SÚBITO

SÚBITO

Minha sanidade onde a perdi
Em qual momento deixou de existir
Para ser tormento
Quão bom é enlouquecer
As rosas ficam em ballet
Lírios aspergem voam
Há dois sóis há ternura
Nuvens Jô girassóis
Certamente é bom estar nada
Mente sem brilho
Sem vaidade
Um trem fora dos trilhos
E amar até pra sempre
Perturbar e cantar dar adeus voltar
É saber esquecer morrer retornar
Loucura é artística ritos riscos
Em cada chuvisco um sabiá
Vem loucura me apanhar
a dança lembras
O teatro sons acústica
Tua alma lúdica luzes
O pano caindo dormindo
Todos se vão é bom
És companheira perfeita
Rarefeita rodopia cotovia
Azul é a cor da seita
Linda essa dança vida
E cai
Desmaiada de amor
Diz que foi
Ou que vai
Não importa
Depois da porta
É outra peça
Peça e receberás
Satisfaz na letra
A negra borboleta
Devir porvir
Agora chega Loucura
Mesmo eu
Preciso dormir…

 

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Dias

triste2

Nesses dias assim,

nem chuva nem sol,

arranco de mim toda ilusão,

esperança e faz-de-conta.

Não há vida que suporte

um dia atrás do outro

sem nada de novo.

Fazer o que, me pergunto,

com esse tédio

essa pasmaceira.

Lembrei do outro lado da vida…

Mais tarde pego um taxi e faço uma visita.

Conclusão

Desejando as asas da galinha
Desejando as asas da galinha

Andar andei como é a vontade do corpo

Pensar pensei como é a exigência da mente

Cuspi, vomitei

Perdi coisas, gente, mãe e pai. Você…

Chorar chorei porque faz parte do metabolismo

Jung eu li, e Freud quase não.

Tive prisão de ventre mas não pensei em Deus.

E agora, não sei por que, penso nessa causa.

De onde eu vim?

De um jardim que ninguém jamais viu?

Achava que a vida era um mistério

E agora acho minha vida muito simples:

Nasci para morrer.

Induz que luz

Que nada que não tem

como explicar as cataratas de tua visão,

Niágara, morte desprevenida,

manchas universo cérebro,

nada, que nada, tudo é a mesma coisa.

Tu o queres, mas não há coragem,

é invisível. Não basta.

Deus assim não queres,

talvez estejas com a razão.

Razão? Razão? Razão?

Sejamos loucos, tudo passa rápido,

daqui a pouco eu.

Módica Música

Já fui lésbica
Sádica
Ínfima
Sórdida
Drástica
Súbita

Mórfica
Ácida, Mônica
Cínica
Búlica
Lírica
Nômade
Séria
Lápide
Fétida
Súbita
Cêntrica
Lúdica
Útera
Máxima
Lógica
Trêmula
Nádica
Bêbada
Nódoa
Sântica.
Já fui mística, tática
De novo lésbica
Fêmea
Sólida
Líquida
E
Drástica.
Portanto
Sou lívida
E de novo
Cética
Sábia
E mórbida.
Úmida
E para sempre
Bélica
Módica
Mórfica
E cênica.
E tudo é
Dádiva
Para dúvidas
E dívidas.

Milagre

Não adianta querer ser mais do que a morte é,

ou recorrer aos livros, delegado ou padre

fato certo inquestionável, ó mente humana

é que no mundo e fora dele tudo é milagre.

Entretanto, criatura insólita, tenebrosa e morta,

não sabeis das entrelinhas morfináticas de quem morreu,

e não alcanças previamente com tua mente a grandeza que há

porque teu sangue congelado nem dói mais, fanático ateu!

Olhai desta flor, comei da erva pura e consagrada,

afinal quem moveu os montes na terra, donde todo poder?

Bestial aquele que não pode contemplar o próprio espírito,

aquele que ruge como leão não é quem te fez, miserável ser.

 

Nero Fiore

 

Ouve, louco, este silêncio que faz um barulho tão ensurdecedor!

São navios piratas, é ela! É ela! Ouve, alucinado, abestado dos infernos,

que chega a tua hora, paranóia, venha para a janela, o fogo se espalha rapidamente!

Queres tu morrer desta forma, acinzentado, sem flores negras,

sem ter quem te venere, o velório, louco, corre para cá, cospe nas chamas…

Não, não olhes para o céu, Ele está zangado, Ele está mais doido!

Faz silêncio, a vizinha fofoqueira, a bruxa que nos fez feitiço sorri.

Ela gargalha, com dentinhos de bruxismo, olhando-nos pela fresta da janela de vitral!

Não, esquece as roupas, agônico atrapalhado, sai daí, esquece as fotos,

as cartas da tua amada! Ela não virá. Tua noiva não virá,

tua mãe morreu faz tempo, idiota, e esta barba por fazer, engole, engole esta

palavra feia, isto é proibido, tu vais para o inferno, alucinado!

 Não, não pules! Não pules! Não!…

Tolo, eras mesmo um louco… O fogo nem chegou até aqui.

Alma em Agonia

É apenas, apenas agonia, desterro, sangue, cheiro de sangue!

Nas pernas do ar é a guerra, o mar, tudo se prontifica em minhas mãos.

 Não quero saber de mais nada, há confusão por toda parte, há manadas,

gados obedientes, dor de dente, dor de parto, dor!

Já não me importo se amo, respeito, e não quero saber de cabresto,

amor ao próximo, perdoar e ser perdoada. Tudo acabou, o vento trouxe a miséria,

a agonia do vale da morte. Ossos secos que não tomam vida, não expurgam sangue

 nem verdade; o que posso fazer, eu, somente eu nesta estrada de poeira

nadando a pé, a sós.  Agora não quero mais ser tua amiga, te amar, ser boa,

não, não posso mais voltar, contaminada de ira e desejo torpe.

Aceito, resignada, que sou maldita entre as mulheres (de tua cama),

que poderei fazer, se a sina sinaliza nossas mortes, e ejeta-me para além das galáxias,

e eu nada posso afirmar, então escrevo, escrevo, escrevo!

Decido ficar por aqui mesmo.

Meu fim é apenas o começo.

Cascavel Adoecida

Serena como pomba ferida
Mergulho na estranha certeza de não mais ficar
Desta forma à mercê do meu carrasco
Como babel, doces lábios de Frida.

Que pena, meu Deus, não há como eu
Quem saiba amar desesperadamente
No redemoinho dos açoites da vida
Amar com verdade e sangue, desgraçadamente!

Nenhum deus grego é maior que meu gatuno
Dionísio, Netuno, o diabo – nada é comparável
Tal qual cascavel adoecida, assim é minha paixão
Descompassada, ignorada, morta, deplorável…