Saudades de um cara chamado Blog que queria ser Rei

Andei distante deste blog, mas não distante do amor que sinto pelo cinema, o audiovisual em geral. E descubro, boquiaberta, que eu amo esse cara aqui, meu bloguito solitário.
Vou recomeçar. E, de cara, recomendo o épico “Davi”. Independente de religiões ou crenças, o filme é magnífico por diversas razões, porém, exalto duas: a verdadeira história deste que é até hoje considerado o maior Rei de Israel. E a primorosa produção (super) que faz deste filme, um dos maiores épicos já concebidos pelo planeta cinema.

Viva o Rei Davi!

É a história de um jovem pastor que é aclamado como herói ao derrotar o poderoso Golias, guerreiro filisteu. Famoso por sua bravura destemida, torna-se o novo Rei de Jerusalém. Porém, seu futuro reinado é ameaçado quando ele se rende a um caso de amor ilícito, com uma mulher casada, e a engravida.
Por utilizr meios injustos a fim de resolver seus problemas, passa a sofrer graves punições divinas, e começa a perder gradativamente o controle sobre o seu povo e sua família. Mas seus esforços o tornaram um grande Rei e líder como um dos poucos indivíduos da história de Israel que conseguiu criar um reinado.

Ficha Técnica

Título original: David
Gêneros: Drama, Documentário
Tempo: 175min
Ano: 1996
Direção:
Robert Markowitz
Roteiro:
Larry Gross
Elenco:
Elenco:
Jonathan Pryce (Saul)
Nathaniel Parker (David)
Franco Nero (Nathan)
Leonard Nimoy (Samuel)
Sheryl Lee (Bathsheba)

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The Last Temptation of Christ Porque o cinema é mentira


A última tentação de Cristo

Para a cor azul dos olhos do messias há várias teorias. Cientificamente Jesus Cristo seria moreno, cabelos pretos, olhos escuros. Porém os antigos hindus afirmam que um homem iluminado tem uma forte luz nos olhos que os clareia quando em êxtase. Nos evangelhos há descrições do filho de Deus com um intenso brilho nos olhos, ‘um brilho como os céus.’ Ok.

A partir do romance homônimo de Nikos Kazatzakis (1960) nasce o roteiro espetacular do autor e o guião Paul Schrader. E para completar esta obra prima, temos aí a direção do não menos genial Martin Scorcese neste filme de 1988. Proibido em vários países por ter sido condenado pela igreja católica, só veio a ser liberado no Chile, por exemplo, 15 anos depois, em 2003.

Entretanto, cinema é a capacidade de fazer mentira. O autor do livro apenas deu asas à sua imaginação, a partir das sabidas crises de Jesus Cristo. Em muitas passagens dos evangelhos vemos a descrição do apelo do homem ao Pai – “Afasta este cálice de mim…”

O autor viajou na possibilidade de Jesus ter aberto mão de sua missão e simplesmente ter desistido de ser o messias para viver tranqüila e normalmente como qualquer mortal.

O grande desfecho é que impressiona porque aí Cristo descobre, depois de casar-se com Maria Madalena e envelhecer, o messias descobre ter sido vítima de um ardil de Satanás.

É um belo filme que se aproveita de mentira para fazer o verdadeiro cinema contemporânio e reflexivo. Talvez a igreja tenha se assustado em função de o filme poder provocar dúvidas na cabeça do homem. Mas, assim como as ditaduras militares, as igrejas, muitas vezes tropeçam em sua ignorância diante da arte. Principalmente da sétima arte.

Tecnicamente é perfeito o filme com a direção de Scorcese (indicado ao Oscar) e um Jesus Cristo na pele do excelente Willem Dafoe. Harvey Keitel como Judas deixa a desejar, não entendo o porquê. Chegou mesmo a ser agraciado com o troféu Framboesa de Ouro pela pior atuação de um ator coadjuvante. Crises religiosas internas?
Porém, Harry Dean Stanton como apóstolo Paulo é divina (ops!).

A participação de David Bowie como Pilatos é um escândalo de boa.

A trilha sonora de Peter Gabriel é um espetáculo à parte com auxílio luxuoso de percussionistas brasileiros. Indicação ao Globo de Ouro. Aqui, assiste-se ao raro casamento bem sucedido de som e imagem.

Mas Bárbara Hersley como a ardente Maria Madalena rouba muitas cenas.

Que tal assistir de novo? Uma analogia perfeita de nossas dúvidas e fraquezas na pele do Homem. O Cristo redimindo nossa pequenêz. Perfeito. Em todos os sentidos.

Forever Films


MISSISSIPI EM CHAMAS MISSISSIPI BURNING 1988




Sempre me pareceu que um poema era algo assim como um passarinho engaiolado. E que, para apanhá-lo vivo, era preciso um meticuloso cuidado que nem todos têm. Poema não se pega no tiro. Nem a laço. Nem a grito. Não, o grito é o que mais mata. É preciso esperá-lo com paciência e silenciosamente, como um gato. (Mário Quintana)

Produzido em 88, este filme maravilhoso do diretor Alan Parker (Oscar em fotografia), reuniu a verdadeira casta de atores e diretores, para fluir a verve do mensageiro artístico. São eles:
Gene Hackman (agente Rupert Anderson)
Willem Dafoe (agente Alan Ward)
Frances Medormand (Sra. Peil)
Gailard Sartain (Xerife Ray Stuckey) e mais ficha técnica. E deuses da arte.
Roteirista – Chris Gerolmo.

Na década de 60, houve o assassinato de dois negros e um judeu militantes, no Mississipi. Dois agentes do FBI ( Genne Hackman e Willem Dafoe) foram designados para apurarem os crimes cometidos contra a democracia, nos EUA. Muita hipocrisia já sabida foi denunciada nessa película. Eu diria que este filme é uma reunião de bacanas artistas (atores) inconformados com sua predileção capitalista no meio artístico.

Eu penso que a idéia era manter a supremacia americana, porém, este filme marcou para sempre uma idéia de justiça, onde os atores (todos do elenco) encorporaram a verdadeira supremacia humana: a igualdade dos direitos.
Vejam este filme para sempre!

E mais um detalhe: os antagonistas (vilões) na pele de atores exímios, deixam escapar, ironicamente, a cruel e desumana aristocracia burguesa dos descendentes ingleses que aportaram nas Américas, sem o menor escrúpulo. Sem nenhuma noção do mal que fizeram aos afro-descendentes.
Talvez tenhamos um novo Mississipi em chamas… Diretores não faltarão.
Entretanto, infelizmente, na realidade o FBI esteve omisso diante da injustiça americana.

Forever films…




A CASA DOS ESPÍRITOS
The House of the Spirits – 1993

Este filme do diretor Billie August (Pelle, o conquistador) conta a saga da família Trueba no Chile desde a década de 20 aos anos 70 mostrando a revolução e queda de Salvador Allende. O roteiro brilhante foi baseado no romance de Izabel Allende e torna-se um filme para ver sempre porque é simplesmente estupendo, com um elenco magnífico, raramente visto no cinema: Maryl Streep, Jeremy Irons, Glen Close, Antonio Banderas, Winona Ryden, Vanessa Redgrave.
Gosto do antagonismo da revolução com suas crueldades diante da pureza mediúnica da personagem de Meryl Streep.