Sêneca – Leitura & Escrita

Leitura e Escrita
A leitura, é de facto, em meu entender, imprescindível: primeiro, para me não dar por satisfeito só com as minhas obras, segundo, para, ao informar-me dos problemas investigados pelos outros, poder ajuizar das descobertas já feitas e conjecturar as que ainda há por fazer.
A leitura alimenta a inteligência e retempera-a das fadigas do estudo, sem, contudo, pôr de lado o estudo. Não deve­mos limitar-nos nem só à escrita, nem só à leitura: uma diminui-nos as forças, esgota-nos (estou-me referindo ao trabalho da escrita), a outra amolece-nos e embota-nos a energia. Devemos alternar ambas as actividades, equilibrá­-las, para que a pena venha a dar forma às ideias coligidas das leituras. Como soe dizer-se, devemos imitar as abelhas que deambulam pelas flores, escolhendo as mais apropriadas ao fabrico do mel e depois trabalham o material recolhido, distribuem-no pelos favos e, nas palavras do nosso Vergilio, o líquido mel acumulam, e fazem inchar os alvéolos de doce néctar.

(…) Nós devemos imitar as abelhas, discri­minar os elementos colhidos nas diversas leituras (pois a memória conserva-os melhor assim discriminados), e depois, aplicando-lhes toda a atenção, todas as faculdades da nossa inteligência, transformar num produto de sabor individual todos os vários sucos coligidos de modo a que, mesmo quando é visível a fonte donde cada elemento provém, ainda assim resulte um produto diferente daquele onde se inspirou. Um processo idêntico àquele que nós vemos a natureza operar no nosso corpo sem a mínima interferên­cia da nossa parte (os alimentos que consumimos, enquanto se conservam inteiros e flutuam sólidos no estômago são para este um peso; mas quando se transformam, logo são assimilados e se tornam músculos e sangue), um processo idêntico, dizia eu, devemos operar nos alimentos da inteli­gência, sem permitir que as ideias recebidas se conservem tal qual, como corpos estranhos. Assimilemo-las; se assim não for, elas podem perdurar na memória, mas não pene­tram na inteligência. Demos-lhes a nossa total concordân­cia, façamo-las nossas, tornemos um grande número de ideias num organismo único, tal como numa adição jun­tamos parcelas diferentes para obter um único total Que o nosso espírito faça a mesma coisa: mantenha ocultas as parcelas de que se serviu para exibir tão somente o resul­tado global obtido. Mesmo que seja visível em ti a seme­lhança com algum autor cuja admiração se gravou mais profundamente em ti, que essa semelhança seja a de um filho, não de uma estátua: a estátua é um objecto morto.

Séneca, in ‘Cartas a Lucílio’

Rebember – “Como será que se sentem os velhos?”

Coisas de ancestrais.

Post de 2007 republicado por amor à minha tão querida e amada avó índia pataxó, Maria Theodora de Carvalho. Ela voou como pássaro e se escondeu de mim. Faz cinco anos. Ou cinco minutos. Por isso acredito em eternidade.

….

“Hoje, não sei o porquê desta amarga lembrança. Ou doce lembrança. Ou cruel lembrança… O fato é que lembrei de minha avó: uma índia pataxó que viveu serenamente por noventa e dois anos, sem perder a lucidez ou vontade de viver.

Minha vó criou-me, não que eu não tivesse famíia, mas acho que perceberam que eu precisava estar aos pés daquela índia morena, de pernas firmes, orgulho no coração, com uma boca pequena que sussurrava para mim verdades incríveis.

Ensinamentos que levarei para o resto de minha vida. Para que não fique um post melodramático e nem piegas, vou tentar transcrever para vocês alguns ensinamentos de minha vó Maria Theodora, que, de tanta teimosia, enfrentou seus deuses e decidiu partir, inventando um tombo que fraturou seu fêmur. Atrevida, a minha índia hehe.

Ela dizia:

_ “Não brigo com ninguém, jamais levantei o tom de minha voz. Mas não admito que vozes alheias interfiram em minha vida.”

_ “Trabalhei desde criança. Perdi minha índia mãe ainda criança. Até hoje sinto saudades dela, gostaria de vê-la, ao menos em sonho.”

_ “Não use roupas eróticas. Homem vai sempre entender que você não se dá ao valor.”

_ “Perdi minha gente e vim para o Rio de Janeiro. Vim com uma criança no colo (minha mãe), e mesmo fazendo fila em minha porta, eu pude perceber que homens se aproveitavam de mulher sozinha.”

_ “Casei com Olegário Silva, um capixaba que veio para o Rio como soldado aspirante a músico. Meu marido morreu oficial da polícia militar com vários diplomas, inclusive o de primeiro maestro trombonista da Orquestra Militar da Polícia do Estado da Guanabara.”

_ “Mas minha simplicidade me faz companhia. Tenho dinheiro e casas e conforto. Mas não esqueço minha mãe e a vida simples que levei nas praias de Aracajú, onde desde menina jamais voltei, nunca mais vi meus irmãos que eu tanto amei.”

_ “Perdi, ao longo de minha vida, meu marido, dois filhos, meu único irmão no Rio, meu neto e mesmo assim, quando trovoadas aparecem, me encolho em respeito à natureza. Sempre acreditei em Deus. Sempre amei Nosso Senhor Jesus Cristo, e jamais deixei de acreditar nos espíritos das matas, nos caboclos de lutas.”

_ “Mas quando me casei, não sabia escrever e nem ler. Meu marido, pacientemente me ensinou. Aprendi com boa vontade, porque precisávamos nos comunicar, além de nos amar.”

_ “Quando eu morrer, falem de mim se quiserem. Mas nunca falem que não tive orgulho de minha gente. Falem que fui humilde e jamais valorizei o dinheiro e que sempre o distribui pela minha família e amigos necessitados. Que nunca tive preconceitos. Que meu marido era uma linda mistura que reluzia pele de ébano e que por isso em minha família há brancos, morenos, índios e negros (não é uma ordem necessariamnete): somos a história do Brasil.”

_ “Que presenciei jovens de minha família fumando maconha (ops!), tomando coisas que intitulei ‘loló’ para definir a droga como um troço ruim pra se tomar.”

_”Daisy, eu te criei e te amo. És a neta preferida de minha vida. Espero que continue minha história, que não desista de ser uma mulher de fibra, caráter. Espero que nunca use roupas indecentes para encontrar seu grande amor.”

Eu precisava falar de minha índia. Um amor tão grande que é eterno.”

Não choro pelos mortos. Apenas dou-lhes a dignidade do que foram um dia.

Humana

Não é pela chuva que desaba em minha janela;
Menos ainda pelo fato de saber que a noite será longa.
Não é porque meu estado seja de um vaziismo absoluto.
Nada, nada vezes nada eu sinto agora.

Se a chuva fosse sol em plena meia noite, ainda assim eu não perceberia.
Bafejos na janela. Estômago cheio – rabanadas,
Sensação de essência desnudada. Não tenho segredos!

Quero ter pecados, quero errar, aparecer aos vidros da janela,
Desligar o ar condicionado e parar de beber água, lodo, vinho…
Espancar minha criatura velha, renascer mais de novo Fênix. Inventar palavras,
Lupicinta em cena à vontade no telhado da minha dor.

Não é pela chuva, mas o ruído..
Não é pelo ruído, mas a solidão,
Não é pela solidão, mas o cara…

Coisas passam, desfazem-se. Saudades de certo gozo de vida
Que era morte entre as vidraças – E a chuva está lá:
Escorre pela minha garganta, inunda a antiga alma.
Mas ainda assim, não é pela chuva. Faz até calor.

É que a chuva são lágrimas derramadas pelo céu,
Mas não é pelo céu, as estrelas não estão lá.
E não é por nada, é por mim vazia, olhando a chuva sem ouví-la.

Em poucas palavras eu digo

Som ao meu redor e
Busca de um deus maior.

Nossas descendências eu só…
No acabamento do mundo, pó!

Parto normal, indolor
Tantos anos já.

E até hoje busco amor
De mãe que se abriu
Crendo que Deus estava comigo…

Tantos anos e ainda sinto a dor
Que não sentimos no parto!…

Meu medo é que em pouco tempo parto,
E minha menina envelhecendo.

Pergunto ao Criador:
Por que não senti dor?

Se eu fosse Deus responderia:
Porque tua dor chegaria mais tarde!

E, blasfemando contra Deus eu respondo:

Se foi para desfazer por que é que fez?

Deus, silencioso como sempre, ri de mim.

Porque eu poderia perguntar por vários rebentos.

E se eu perguntasse por que só um filho nasceu?

Filha! Ela é minha única experiência. Meu amor.

Por que, meu Deus, ela se prostituiu?
Certamente tu não me dirás… Eu também me dei?

Então por que sou só?

Tu não amas a minha filha, ao menos?

Ó Deus onipotente! Por quê?

Por quê?

A droga me espanta, e não a Ti?

Voltarei aqui para ouvir…
A tua resposta.

Nunca mais…

O coração tem razões que a própria razão desconhece. (Pascal)

Por mais que meu Coração intrépido e atrevido diga: Nunca mais!
Eu sei que voltarás a me importunar
Com tuas carências, teu olhar lânguido cobiçoso,
E a total falta de vergonha na cara – Ai, Coração!

Ainda que eu diga: Chega, estou fora!
Não posso confiar totalmente em mim
Porque dentro de mim
Bate esse Coração infantil
Que vive a se engraçar por aí.

Tudo para ele é bonito, sensato.
Mas depois que o verão se vai e chega o outono,
Sou eu quem sofro pelas molecagens dele – Meu Coração menino!

Como agora. Estou a escrever o que sinto
Como fosse somente minha a responsabilidade…
Nestas horas ele me deixa.
Provavelmente a procurar outro amor. Mas e eu?
Alguém perguntou-me se quero novo amor?

Injusto Coração, e não me alegra – só arde!
Onde estás agora, órgão delinquente? A passear?
Olhando novas possibilidades no parque, nas ruas?
Poupa-me, interno inimigo, tu és enganoso como serpente!

Deixa-me curar aqui, quieta e não me acorde nem me açoite.
O torpor entranha-se em meu ser, estou só!
Cala-te e deixa-me silenciar a alma traída, ó ingrato!

Estou só, e o cúmplice das loucuras de prontidão
Está a paquerar alguém nos shoppings,
Nas vielas, nas favelas – Ele vai aonde quer…

Deixa-me que estou fraca. Vê se pulsas sozinho desta vez.
Não me corrompas mais, órgão desleal. Cala-te!
Não preciso que me digas do amor.
De tanto me falares dele, sucumbi mais uma vez.

E recostada em meu travesseiro
Choro a falta de um corpo,
Porque quem sente falta dos beijos sou eu, esperto vilão!
Porque tu, interno amigo,
Não possuis teu próprio coração!

Homens virtuais

Para ela ainda era tabu falar de sexo. Principalmente com estranhos. Não aquele estranho que se encontrava na fila do banco, no estacionamento, na porta do teatro. Seria mais normal.

Fato era que o referido estranho caira na sua rede – olha aí um trocadilho medíocre -, no msn. O tal do msn. O tão bem e mal falado msn.

Ela ainda não entendia como aquele estranho aparecera. Provavelmente, depois de umas taças de vinho branco o adicionara, aceitara um convite. Até aí tudo bem. Vá lá.

Mas o estranho fora ficando cada vez mais insistente: seu nome? idade? onde mora? namorado? macho?… Um caminhão virtual de perguntas. Deu vontade de limá-lo, entretanto, algo chamara a atenção da promotora de eventos meio menina, meio balzaque. Ele… parecia tão real!

Em pouco tempo trocaram telefone e… “voz linda você tem!”, “você também!”

Depois de tantas perguntas e respostas indiscretas e irrelevantes, já eram íntimos. Para ela estava tudo bem. Bacana trocar idéia de forma virtual. Estava até feliz. Gostava de entrar no computador para conversar com o novo amigo. Então ele pediu fotos! Meio sem jeito, enviou algumas e recebeu outras. Com tristeza sentiu que o clima misterioso de romance virtual se fora!

Agora já se conheciam. Chato. Melhor o chat.

Depois de uns tantos telefonemas, o convite: “Vamos nos encontrar? Pode ser em lugar público!” Ela gostou da idéia. Um shopping, um restaurante, circo, qualquer lugar público tava valendo.

Porém, o médico de garganta (nome complicado), referia-se a um motel. “Não era um lugar público? Frequentado por tantas pessoas? Entra e sai sem parar de gente?”

Ela, meio decepcionada, mais surpresa que decepcionada, pensou que para isso bastaria ir ao “Bar dos solteiros”, onde até uma amiga sua conseguira um maridão.

Sem dó e sem pestanejar, ela o deletou, pensando em como a internet podia ser ingrata a uma mulher, às vezes.

Esgoto


Hoje, mergulhei na alma humana meio que sem querer, ao receber uma mensagem d’uma ex-colega de faculdade que me agrediu porque recebeu um e-mail-vírus supostamente remetido por mim. Quão podrezinho pode ser o coração de uma mulher.
Bonita, trabalha na Globo (isso pode até explicar), rica, porém… O que estará faltando neste ser humano, eu me perguntei, boquiaberta, lendo e relendo tanta grosseiria. Palavrão na boca de uma senhora da sociedade? Palavrão que, vez por outra, ouço dos lábios desinformados de jovens de rua, usuários de crack. Por eles sinto compaixão. Mas por esta mulher… é mais que isso. Uma vontade de pegá-la pelos cabelos e voar com ela até um ponto onde ela (nós) possamos ver o mundo com olhos mais ternos, menos mesquinhos.
Perguntei à ela – eu respondi ao e-mail – se eu devia algo. E creio que sim, um dinheirinho emprestado, acho. Pedi que fizesse contato e me dissesse quanto era. Sabe aqueles sufocos de faculdade! Tem dia que não há grana. Eu estava dura nesta época. E ela rica, com seu carrão, presente do maridão.
Meu coração está povoado de vários sentimentos. Repulsa, pena, tristeza. Será a Globo? Ou é mito? Talvez existam pessoas assim em toda parte, quem sabe até dentro de minha casa. É o pecado original.
Possivelmente o porteiro do meu condomínio possa ser um demônio disfarçado, ou minha filha; quem sabe eu mesma não seja uma mulher má, assassina, reacionária, conservadora, racista, histérica?
Deus, não! Mate-me, antes de ser alguém que destrói a manhã de outro com um e-mail tão perverso, de baixo calão, ofensivo, trevoso.
Esta reflexão é minha resposta à sugestão exótica da Meg Santos ao insinuar que eu poderia introduzir as supostas fotos (com areia e tudo) em um esgoto de meu corpo – e ela deu o nome “vulgo”. Pobrezinha. Pobres de nós que nem sabemos como viemos parar aqui. Nem sabemos quando irá aparecer o próximo cabelo branco. Nem conhecemos tanto assim os Céus. Graças à minha ex-amiga, eu vou passar o dia pedindo a Deus que diminua nossa ignorância, o nosso egoísmo, porque as aflições da Meg não são diferentes das dos outros.
O dinheiro escraviza, nutre o ódio. Não lembro quanto lhe devo. Há anos não nos vemos, nem nos falamos.
Quanto devemos, ela e eu, todos nós a Deus pelo ar que respiramos? Pela vida de nossos filhos? Pelo alimento e pela saúde?
Que todos tenham um dia de paz, sem Megs a ferirem seus corações com palavras carregadas de crack, de rua, de ódio e soberba.
Mesmo assim, eu agradeço pela vida desta mulher. Se não fosse por ela, sobre que abóbora eu estaria falando aqui?

Porém minh’alma triste e sem um sonho
murmura olhando o prado, o rio, a espuma:
como isto é pobre, insípido, enfadonho!

(Fagundes Varela)

Tanta coisa… e o dia das mães!

O cérebro do homem é algo por demais complexo. Nesta manhã, por exemplo, acordei pensando em mil coisas. Cigarro (que não quero), terminar um texto para teatro… Levar os filhotes dos gatos para os novos donos… Lembrar o endereço da diretora de teatro, amar Jesus, ganhar dinheiro! Pensei em arruinar minha carreira de roteirista, indo viajar, sumir no mapa, e pensei no que gostaria de almoçar, vestir à tarde. Desfocada da reralidade, já imaginei como estariam pessoas que não vejo há muito, pensei em gritar com minha filha porque deixou o cachorro dentro de casa outra vez… Troquei o vestido e pensei se sairia com os cabelos presos ou os deixaria soltos. Estão longos, pensei se devia cortá-los, então.
Pensei no sapato caríssimo de couro que o cachorro de minha filha destruiu… E pensei que a vida ainda valia a pena. Achei alguns livros que estavam sumidos… pensei que esqueci que os havia emprestado, então pensei em como é bom ler… Lembrei do meu primeiro livro “sério” O diário de Anne Frank, Kafka, e lembrei de algumas coisas que tenho lido na fase mais que adulta, pensei que tenho lido demais inclusive, os livros do Novo Testamento, Teologia… Pensei que deveria comprar uns gibis do Walt Disney, mas aí pensei nos Estados Unidos e em Bin Laden morto. Eu pensei que não é elegante ficar feliz com a morte das pessoas, então nada de ficar feliz com a morte dele, aí pensei que poderia ser eu uma terrorista. Decidi usar o vestido rosa, terminei o texto de teatro. Lembrei o endereço da professora. Mas pensei que se não for hot mail… alguém lerá um texto de teatro denso e dramático nesta manhã. E se esta pessoa nem for leitora, se nem gostar de arte, teatro e cinema? Pensei que só estarei com a diretora amanhã… então confirmarei se ela recebeu o texto. Amanhã é o dia das mães… Pensei em como amo minha filha… Pensei em um presente…

Solidários, né?

O preço do tomate está absurdo. Crise mundial! Armagedom e etcétera. O garçom nem aí. O molho era natural. Caro, mas natural…

Enquanto isso, no Japão, Ricardo tentava se comunicar com a noiva que estava morando na casa da mãe no Rio de Janeiro, em Copacabana. Mãe dele. Internet pra quê? Procurou seu note. Nada. Suas roupas e nada. Japão já era! Sessenta mil dólares por mês. Casamento, casa de praia. Já era tudo. Olhou para o tofu e os salmões estragados. Os guardanapos de pano bordados, chiques… Tremores por seu corpo. Trocadilhos na alma. O tremor era terremoto. Real.

O cozinheiro pensou na poupança, na igreja cheia de flores. A perna sangrava. Ódio de tudo. Do mundo, de quem fez o mundo, da noiva metida a besta: restaurant in Japão, depois Frrrança! O mundo era dele. Emergente pupilo do chef August agora era um derrotado, prestes a amputar a perna – exagerro – com quatrocentos mil dólares no lixo!

No Brasil, Chef August provava um molho especial de manjericão para o fuzzili quando o celular gritou, atrapalhando as mãos perfeitas e precisas do especialista cientista em massas italianas. Filho de portugueses, casado com Cecile, ora soberbo, ora sem noção. Atende o celular. Laurinda, mãe de Ricardo em pânico! O filho morreu no Japão! Deus!

Horas mais tarde, jantando o macarrão com um delicioso queijo perfumado (segredos de August) e vinho branco. O vinho era uma homenagem. Estaria mesmo o amigo morto? Inda bem que o molho era esnobe e bem claro… Porque ela só imaginava o Ricardo cheio de sangue. Morto pro mundo, morto pra gastronomia. Morto! Molho vermelho nem pensar naquela ocasião.

Um arrepio percorreu o pescoço de Cecile. Vinho bom…

Perguntou a August por que o mundo tremia tanto… Fim dos tempos!, ele respondia taciturno, pensando no amigo e provando cada detalhe do molho. Como assim fim dos tempos? Está escrito, são profecias! Encolheu os ombros debaixo do casaco novo e ficou imaginando o terror que causava um terremoto, ou maremoto. Vinho de-li-ci-o-so.

O mundo vai acabar, August?

Certamente, querida, certamente.

Quando?

Não sabemos…

Sabemos quem?

Nós, os estudiosos dos fenômenos ambientais. Teorias teológicas. Teoria do caos e tantas outras. Apocalipse, Nostradamus. Fim é fim!

Ele disse isso constatando que as taças estavam vazias. Encheu-as novamente. Um brinde ao falecido. Mas ele morreu?

O celular toca. Ricardo?? Sim, pode deixar!

O que houve?! – Ela pergunta, com molho escorrendo garganta abaixo.

Era o Ricardo. Está pedindo que o busquemos no aeroporto.

Como ele está, meu Deus?

Triste mas bem, fisicamente… Lamenta por uns salmões de mar e tofus raríssimos e sei lá mais o quê. Mais vinho?

Ufa, o mundo não acabou… enfim… quer dizer… eu não morri, o Ricardo não morreu, nós! Pardon pelo egoísmo… aquelas pessoas… mortas… Tem mais vinho?

Vou abrir o Alex Gambal Chassagne Montrachet dois mil e seis, querida.Trezentinhos, mas vale a pena. Ricardo está vivo!…

lehitra’ot

PASSEI PARA DIZER AOS AMIGOS QUE CONTINUO SUA AMIGA; QUE AS COISAS ANDAM DEPRESSA, MAIS QUE EU MESMA. OUTRA VIAGEM, OUTRO PORTO. DE QUALQUER FORMA, UM DESCANSO PARA AS MINHAS MÃOS DE BLOGUEIRA. QUERO FAZER OUTRO BLOG. SITE, NA VERDADE. FALAR DE QUÊ? VEREMOS. CERTAMENTE ALGO NOVO, NOVAS ARMADILHAS, SONHOS MAIS ALTOS. MATURIDADE É A PALAVRA. CANSEI DE ESCREVER DE FORMA LEVIANA, ME ESCONDENDO ATRÁS DE UM AVATAR. NA PRÓXIMA, NOS VEREMOS FACE A FACE, MINHA VOZ EM PODCAST, ENFIM… DA INTERNET EU QUERO MAIS SERIEDADE, PROFISSIONALISMO, BONS TEXTOS E UM QUÊ JORNALÍSTICO. HÁ COISAS ATERRORIZANTES ACONTECENDO AO REDOR DO MUNDO. EIA! CANSEI DE POEMAS SEM FORMA, SEM CONTEÚDO, NA MAIORIA DAS VEZES. SE SOFRI DE VERDADE, PODE ATÉ SER QUE TENHA SIDO, MAS AINDA ASSIM, NADA CONSEGUI EM TERMOS LITERÁRIOS. DE ROTEIRO ESTOU MUITO BEM, AMÉM. ESTA BLOGOSFERA ME PIROU POR UNS ANOS, MAS ESTOU LIVRE, A ALFORRIA CHEGOU, ENFIM! ACERTEI EM CHEIO NA CATEGORIA. HUM… QUANDO VOLTAR FAREI CONTATO COM OS AMIGOS E CURIOSOS. ESTOU ME SENTINDO UMA CRIANÇA: FELIZ À TOA, SEM NENHUM MOTIVO APARENTE. SEI LÁ! SINTO UMA INFANTIL VONTADE DE VOAR, INOCÊNCIA. SENSUAL INOCENTE. CANSEI! FÉRIAS. SE VOLTO NÃO SEI. SE SOUBESSE NÃO SERIA DESPEDIDA. PLANEJO VIAJAR. EGITO, ISRAEL. QUEM SABE ESCREVO DE LÁ? POR ENQUANTO ESTOU NO RIO DE JANEIRO, BOM BAIRRO, BELAS PRAIAS E MUITOS BARES QUE NÃO QUERO MAIS SENTAR. ATÉ DISSO ENJOEI, VÊ SE PODE? MAS NADA É DEFINITIVO, NADA MESMO. TUDO PODE MUDAR. ALIÁS, TUDO DEVE MUDAR. SEMPRE. ESTOU ESTUDANDO OUTRAS LÍNGUAS. HEBRAICO (O TÍTULO AFETADO QUER DIZER ADEUS). E ESTUDANDO JEAN JACQUES ROUSSEAU. BEIJO NO CORAÇÃO. CONTINUEM EM ATIVIDADE. AMO VOCÊS. ESTEJAM AÍ QUANDO EU VOLTAR! BEIJO.