Blade Runner

A melhor e mais completa análise do filme que já li.
O texto é um tanto longo mas foi escrito por Renata Cordeiro, bacharel em filosofia, tradutora de livros em vários idiomas, dentre outras atividades.

A impressão que tenho é que Blade Runner é um filme/estudo para se assistir em vários momentos de nossa vida. Vale muito à pena conferir a revisão de Blade Runner por esta excelente escritora e crítica.
Aí no vídeo a cena romântica mais complexa do cinema. Ela não parece replicante, enquanto ele… bem, até hoje não sei se Harrison Ford é humano ou não.

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Realismo fantástico – Dos personagens

Carl Gustav Jung

Realismo Fantástico

Este é um gênero difícil de ser explorado. Nós já temos tendências naturais para a fantasia. As imagens nos sonhos.
Roteiristas são operários da psicanálise e de estudos antropológicos. De que outra forma nós poderíamos ‘inventar’ personagens?
Há filmes – brilhantes – que se originaram de grandes livros, sem dúvida, como o super clássico E o vento levou Porém, aí neste livro a escritora Margaret Mitchell invariavelmente desenvolveu seus personagens a partir de um estudo sobre seus perfis psicológicos. Não necessariamente em cima de psicanálises, eu presumo. Afinal os roteiristas são seres repletos de idiossincrasias e são vários os métodos de criação.
Criar um personagem é muito mais que escolher uma ‘pessoa’ para protagonizar ou antagonizar uma estória. O personagem, via psicanálise, é um ser real e ele já nasce vivo na mente do autor. Ele é verossímel e será eternizado em sua obra, seja na literatura ou no audiovisual que é do que tratamos aqui.
Meus personagens respiram, defecam, têm realções anais, erram e sonham. Mas não há como ignorar a complexidade de compor um personagem ‘real’.
Eu pessoalmente seria incapaz de conceber meus personagens sem fundamentar-me em dois assessores que eu assumi há tempos. Desde que, adolescente, escrevia e rabiscava pequenos contos e diálogos, na pretensão de serem parte de alguma peça para teatro.
Meus personagens têm sangue e loucura. Consciente e inconsciente. E, de certa forma, minha principal base de conteúdo criativo são Jung e Freud. Muitas vezes relidos por autores contemporâneos. Mas a base psicanalítica é uma constante em minhas criações.
Esses dois são meu bálsamo na hora em que sangro em busca de verdades para meus arquétipos.
Jung separou-se de Freud quando divergiram com relação a origens existenciais. Doutor Freud cria totalmente base sólida nas essências sexuais e traumáticas do indivíduo; enquanto Gustav Jung, por sua formação religiosa e cega (por parte de seu pai), passa a desenvolver a teoria de que há um espiritualismo atuante em cada ser individual e no todo, de certa forma. Já salientava aí, a partir de Jung o Holismo, bem mais aceito e buscado hoje em dia.
Criar personagens, definitivamente não é tão fácil assim. Se mesmo nós, digamos, personagens reais, precisamos de autocredibilidade para refletirmos no outro, que dirá um personagem fictício, que é mais metafísico, fantasmagórico que a maioria de nós?
Por exemplo:
Eu tenho uma personagem no teatro, a Valquíria, que carrega em si outras personagens na forma de síndrome de múltiplas personalidades.É a peça “A demência das Valquírias”. Neste contexto dramatúrgico eu exploro algumas possibilidades de desdobramento de uma mulher, do ser humano. É a metáfora da hipocrisia, onde Valquíria é, ao mesmo tempo, um escritor de thrillers, médica psiquiatra, prostituta e ainda mantém um romance pecaminoso com um meio irmão. Pura análise da alma humana, mas fundamentada em estudos freudianos e jungueanos, claro.
Este post era para falar de realismo fantástico, gênero que mistura surrealismo com certa necessidade de dramatizar a vida. Mas acho que ficará para a próxima. Odeio posts longos.

Duda Ribeiro







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Esse aí, ao lado da Carol Castro e do Marcelo Faria é Eduardo Ribeiro, o Duda. Além de ser meu amigo, é um cara ser humano e que vem me dando muita força em meus trabalhos, eu que sou uma eterna aprendiz das artes.
Não por acaso, Duda Ribeiro é um de meus mestres, e como professor autodidata como ele mesmo diz, tem se superado, dado um banho de cultura e sabedoria nos quesitos roteiro, direção, atuação, dramaturgia. Ou seja, o cara sabe tudo e mais um pouco.
Profissional dedicado, ele vê a arte como toda a finalidade da vida.
Estar com ele é sempre uma festa, pois a alegria que emana de seu espírito é contagiante.
Acima algumas fotos na minissérie Amazônia, como Jeca Tatu no Sítio do Pica-pau amarelo e na recente montagem de Dona Flor e seus dois maridos. Sucesso absoluto.
Como estou em meu último semestre, achei legal homenagear um dos maiores profissionais do meio. Um dos maiores atores, diretores e roteiristas do Brasil.
Vida longa e merda sempre Duda Ribeiro.

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Numa esquina escurinha na madrugada

CENA5-RUA-EXTERIOR/NOITE
MARCO E AMANDA CONVERSAM ENCOSTADOS NO MURO.

MARCO – O filme era ruim. Ainda sinto tesão e medo de mudar.

AMANDA – Um drama para você não cairia bem mesmo. Larga logo tua mulher.

MARCO – Não sei acordar sem aqueles cabelos no meu peito.

AMANDA – Isso é mesmo um drama. Mas se não tem amor. Discutem só a crise econômica e o preço do presunto. Ou quem vai lavar a louça?

MARCO – É fácil pra você ironizar as merdas dos outros. Mas não me engana, Amanda. No fundo você não é lésbica. Eu sei.

AMANDA – Só porque transamos em estado de absoluta solidão não significa que tenho dúvidas das minhas convicções.

MARCO – Sexo não é convicção. É questão de prazer. Vontade.

AMANDA – E você ainda sente prazer com tua mulher?

MARCO – Às vezes, quando estou bêbado.

AMANDA – Pois então, meu caro.

MARCO – E você se sente o máximo em colecionar garotas. É isso?

AMANDA – Marco. Eu não coleciono garotas. Eu apenas fico aberta a novas emoções. Se você se fecha em um casamento de merda, o prejuízo é seu. A vida corre e geralmente na contra-mão.

MARCO – Na contra-mão? Não entendo, Amanda. Suas metáforas são tão fraquinhas.

AMANDA – Só digo que é ridículo você ficar preso a um corpo que nem prazer te dá mais. Você é covarde, Marco. Simples assim.

MARCO – Quer transar?

AMANDA – Não sei. Você quer?

MARCO – Quero!

AMANDA – Tá.

CORTA PARA

Orson Welles não matou o monstro


Quem gosta de cinema sabe que que War of the WorldsGuerra dos Mundos – de Spielberg, com Tom Cruise no papel de herói, foi na verdade uma produção radiofônica na década de trinta, quando Orson Welles adaptou o livro de Herbert George Wells para o rádio que na época era o meio de comunicação de massa mais importante e de total credibilidade. Isto fez com que a estória dos alienígenas que invadem a terra causasse verdadeiro pânico em muitos ouvintes. Houve mesmo caso de mortes. Tamanha comoção causada pela dramaturgia radiofônica.
Orson Welles- Cidadão Kane -, talvez não tivesse tanto interesse em tal frenesi do público.

Mas o que pouca gente sabe é que o filme de Spielberg está longe das ideologias de Welles que, controverso ator, diretor, roteirista e produtor, insinuava com a adaptação de Guerra dos Mundos para o rádio, uma associação da máquina americana invadindo a Europa. O ‘monstro’ era na verdade o preconceito com as minorias. Cínico e revolucionário. Assim era Welles.
Entretanto em Hollywood tudo vira festa. Desta forma, Tom Cruise passa a ser um pai de família, valorizando esta instituição. O herói americano que salva o mundo. E seus adoráveis filhos. Quanta ironia.
Orson Welles, ou ri lá do outro mundo… Ou desiste de vez.

Olhar sonorizado

fotografia Helmut Newton

Fazer cinema é fácil. Filma o que teu olho vê, imagina o que tua alma regozija. Pega a câmera, acende a idéia e mergulha fundo no sonho audiovisual.
Olha mesmo! Invade com tesão a tua estória e conta depois para quem quiser prestar atenção no que tu olhaste.
Tua lente é poderosa. Tu és o primeiro espectador da tua idéia. E mesmo em silêncio tu ouves vozes nas imagens. O som, o som, o som!
O som da tua idéia!

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Story Line

WEST SIDE STORY – AMOR, SUBLIME AMOR

Quando pensamos em uma idéia para um programa, e este é o primeiro passo, convivemos com essa febre por tempo indeterminado. Dependendo do projeto pode levar semanas, meses.
Idéias são proliferantes nas cabeças dos roteiristas. Eles dormem e acordam tendo as mais loucas & diversas idéias ‘geniais’.
Garcia Márquez ensina, e muito bem algo que a princípio pode parecer desencorajador para o roteirista. A’derrubada de idéias’. E o papa do roteiro cinematográfico Syd Field ensina como ninguém a desenvolver uma estória a partir da Story Line em um livro perfeito e completo.
Num grupo de criação pode-se chegar com uma idéia perfeita para um projeto. Uma estória que poderá se transformar no filme de sua vida ou no programa de TV que mudará a televisão, o sistema de entretenimento. Mas alguém do grupo simplesmente ‘derruba’ a sua idéia. Lá se vai seu melhor projeto.
O que estou tentando dizer é que fazer roteiros não é tão simples como possa parecer a princípio. Há quem pense que fazer gravar imagens e sonorizar é o que caracteriza ‘Cinema’. Mas o audiovisual é um mundo complexo de idéias e filosofias.
Mergulha-se em Foucault no cinema contemporâneo, Sócrates… Um sem fim de pensadores para fazer, às vezes um simples curta-metragem.
O maior desafio do roteirista talvez seja exprimir sua idéia em apenas cinco linhas. É o que chamamos de story line..
Um exemplo de Story Line. Exemplo do filme West Side Story, ou Amor, sublime amor. O musical de 61 dirigido por Jerome Robbins e Robert Wise que alavancou 11 Oscars.
Mas antes da sinopse, poderíamos resumir a estória assim:

“Musical que retrata temas sociais como racismo, xenofobia e a carência de jovens pobres que não têm opção de vida na cidade de Nova York.
Baseado no clássico Romeu e Julieta de Shakespeare, o filme conta a estória de dois jovens que se apaixonam e por serem de gangs inimigas, desemboca em trágico desfecho quando a violência denuncia o abandono desses jovens perdidos.”

Apesar da formatação, esta é uma story line de exatas cinco linhas.
É assim, simples e direto. Por isso é melhor apresentar a story line para que sua idéia não seja derrubada depois de um calhamaço de sinopse.