NEUROSE

 

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“Mulher Sentada e Janela Gótica” __ Eduardo Machado

Espanto a vida é uma ruela que prende teu corpo minha vida estranha se jogará da janela, tantas nuances e a política apunhala entre as pernas o povo está nu, vilipêndio estupendas lágrimas mendigando fortunas no nome de Deus enquanto anjos tocam trombetas mendigos coçam bocetas e enquanto isso cachorros se alimentam de vômitos. Ruas desertas Moro o capeta e santo duas faces depende quanto pagará minha vida se despede e olha uma última vez para a antiga vitrola e Jmi Hendrix sorri, Lúcifer mija no fogo ardente das gurias do baixo cracolândia, beiços queimados futuros arruinados e dança a dançarina no Municipal. Cabral preso Brasil descobriu Cabral puta que o pariu tudo foi em vão a criação Eva e Adão, agora é suportar quando no pó descansarei, um dia serei estrela, desabou a  porra da janela virei cadáver.

Day

 

 

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Dia da poesia

                                  “TUDO É POESIA, O RESTO É SONO”

lendo

Dia hoje da poesia,

como pode ser

se todo tempo a ilusão poetiza nossa vida?

Como dia da poesia se as coisas são as mesmas.?

Gente sem amor, mulher sem aquele “cobertor”;

homens bebendo na calçada,

putas cheirosas levando sua vida

e a de tantos…

Dia da poesia?

Afinal

Quando foi que acabou a poesia?

 

Dias

triste2

Nesses dias assim,

nem chuva nem sol,

arranco de mim toda ilusão,

esperança e faz-de-conta.

Não há vida que suporte

um dia atrás do outro

sem nada de novo.

Fazer o que, me pergunto,

com esse tédio

essa pasmaceira.

Lembrei do outro lado da vida…

Mais tarde pego um taxi e faço uma visita.

Castelo de Cartas – Luiz Guilherme Volpato

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Castelo de cartas

De tanto empilharmos sonhos

tentamos alcançar o céu

Construimos algo grande

Baseado no que não somos

Nosso construto foi invejado

por todos ao redor

algo que erigimos, com sonhos e suor

Superando as nuvens, almejando o céu

Nem vimos quando ruíu

A nossa torre de Babel

Hoje falamos línguas diferentes

e mal podemos nos comunicar

e entre dois pares de braços

um abismo se criou

E ficamos distantes,

ficamos pequenos no horizonte

Nunca mais voltei a torre

nunca mais empilhei meus sonhos

nunca mais dei as costas ao mundo

nunca mais

nunca mais

Porém ainda olho para cima

e assim, contemplo o céu

E sinto falta de nós dois, em nossa torre de babel

Alheios a tudo

Alheios ao mundo

felizes

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Esquivas Amorosas – Luiz Guilherme Volpato

Incertezas de um futuro esquecer

Não sei que brados irão me levar

Pois não sou mais indolente o bastante, para me deixar levar pelo indomável amanhã.

Nem serei seduzido pelo inevitável amanhecer.

Careço de alguma definição

Pois já gozo de algum amadurecimento

E as letras das músicas de suas baladas, necessitam entendimento.

Não quero ter de prestar significações,

A romances incertos na madrugada

Não desejo ser apenas mais um corpo a ser usado.

Nem ser o refém de um maldito telefonema.

Cujo não tocar, abala minha noite de sono.

Porém nem tão pouco algo seguro e calmo… que manteria minha cabeça firme em um travesseiro.

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Afogado

A escondo em fotografias

Subtraindo-a da memória

Lembranças valiosas, sufocantes.

Um solo sagrado, onde não mais poderemos ser vistos juntos.

E o guarda-chuva de seu daiquiri, não a protegerá das lágrimas boemias.

Dos vidros embaçados.

Dos olhares opacos.

Da fórmula do elixir que criastes, com icebergs perdidos em seu copo de whisky.

Macular seus antigos sorrisos, com sua visão atual.

Refugio seus grandes momentos nos papéis guardados.

Escondidos, protegidos.

Não os levarei comigo.

Mas reconheço sua beleza.

E por isso a encarcero numa fortaleza de papel.

Pois em algum lugar, ainda é necessário que você exista.

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Despertar

Tenho estado distraído

Muitas coisas passaram sem atenção

Lugares perdidos

A mente ancorada em algum lugar

E pessoas entraram e saíram da minha vida como vultos despercebidos

Sem a menor ansiedade, deixei fluir sem significado.

Sem merecer um “por quê?”.

Sem merecer um segundo olhar.

Deixei muito passar.

Você passou?

O que houve com seu brilho?

Por que não me atraiu?

Julguei que estivesse esperando por você.

Mas onde está todo o nervosismo?

E finalmente, totalmente desperto, olho para você.

E não sinto mais nada.

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Continentes

No horizonte você repousa
Meus olhos não te alcançam
Por vezes meu coração ruma sozinho

Começo então a peregrinar

Saboreando o alívio que é saber de sua existência
Minha jornada não me preocupa quanto aos perigos
Mas com o que encontrarei
Na outra extremidade dessa estrada

Me mostre onde você se esconde
Quero me mesclar a sua essência
E banhar-te em meu suor

Por mais escaldante que seja o caminho
Imaginarei a brisa que emaranha seus cabelos
chegar a mim com seu perfume

Não sabes por onde andei
Não sei aonde ainda chegar

Não me espere de braços abertos
Não me espere de forma alguma

Venha em minha direção
Ou dificulte minha vida,
não importa.

Como posso me perder?

Todos os caminhos me levam a você.

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Volpato

Luiz Guilherme Ricci Volpato tem 32 anos, é Psicólogo Comportamental Cognitivo, trabalha com adolescentes, perda de peso e sexologia. Seus interesses começam na Filosofia, passando pela mitologia, literatura estrangeira. Começou nas a expressar-se no universo das palavras através de poemas e crônicas; atualmente tem planos de escrever contos ( que serão muito bem-vindos aqui!).

Solidão, Manuel da Fonseca

Manuel da Fonseca, in “Poemas Dispersos

 

Que venham todos os pobres da Terra
os ofendidos e humilhados
os torturados
os loucos:
meu abraço é cada vez mais largo
envolve-os a todos!

Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!…

(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)

Chuvas

chuva1

Num dia como o de hoje,
Eu poderia falar de qualquer coisa.
Poderia fazer qualquer coisa.
Errar, acertar. Errar de novo.
Fazer um bolo ou tomar uma batida.
Entretanto, insisto em ligar a televisão.
Só depois me dou conta de que estou sem tv a cabo.
Tarde demais. Estatísticas o comprovam.
Morreu mais um. Um aí. Deve ser preto e ladrão.
O ibope prefere os sádicos e as crianças.
Tudo estatística. E vaidade.
Quando parar de chover vou querer um namorado.

Quando o vento soprar

essa

Coisas simples
Como um relógio cansado
Que atrasa a hora da colheita
Simples como um sol negro
A despedida vem com a chuva
E memórias entrecortadas
Naquela colcha de retalhos
Estampada de rosas tristes
Ressequida de suor
Ressentida na esquina eu
Simples assim, uma flor esmagada
Pela pata do mau entendido
Sem sentidos
Calo o meu cl’amor
Só eu sou.

Asas que ferem

ok

Dorme o pássaro, escondido nas asas da mãe;
Acordam a ira e o prazer da vingança
Esperando o fim das coisas
Que não acabam, e perduram no pássaro duro pela manhã.
Serão insetos ao anoitecer que
Entre aranhas nas paredes um doido em metamorfose
Preferiu morrer a ver a nova luz do sol.
Nos Estados Unidos elegem nova mídia
Anti-Cristo no governo e café da manhã
Com pássaro engaiolado nas cobertas da lendária mãe.
Para que ler jornal, ou fazer poemas?
Versículos que não me dizem
Onde anda o pássaro ferido, o cantador
De mentiras…
Esquadrinho meu corpo
Talvez o coração. E vejo solitária sensação
De fim das coisas que não se vão.
Impróprio lembrar de suas asas.
Inútil fustigar ira ou prazer.
Dorme às seis da tarde, mas comigo não vê
O amanhecer das coisas que não se acabam.