
62- panfleto
63- paquera
64- patins
65- peitos
66- pelada
67- peteca
68- picolé
69- praia
70- prancha
71- propaganda
72- protesto
73- protetor solar
74- publicidade
75- quiosque
76- rádio
77- rede
78- refrigerante
79- revéillon
80- revista
81- sábado
82- sandália
83- sexo
84- show
85- sol
86- som
87- soneca
88- sorvete
89- suco
90- sunga
91- suor
92- surfe
93- tanga
94- tênis
95- tira-gosto
96- toalha
97- trânsito
98- turma
99- vôlei
100- Voo livre

Detalhe, qual deles sabe o que é ser carioca?!

Segundo José Castello, falar de Rio de Janeiro, Copacabana e seu perfil cultural, é CLICHÊ.  Certamente não haverá UM único carioca participando desta sandice. Desta vez, vou chamar um jornalista que é escritor e crítico literário e, hahaha, carioca! Seria cômico se tivessem praia.

Castello é descendente do Piauí. Seu pai, José Ribamar Martins Castello Branco, migrou de  Parnaíba, no Piauí, para a capital do Estado do Rio de Janeiro onde estabeleceu-se.

Castello, ingrato, deixou tristes os cariocas. Bom convidado para o Duelo de Escritores. Combinação perfeita de falsos intelectuais e/ou artistas.

Minha pergunta, enquanto tomo água de coco em minha cidade maravilhosa, é: Por que essa gente metida a intelectual, gente encanada, de bobeira, não se conforma com seus Estados? Por que, ó, Pepeu, tanta inveja de nossas asas deltas e de nossas gatas?

Do nosso surf, nosso vôlei, nossos shows nas areias de Copa, nosso revéillon, o picolé do Zé, as ondas, a gíria (essa não entrou, seria demais). Enfim, se o Duelo buscou uma reviravolta, tomou caixote, daqueles que só carioca encara!

E, aos alunos de José Castello, este que nunca pegou onda, deixo minhas sinceras condolências. Boa sorte aos duelistas, mas sei que tomarão uma tremenda sunga arriada.

Eu iria aliviar, mas não dá, alguém precisa fazer algo hehe. A pior das participantes, Natália Oliveira,  comentou – será que ela estava careta? – “Gostei do desafio.” Paguemos para ver.

Inté!

Cartas de Amor de Rua – Paulo Castro

Antes dela ter uma ideologia, a gente a fodia em troca de pinga e histórias em quadrinhos. Eu sempre acrescentava algo mais, tinha pena do menino, presenteava o pequeno com roupas, mas sempre estava um tanto atrasado em seu crescimento.
Bêbada, ela me chamava de saudosista.
A gente ria muito e depois íamos para a praça ou algum quarto vago e barato por ali.
Depois ela foi colocada contra a parede pelo Conselho Tutelar, algo assim, arrumou um emprego, conversava com outras moças e ainda bebia, mas falava de seus direitos e segurava um pouco a onda.

Eu a prefiro assim.
Parece outra mulher, óculos, os cabelos curtos estão lisos e brilhantes, ela me conta das notícias de jornal, frequenta passeatas e o menino já é um rapaz que sonha com a faculdade de Sociologia.
Somos bons amigos e atualmente é ela que me aconselha.
Nunca deixará de ser uma dona de boa alma.
Mas eu estou bem como estou.
Tomando coragem pra lhe entregar todas as cartas de amor que não entreguei durante esses anos.
Mas ela vai me achar tolo.
É uma besteira arrastada e nada mais.
Paulo Castro é escritor e  médico psiquiatra, e já não dá para saber onde começa um e termina outro.

A Vida de Escritor é Boa e Não é Presente de Grego

Recentemente, a Arte, através de mim, foi aviltada, de forma um tanto dolorosa. Então, costurando pensamentos, nesta linda manhã sabadal, lembrei de um do escritor francês  Luc de Clapiers que diz que a solidão está para o espírito como a dieta para o corpo, pode ser mortal se for em excesso, mas é sempre necessária. Desta forma, depois de me sentir solitária por, de certa forma, ter sido abandonada por um grupo de escritores, andei uns dias cabisbaixa e até questionadora demais, pois participava de um blog literário onde, apesar de tantos problemas, ao menos era um lugar onde eu criava, regularmente. Nem sempre a coisa saía boa, porém eu estava em atividade, na literatura.

Penso que nada refreia a arte em nós, quando ela, de fato, existe. E isto nada tem a ver com soberba ou afetação. Quando nascemos com tesão para escrever, nada pode nos impedir. Eu nasci para viver pela arte de escrever. E não dela, propriamente dito. Não ganho dinheiro e nem prestígio. Nem sempre me traz alegrias, vide ocorrido comigo. Todavia, eu creio existir mesmo um deus especial para os que amam a arte, verdadeiramente, e destinam a ela um pedestal em sua vida. Assim sou eu.

Então, como dizia, nesta linda manhã de sábado, eis que estou às voltas com um convite realmente honroso. Fui escolhida para participar da copilação de um livro, onde – louvado seja o deus da literatura! – quatro escritores desenvolverão uma estória maravilhosa, a partir de um texto-mãe que, por sinal,  é execelente, do escritor de livros e roteirista Jorge Desgranges. Não me perguntem se coincidências existem, mas o fato é que este autor também foi pouco lisonjeado no mesmo lugar onde a arte costuma ser paraguaia. Ops! É apenas um termo-gíria, nada contra, ao contrário, meus parabéns ao escritor paraguaio Augusto Roa Bastos que conseguiu, em vida, ser indicado ao Prêmio Nobel de Literatura.

O livro do projeto octopolis tem por excelência, sua origem em um conto espantosamente lírico e contemporâneo. De tão perfeito, tive  um insight de mergulhar na mitologia grega (um acervo de todos e não somente de alguns, ainda bem), e me apaixonar pelos personagens cariocas, porém universais.

Conclusão, já que este texto faz homenagem a escritores, termino agradecendo aos deuses pela existência de autores tão maravilhosos como Simone de Beauvoir que deixou-nos, dentre tantas pérolas, esta que termina meu textinho sabadal: “Se vivermos durante muito tempo, descobrimos que todas as vitórias, um dia, se transformam em derrotas.”

Confissões de uma desvairada


FOTO – HELMUT NEWTON

Acordei sem saber por onde começar. Se pedindo perdão pela ausência, ou se confessando minha traição. Não sei bem qual seria sua reação, mas nosso amor sempre fora tão digno, maduro. Entretanto, há coisas na vida que não esperamos que aconteça e, quando vemos, estamos encrencados, apaixonados, desvairados, a trair um grande amor.

Ele é mais jovem. E como todo jovem, veio cheio de alegria, me tirando o sono. Inteligente, mil novidades saindo de seus lábios, praticamente não resisti, logo me entreguei a esta nova paixão.

Sedutor e menino, me apresentou a vários amigos, e me apresentou como sendo sua nova dona, sua amante. Esses jovens são intempestivos, contumazes. Nada tem a temer; sabem que toda mulher mais velha se encanta com eles, porque os mais velhos tendem a se encantar pela disponibilidade de vida que o jovem traz. É uma armadilha bem feita, e eu caí feito uma patinha.

Quando dei por mim, já estava me comunicando com ele, às seis e meia da manhã. Ou indo dormir depois da meia noite: “desliga você, amor… não, desliga você”. E as horas passavam, e quando via, já era madrugada e eu ali, sem conseguir dormir, de tanta paixão. Meu Deus! Aonde isso iria dar, eu perguntava a mim, pensando no meu velho amor, com angústia e sentimento de culpa.

Hoje, porém, resolvi procurar o antigo e lhe contar tudo. Arriscaria não vê-lo mais. Esse pensamento me matava por dentro. Mas eu lhe contaria tudo. E ele sempre deixou claro que sem mim morreria para sempre. Que nunca mais ninguém ouviria falar dele. E que nossas lembranças sucumbiriam com ele – morto!

Medo. Sentia medo nesta manhã de revelações. Pois não queria perdê-lo. Íntimos, tantas coisas passamos juntos. Anos aprendendo em dupla, anos errando, mas sempre juntos. A fidelidade sempre fora nossa marca registrada. E agora, cá estava eu, viciada num jovem. Apaixonada por esse louco e falador rapaz que me tirava o sossego, mas que me satisfazia, me realizava e me rejuvenescia a cada dia.

O que passava era drama real. Podia sentir cheiro de tragédia no ar.

Escrevo da casa dele, velhinho saudoso. Estou bem aqui, praticamente dentro dele, escrevendo essas linhas de confissão. Já não poderia mais mentir. Como explicar que, apesar de tudo, do outro, ainda o amava? Que, por mais que essa nova paixão me queimasse a alma, eu sempre seria dele?

Já não tenho como esconder. Ele agora sabe de tudo! Acho que sofre. Calado, apenas acompanha minhas mãos enquanto escrevo. Aliás, nós sempre nos comunicamos assim: através de meus escritos. Como ele me ama! Quanta coisa me ensinou. Como me corrigiu em minha carreira de escritora…

Agora que meu Blog já sabe do Facebook, ele se cala, mas me surpreende dizendo:

“Eu não me importo. Sempre que precisar de mim, estarei bem aqui, a te esperar, com o mesmo amor com que te amei desde a primeira vez.”

Ah!, meu velho Blog, choro. Como eu te amo. E serás meu para sempre também.

E ainda o ouvi dizendo: “E, querida, você esqueceu do acento diferencial no verbo ter, terceira pessoa do plural.”

Tolices

Quando entra a madrugada e estou sentada, em frente a uma tela de computador, muitas vezes me pego pensando se sou louca, afinal, lá fora estão as pessoas, os animais, as ruas, restaurantes, bares, gente, muita gente! No entanto, estar em casa, olhando o mundo pela ótica digital, causa-me certo alívio, já que a violência não me alcança. Por outro lado, sinto falta de fumaça, carros buzinando.

Meu condomínio é silencioso, salvo pelos latidos estridentes dos meus três vira-latas, que insistem em latir para as mesmas pessoas todos os dias, como se cobrassem impostos pela passagem em nossa calçada.

Paro um pouco de escrever e vou ao quintal, quem sabe seja por um outro motivo. Mas que nada, são os néscios latidos, ao léu muitas vezes. Acho-os estúpidos, mas me rendo à sua inocência e acabo brincando com eles, esquecida do meu site (que estou montando), das leituras, e afins. Quem é o tolo, então?

Olho para os gatos e sinto solidão. São tão silenciosos. Extremamente meticulosos, esses sim, me lembram a responsabilidade. Afinal, revisar o livro do Marcelo Schweitzer, entrar na viagem e tal, é mais interessante do que ficar observando a vida tão igual dos meu bichos.

Peraí. Não os estou a desprezar, entretanto, há tanto para se pensar. Meia-noite-e- quarenta-e-sete e eu não consigo dormir. Tava pensando em escrever algo bem legal. Política, ou um conto daqueles que só faço de tempos em tempos, quando uma musa vem me visitar, lá de longe, da Grécia. Mas não. É falta de inspiração. Agora até os cachorros emudeceram. E o poema – daqueles – não vem.

Isso me leva a pensar que recebemos espíritos, sei lá. Não é só sentar e escrever. É preciso um pouco mais. Uma dose de alma a mais. Uma experiência, ainda que inventada, enfim.

De qualquer forma, é tão bom estarmos vivos. Sabendo que quando acordarmos, a vida vai estar lá, os animais estarão lá, néscios a latir. O sol (ou chuva), tudo se renova a cada manhã. Isso me basta. Boa noite, estrelas!

Da mentira


Li um artigo de um amigo escritor, onde me deparei com um assunto inóspito – a mentira do homem moderno. Deu um aperto no peito e uma vontade de gritar. De fato, estamos todos mergulhados nas agruras da pós-modernidade, um sentimento de medo (nuclear, adultério, perdas, falta de dinheiro)… Um medo que, na verdade, nem é tão profundo já que o homem deveria saber em que momento se perdeu. Os aborígenes sabem. Aquela velha história de natureza, preservação, etc. Entretanto, natureza é Deus, é amizade, cultura preservada, e economia estável – quem aguenta ver tanta criança fumando a morte? E quem poderia imaginar o Brasil já ser aí a sétima economia mundial com tantos analfabetos sem poder ler o que escrevemos? É tudo mentira. Engodo do homem moderno. Há um Ser acima desta mentira. Há o mundo inteiro. Estaremos perdidos? Uma espécie de Arca de Noé, ou era do gelo? Corações frios, então…
A mentira nega nossos valores. E os meus. A mentira esconde nossas origens. Quem é branco de fato? Somos negros como a neve?!
Oxalá uma hecatombe desfaça esses laços hipócritas. Sejamos um povo sem espelhos. Um povo novo, renascentismo pós-moderno. Que sejamos um endereço bom para morar. Onde a Verdade seja o nosso Deus desmitificado. Um lugar de alegria, sem mortes.
E, por favor, esqueçam os primatas. Pois se até Darwin…