Por Luciano Ayan

 

Uma tática para devastar a apologética neo-ateísta: a tática Prometheus

 

Engineer

Quando um neo-ateu faz sua apologética, tentará arrumar contradições para Deus e a Bíblia a todo momento, mas sempre o fará com o uso de alguma fraude intelectual. (Isso não significa que eu queira provar a existência de Deus. Aliás, demonstrar a lógica ou não de um pensamento não é mesmo que a definir comprovação ou não da existência de Deus)

Além do mais, o neo-ateu é incapaz de perceber o quanto está sendo ridículo em sua atuação, e tudo isso fica facilitado pelo aspecto “nublado” do escopo de existência de Deus. Por exemplo, a Bíblia não diz onde Deus vive, o detalhe de suas motivações e daí por diante. Em torno destes aspectos pouco detalhados, fica fácil para o neo-ateu criar situações de contradição no comportamento de Deus, e, em seguida, usar essas alegadas contradições para constranger um cristão, judeu ou islâmico.

Uma forma de se resolver esse problema é desnublar esse cenário, tornando-o tangível e substituindo a questão do Deus bíblico pelos engenheiros do filme “Prometheus”, de Ridley Scott. Embora a idéia possa parecer incômoda à primeira vista para um cristão purista, o efeito no debate é devastador, pois torna tudo tangível, e todos os argumentos apologéticos do neo-ateu podem ser colocados sob teste. (Note que esta metodologia serve para os argumentos apologéticos dos neo-ateus, isto é, aqueles que são mais filosóficos)

Vamos a um exemplo.

Imagine um neo-ateu que chegue dizendo que “não é possível existir um ser onisciente, que saiba tudo o que vai acontecer, e eliminaria o livre arbítrio dos humanos”.

Transpondo para o universo do filme Prometheus, os engenheiros estariam no papel de Deus, e poderiam conhecer todas as opções que os seres humanos tomariam,e ainda assim isso não eliminaria o poder de escolha do ser humano. Supondo que os engenheiros teriam como antecipar e burlar as regras de “espaço-tempo”, um ser humano poderia escolher suas ações, e um engenheiro poderia saber qual ela seria de antemão. Com essa contextualização, já fica claro que não existe contradição entre onisciência de um criador (que tenha superado as regras de “espaço-tempo”) e o livre arbítrio de sua criação.

Suponha agora que o neo-ateu surja com o paroxo da onipotência. O truque é mais ou menos assim: “Poderia Deus criar uma pedra que não consiga levantar? Ou poderia Deus deixar de ser Deus?”

Transpondo para o universo do filme Prometheus, bastaria contextualizar os engenheiros como donos de todas as possibilidades em relação aos seres humanos, e são capazes disso por que são os criadores dos seres humanos. Eles ainda assim poderiam criar uma pedra que não conseguissem levantar por si próprios, mas poderiam continuar movendo as pedras relacionadas ao mundo dos humanos. Como se vê, a onipotência percebida por uma criação em relação ao seu criador, não limita a onipotência do criador em relação a esta criação. Se esta pedra criada pelos engenheiros não fosse possível de ser levantada pelos engenheiros, isso em nada implicaria na onipotência com relação à sua criação.

Note que é uma abordagem preliminar, mas o objetivo é levantar questões e contextualizar aquilo que fica “nublado” no discurso.

Com um cenário tangível, fica muito mais difícil praticar uma fraude intelectual, pois trabalhamos com “modelos” que podem ser descritos em detalhes de seu funcionamento, ao invés da mera elocubração metafísica.

É importante notar também que o cenário do filme Prometheus não serve para provar a existência de Deus (a meu ver, nem a existência de Deus nem sua inexistência podem ser definitivamente provadas), mas sim para testar as contradições alegadas nos atributos de Deus.

Considerem a tática Prometheus como um antídoto contra a pseudo-intelectualidade neo-ateísta.

Do blog

http://lucianoayan.com/2013/01/03/uma-tatica-para-devastar-a-apologetica-neo-ateista-a-tatica-prometheus/#comment-13292

Coração de Pedra Para Música

Música, para mim, vai além de acordes e sinfonias. Cresci no meio de maestros, portanto, se há algo que reluto postar é artigo sobre música. Não iriam gostar de minhas críticas. Porque não há como criticar o que não é música. Entretanto, vez por outra, algo toca meu coração.

Coração de Pedra – Grupo Semeando (1985)

PS – Descobri esta canção na madrugada. Ainda que sejam “taxados” como gospel, eu senti uma forte queixa aos que possuem coração insensível. Contudo, eles, segundo meu coração, não se referiam aos ímpios (os não cristãos). Filosofia é a arte de fazer pensar. Então, quem seriam esses com coração de pedra, no Cristianismo?