C.R.A.Z.Y. – Loucos de amor

Na minha opinião o filme é cult pela direção, com cenário e trilha sonora apropriados aos questionamentos das décadas de 60 e 70. Pink Floyd é o carro chefe na trilha sonora que levou pelo menos a metade do orçamento.
Eu gosto de cinema canadense, principalmente falado em francês, como C.R.A.Z.Y.

Sinopse

Zac (interpretado por Émile Vallée até os oito anos e por Marc-André Grondin na idade madura) é filho do rigoroso Gervais (Michel Côté) e Laurianne (Danielle Proulx). Com a mãe, ele tem uma relação estreita; com o pai, incompreendida por ambos. Ao lado de quatro irmãos, Zac cresce sentindo desejos homossexuais, enquanto tenta lidar com a religiosidade da mãe e a intolerância do pai, entre os anos 60 a 80.
Argumentos para bons roteiros não são muitos, por isso o roteirista precisa buscar pérolas, sejam nos diálogos, na composição dos personagens.
Neste filme Jean-Marc Vallée desempenha uma direção contundente no sentido de captar a tensão dos personagens quase que esteorotipados, ou melhor, são mesmo estereótipos: dos quatro irmãos Zachary, o protagonista, tem tendências ao homossexualismo, enquanto o irmão mais velho torna-se drogado, outro é intelectual e outro desportista. O desafio é saber trabalhar os tipos comuns. Arquétipos fundamentais para resolver um drama/comédia como C.R.A.Z.Y.
Por aqui o filme estreou em 2005, um ano após seu lançamento no Canadá.
O que vale o título de cult e mais prêmios é, sem dúvidas o trabalho de roteiro. Acho perfeito.
Não por acaso o filme levou 11 prêmios Genie (o “Oscar” canadense) e mais 19 prêmios em outros festivais.

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Dead Man – Jim Jarmusch

O diretor Jim Jarmusch é este gênio do cinema independente. Bem sucedido e sempre cult, foi aluno, na década de 80 de Nicholas Ray e de Laslo Benedek na Escola de Cinema de Nova York . Nascido no Ohio, em 53, representa a ousadia do artista que não se rende ao glamour hollywoodiano.

Dead Man é a estória quase surreal de William Blake (Depp), um jovem que viaja para o Oeste em meados do séc. XIX, mas sua viagem começa mesmo quando involuntariamente se transforma em um fora da lei.

Conhece e fica amigo de Nobody, um índio que por ter estudado na Europa quando capturado, o confunde com o escritor morto William Blake.

Os diálogos são quase filosóficos e os cortes de cena são sempre em fade in (escurece uma cena e acende em outra). Uma viagem certamente.

Já deu pra perceber que o filme – p/b – é mesmo uma viagem. Sem contar com a música de Neil Yong. E Jhonny Depp no papel principal, claro.

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O Jardim do Amor

Tendo ingressado no Jardim do Amor,
Deparei-me com algo inusitado:
haviam construído uma Capela
No meio, onde eu brincava no gramado.

E ela estava fechada; “Tu não podes”
Era a legenda sobre a porta escrita.
Voltei-me então para o Jardim do Amor,
Onde crescia tanta flor bonita,

E recoberto o vi de sepulturas
E lousas sepulcrais, em vez de flores;
E em vestes negras e hediondas os padres faziam rondas,
E atavam com nó espinhoso meus desejos e meu gozo.

William Blake