QUEBRA DE CONTRATO _ livro

QUEBRA DE CONTRATO _ Baseado em fatos reais. 

Uma viagem no tempo, de volta à Segunda Guerra, pelo olhar de um judeu que perdeu a fé.

Literatura _ Romance QUEBRA DE CONTRATO, de Kito Mello

Livraria Cultura

QUEBRAIMAGEM

Intrigante perceber como uma mentira, muitas vezes repetida, pode se tornar verdade, e como uma verdade, igualmente repetida, pode parecer simplória e sem importância. O Irã, até os dias de hoje, nega que o Holocausto tenha realmente acontecido. E, por insistir em tal afirmação, ainda que totalmente desprovida de lógica e racionalidade, levou milhões de muçulmanos a negarem a História. Mesmo os ocidentais foram alcançados pela mentira repetida. Um fenômeno, de fato, perturbador e nocivo à humanidade.

Esta bela obra, Quebra de Contrato, copilada por um escritor judeu brasileiro, Kito Mello, é imprescindível para quem realmente quer entender a História, através de uma ótica honesta e imparcial; embora o autor tenha sido um religioso, hoje é um crítico da religião, e não somente do Judaísmo como do Cristianismo e Islamismo, numa notável capacidade de separar o joio do trigo, e mostrar, com bases históricas, experiência própria e fatos reais, que sim, o Holocausto foi, certamente, a maior tragédia moderna de genocídio, já vista pela humanidade, contra um povo específico.

Em Quebra de Contrato, o escritor conta a emocionante história de um homem judeu, preso nos campos de concentração, que se tornou um sonderkommando, uma função tão angustiante e cruel, que foge à qualquer forma juízo. Os sonderkommandos eram judeus escolhidos dentre os condenados para trabalharem na tarefa mais ignóbil, mais danosa e desumana, que era ajudar a matar e enterrar outros judeus, adultos, velhos, mulheres e crianças; judeus obrigados a matarem seus próprios irmãos.

É um romance que usa como pano de fundo, toda a história moderna do judeu e a Segunda Guerra Mundial. Repensa a fé, racionaliza a realidade do homem, e vai muito além da história de um povo, porque leva à reflexão da própria condição humana. Do quanto o homem pode ser bárbaro e cruel, cego pelo ódio, em nome de uma ideologia. Adolf Hitler foi esse homem!

Para quem se interessa pela História do Holocausto, é um livro mais que indicado, eu diria obrigatório. Para quem deseja honestidade dos fatos, não somente sobre o genocídio, mas sobre a ajuda do islã em perseguir e matar os judeus, bem como envolvimento do Cristianismo nessa barbárie, é, sem dúvidas, um livro que deve estar em sua estante, caso queira estar atualizado em um dos maiores problemas contemporâneos, que é o terrorismo islâmico, mais atuante do que nunca.

Além das profundas reflexões que a obra instiga, é uma poesia de lamento, escrita pela vida de um homem que perdeu os pais, irmão e amigos diante de seus olhos, que viu multidões de pessoas entrarem na câmara de gás, e a esperança se esvair pela fumaça da chaminé do terror.

Como sobreviver, depois de testemunhar pessoas se amontoarem e morrerem em pé, sem nem mesmo um espaço para, ao menos, deitarem seus corpos. Como seguir em frente, é o desafio do personagem.

Ele, então, renega sua posição de rabino e põe Deus em xeque, através de um julgamento entre outros judeus presos.

Ao ser julgado culpado pela quebra de contrato firmado com Seu povo, Deus é retirado da vida daqueles homens, quando então Jacob lidera uma revolta, onde milhares de judeus morrem e poucos se salvam na fuga, e Jacob é um deles. Ele sobrevive ao horror daquilo tudo e terá que encarar uma nova vida, sem família, esperança, somente lembranças de todo aquele pesadelo.

O objetivo era a rebelião contra os alemães, por questão de honra e não por querer ser feliz em uma nova vida, deixando todos para trás, principalmente o irmão, que já não possuía fé, e morreu cobrando o Deus de Jacob.

O ex-rabino, então, integra a Mossad (serviço secreto de inteligência de Israel surgido após o Holocausto), e trabalha por trinta anos, na missão de caçar e punir nazistas refugiados ao redor mundo, bem como árabes envolvidos em missões de atentados terroristas aos judeus, inclusive na Argentina, onde Jacob resolve morar, país esse que também é criticado pelo antissemitismo em acolher ex-nazistas e incentivar a segregação.

Livro raro, onde o leitor reflete sobre Bem e Mal, religião, crueldade, razão, preconceito e política de terror.

Uma obra literária que emociona a cada página, pois o autor, apesar de ser duro nas críticas, não abre mão da poesia, e nos conta uma belíssima história de amor entre um avô e seu neto, ou Harold e Calvin, como se tratavam, em um mundo secreto e fuga da realidade; um amor pouco visto entre duas pessoas.

Leiam, e deixem guardado para seus filhos e netos. Realmente o Holocausto não deve ser esquecido jamais, não somente pelos judeus, mas por todos os homens de bem deste mundo.

Um grande livro!

Daisy Carvalho

“Como é maravilhoso que ninguém precise esperar um minuto sequer antes de começar a melhorar o mundo”. Anne Frank

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Livraria Cultura

Contato com o autor

https://web.facebook.com/kito.mello

 

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Lágrimas de Escuridão _ Mais um fantástico conto do Reino de Morserus

LÁGRIMAS DE ESCURIDÃO, BY MARCELO SCHWEITZER

É realmente um prazer voltar a comentar a obra do escritor Marcelo Schweitzer, que criou um mundo o qual vai além da literatura por questionar a vida de forma filosófica, sempre dando a seus personagens escolhas, vários caminhos, provocando pensamentos morais, discutindo ética e, acima de tudo, instigando o pensamento do leitor, obrigando-o muitas vezes reverem seus valores e tudo no que acreditaram até o momento de entrar no maravilhoso e fantástico mundo de Morserus, lugar além de todas as galáxias, um mundo onde os habitantes não são homens, tampouco são animais, porém uma intrigante mistura dos dois.

Desta vez o autor nos apresenta a doce Adell, menina com sérios conflitos de autoestima, que ao mesmo tempo em que acredita no amor como redenção para todos os problemas do mundo, dispensa mais tempo ao desamor, na dor da ausência do pai, e na confusa convivência com a meia irmã, e a mãe que parece preteri-la, em favor da outra que, mesmo sendo a mais nova, parece merecer mais ir para a Academia e ser amada.

Aqui, neste mundo surreal, tabus são quebrados, incestos e fratricídios são mais comuns do que se possa imaginar. Profecias questionadas e superadas! Afinal, estamos em Morserus.

A tragédia de Adell começa quando ganha uma máquina de escrever, novidade que o pai traz de Troferus, a Nação dos Gatos. Entretanto, a mãe ordena que o acessório fique para a irmã, por esta ser mais inteligente e apta a estudar.

A partir de um diário “mágico”, a triste menina vive uma odisseia de descobertas e acontecimentos perfeitamente normais para uma adolescente de treze anos, se não estivéssemos em Morserus, e Adell não fosse uma complexada cadelinha da linhagem Bexor, sem relevância na sociedade do lugar.

Em determinada altura, a personagem encara o desafio de defender o amor, de lutar por ele, através de uma verdadeira paixão por um cão de linhagem superior e muito mais bonito e rico que ela, o Jokua. Um toque shakespeariano, por que não? As coisas neste mundo parecem mais avançadas intelectual e filosoficamente, contudo, alguns sentimentos são semelhantes aos dos humanos.

O conto vem mesmo com grande apelo filosófico, e a personagem ser a narradora usando o diário como ferramenta é emocionante e remete a uma outra menina que viveu a mesma experiência, Anne Frank, ela mesma.

Neste episódio, o autor não economiza nas metáforas, e o coração aperta quando Adell compara o mau tempo, o redemoinho negro com seu interior. Uma dor latente que incomoda o leitor.

A busca incessante pelo amor e por uma elevação social a fim de conquistar sua paixão proibida, leva a jovem a passar por muitas situações inusitadas, entretanto, ela parece vencedora! Alcançou o status dos ricos e conquistou seu amante, com direto a bailes e ostentações.

Preservando o suspense do autor, paro por aqui, recomendando esta viagem onde quando menos esperamos, somos nós lá, nos conflitos, nas páginas do diário de Adell.

Como pista, subscrevo a personagem, que do alto de sua conquista, profere estas palavras, desconcertando o leitor:

“Os pobres saciam a sua (fome) com alimento, enquanto que nós temos fome de luz, e não encontramos no brilho do ouro luz suficiente para nos alimentar.”

Lágrimas de Escuridão trata do Efeito Borboleta. O que você faria se pudesse mudar algo em sua vida? Se pudesse voltar bem lá atrás e refazer o que estava errado? Bem, Adell o fez, mas o resultado seria, no mínimo, deselegante contar aqui.

Leiam o conto, é sensacional! Recomendo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LITERATURA _ ENIGMA DA VIDA

 

zemial

ESCRITOR MARCELLO SCHWEITZER

ENIGMA DA VIDA _ RESENHA

O escritor Marcelo Schweitzer, traz mais uma intrigante história de Morserus. Os que acompanham a odisseia, conhecem a gama de personagens desse fictício mundo, onde não existe o homem, mas apenas animais antropomórficos, isto é, animais com características do homem; com o diferencial de que neste mundo, tanto os sentimentos, as crenças e conceito de bem e mal, certo e errado, estão além da cognição humana.

Neste conto, Enigma da Vida, o autor apresenta, mais uma vez, Zemial, o Gato albino, que desde a infância e adolescência, vem lutando pela paz interior, mergulhado em questões vitais, como amor, a ausência dele, solidão e depressão. O personagem passou a vida tentando descobrir por que jamais fora amado pelo pai que o abandonou, e por sua mãe que também o rejeitou, entregando-o a um orfanato, onde Zemial viveu momentos tenebrosos e assustadores, como a tentativa de sua mãe em matá-lo.

O Gato albino, está agora com quarenta e um anos, e se esconde em uma cabana no meio do nada, cercado por vegetação e fantasmagórica solidão. Guardou, por quinze anos, o frasco de veneno, e decide que chegou a hora de se despedir de uma vida sem sentido e sem respostas às suas questões existenciais.

Juntamente com o amadurecimento do personagem, vemos que suas decisões também ficaram mais firmes. Era a hora de morrer, envolto no suicídio dos que nada mais esperam de sua existência.

Entretanto, o Gato cresceu, também, espiritualmente. Suas indagações são mais globais, ele aprendeu ciência, e deixou de ser ateu. Sim, ele consegue ver o mundo de uma forma mais altruísta. Entende que sua dor é a dor de todos, e que o amor não pode vir morar em um coração negro de ódio e ressentimentos.

O conto faz referências jungianas, usando a metáfora dos exspes, insetos-deuses que se alojam nas mentes dos habitantes deste mundo sombrio, mas que na verdade é ele mesmo lidando com seus deuses e demônios, isto é, confrontando a própria consciência.

Em sua filosofia aprimorada pelos anos, Zemial descobre que “ideias que sobrevivem séculos são ideias imortais, que nascem de dentro de cada um, demonstrando que existe um elo entre todos, esse elo revela que todos formam o um.” Com esse pensamento panteísta, o Gato se encontra, de novo, em posição de questionar a vida, por uma última vez, antes de morrer. Menos cético, contudo, com as mesmas dilacerações na alma.

Apesar de alegar não querer ser “um cego que finge ser feliz”, Zemial, involuntariamente, se vê cercado de acontecimentos que irão mudar o rumo de sua sofrida e solitária existência.

Acredito que neste episódio, o personagem surpreende, ao se conectar ao mundo todo, dos insetos aos astros do céu de Morserus. Mais um conto eletrizante, carregado se suspense, com um desfecho que deixará o leitor em transe, pois Zemial, desde criança, demonstrou ser muito mais que um garotinho assustado. Explode, então, a força contida que nem ele mesmo sabia possuir.

Como disse Carl Jung, quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda.

Congratulações, Marcelo Schweitzer, por mais um excelente conto de Morserus.

By Day

13 livros de Fernando Pessoa para download gratuito

fernando-pessoa

Publicado por Universia

(Crédito: Luis Santos/Shutterstock.com)

Confira 13 obras do escritor Fernando de Pessoa que estão em dominio público

No 76º aniversário da morte de Fernando Pessoa, a Universia Brasil separou 13 obras do escritor e poeta português disponíveis em dominio público para download gratuito.

Os livros foram retirados do portal Dominio Público, biblioteca digital mantida pelo Ministério da Educação. Entre a selação estão inclusive obras de dois de seus heterônimos: Alberto Caeiro e Bernardo Soares, autores fictícios que possuem personalidade.

Veja a seguir as obras de Fernando de Pessoa para download:

Cancioneiro – Fernando Pessoa

Mensagem – Fernando Pessoa

O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

O Eu profundo e os outros Eus – Fernando Pessoa

Poemas de Fernando Pessoa – Fernando Pessoa

Poemas Traduzidos – Fernando Pessoa

Poesias Inéditas – Fernando Pessoa

Primeiro Fausto – Fernando Pessoa

Poemas em Inglês – Fernando Pessoa

O Guardador de Rebanhos – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

O Pastor Amoroso – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

Poemas Inconjuntos – Alberto Caeiro

(heterônimo de Fernando Pessoa)

Do Livro do Desassossego – Bernardo Soares

(heterônimo de Fernando Pessoa)

dica da Luciana Leitão

Copiado do Livros só Mudam o Mundo

Literatura Libertadora

A literatura é um processo de libertação e, por conseguinte, aspira à liberdade. Quer dizer que o seu ponto de partida é uma recusa aos constrangimentos. Quer dizer, ainda, que os constrangimentos estão na sua génese ou no desencadear da sua explosão, como tem sido proclamado por tantos criadores.
Homem livre, pois, o escritor – ou que visceralmente deseja sê-lo. Tão livre, ou tão necessitado de o ser, que nem sequer pode estar de acordo com certas situações para que ardorosamente contribuiu: seja numa sociedade burguesa, seja numa sociedade proletária, ele sempre encontrará razões para a sua insubmissão e para o seu inconformismo, mesmo se, muitas vezes, se trate de uma contestação inconsciente.

Fernando Namora, in ‘Jornal sem Data’

Reflexão

O que é ser livre para um escritor, que não seja, ao menos comigo é assim, acordar com um novo pensamento, uma nova recusa em meu íntimo, nova revolta contra algo que me injustiça?

O escritor não está preso a nada, pois a química celeste, nem mesmo ele a conhece. Não há como seguir imposições para criar, e exteriorizar em palavras escritas  sentimentos e ideais tão infinitamente obscuros aos outros, a menos que este outro seja o leitor propício. O escritor contesta, reclama, denuncia, levanta questões e sofre. E, se não ouve toda essa voz interior, ele não é um escritor, mas um alfabetizado que escreve. (Day)

Para falar de poesia – Arkadii Dragomoshchenko

Leia a entrevista do poeta alemão Arkadii Dragomoshchenko a Régis Bonvicino  e Odile Cisneros

Para falar de poesia

Falar de poesia é falar do nada
ou possivelmente de algumas raias externas
(onde a língua se devora)
discernindo ou determinando um desejo
penetrar este nada, uma lei, um olho
para encontrá-lo em si mesmo, presente em nada
Impossível !
A morte não pode ser trocada por outra coisa.
Sinceridade – é o processo insaciável
de transição, de flutuação, em sentido oposto,
ou seja, eu-te-amo-não-te-amo
desaparece à beira da consciência

Não há mais tempo para a expressão
Eliminada pela simultaneidade
Onde achar um homem dançando como uma vela?
Escute, como o segundo milênio
a água avança sobre as margens – algas
A pétala-da-abelha seca seus lábios: pó em seus pés
seus quadris e ombros expostos

Lembro-me do tempo quando a lâmpada de querosene
noite fria o lilás brilhava verde, como um nervo
O halo da chama do querenosene, um hemisfério esmeralda
atraía mariposas do escuro.
O arco zênite de agosto, uma foice estrelada,
revelando os traços honestos da matéria,
pálpebras rasgadas.
Uma tela e letras, esta é a estória,
arquivo pulsante do nadir e nele, como a queima
de mariposas,
a descrição da noite aparece. Os ramais
do jardim pegam fogo,
campos magnéticos de palavras aparecem, tensos,
entrelaçados ao nada. O que mais posso falar!
O que mais dizer?
Deslizando dentro de você, no delta no meio do rio
abrindo-se, como um arco,
cuja corda está corroída
pelo silêncio.

Traduções: Régis Bonvicino

O gênio julgado inapto” para a literatura

Já que tudo nesta vida é carregado de dualidades, vejam que interessante. Às vezes candidatos a escritores desistem no meio do caminho por conta das críticas negativas. Entretanto, desistir por conta disso pode ser uma péssima ideia, um erro atroz. Veja esse exemplo maravilhoso do escritor francês Émile-ÉdouardCharles-Antoine Zola, o idealizador e principal expoente do estilo Naturalismo.

O escritor nasceu no dia 2 de abril de 1840. Órfão desde os sete anos, passou fome na infância e teve a sua admissão recusada pela Sorbonne, considerado “inapto para a literatura“. Mais tarde enfrentou a fúria da elite intelectual e política francesa pela sua intervenção no caso Dreyfus, quando defendeu um oficial judeu do Exército francês acusado de espionagem a favor da Alemanha. Apesar das dificuldades, criou o gênero “romance naturalista” e tornou- se um dos mais populares, admirados e bem-sucedidos escritores franceses do século XIX. Entre as suas principais obras estão Gerrninal, Naná e o manifesto, Eu Acuso, no qual, ao defender Dreyfus, aponta o anti-semitismo francês. Para saber mais sobre esse gênio da literatura que morreu em 1902, leia Zola, de Henry Troyat (Editora Scritta, 311 páginas), que também retrata as amizades do escritor com os pintores Manet, Renoir e Cézanne.
Fonte: SUPER Interessante

Cartas de Amor de Rua

Autor – Paulo Castro

Antes dela ter uma ideologia, a gente a fodia em troca de pinga e histórias em quadrinhos. Eu sempre acrescentava algo mais, tinha pena do menino, presenteava o pequeno com roupas, mas sempre estava um tanto atrasado em seu crescimento.
Bêbada, ela me chamava de saudosista.
A gente ria muito e depois íamos para a praça ou algum quarto vago e barato por ali.
Depois ela foi colocada contra a parede pelo Conselho Tutelar, algo assim, arrumou um emprego, conversava com outras moças e ainda bebia, mas falava de seus direitos e segurava um pouco a onda.

Eu a prefiro assim.
Parece outra mulher, óculos, os cabelos curtos estão lisos e brilhantes, ela me conta das notícias de jornal, frequenta passeatas e o menino já é um rapaz que sonha com a faculdade de Sociologia.
Somos bons amigos e atualmente é ela que me aconselha.
Nunca deixará de ser uma dona de boa alma.
Mas eu estou bem como estou.
Tomando coragem pra lhe entregar todas as cartas de amor que não entreguei durante esses anos.
Mas ela vai me achar tolo.
É uma besteira arrastada e nada mais.
Paulo Castro é escritor e  médico psiquiatra, e já não dá para saber onde começa um e termina outro.