Filosofia e Reflexões

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TOLSTOI – Escritor

Minha vida material é sujeita a sofrimento e morte, e nenhum esforço meu poderá livrar-me disso. Minha vida espiritual não é sujeita nem ao sofrimento nem à morte. Portanto, a salvação do sofrimento, a salvação do sofrimento e da morte reside em apenas uma coisa: na tranferência do meu “eu” consciente do amterial para o espiritual.

O caminho para a compreensão deste mundo é a compreensão de meu ser interior. Com a ajuda do amor, e em virtude do amor dos outros, compreendemos os outros seres: gente, animais, plantas, pedras, corpos celestes; e compreendemos as atitudes desses seres em relação a eles mesmos; e tais atitudes criam todo o mundo tal como o conhecemos. O caminho do conhecimento tem sua base no amor, na unificação com todas as criaturas do mundo.

No entanto, não se faça a minha vontade, mas a Tua!  – Lucas 22:42

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O discurso dos novos filósofos  –  Henri N. Levinspuhl, escritor, professor e filósofo contemporâneo.

A muitos parece tão difícil ouvir a verdade, que só um inimigo se dispõe a esfregá-la em seus rostos. Inexperientes de suas nobres alegrias, não confiam que ela superaria seus prazeres de momento; pois só quem se deixa corrigir pela verdade acaba por reconhecê-la como “o que de mais agradável se pode ouvir”. Mas, convenham os que me leem, esse dito platônico provoca a mais contida das ironias, e já que as coisas mudaram um bocado! De fato, se os filósofos antigos antevissem os rumos da filosofia, tratariam de precaver-se contra seus sucessores. Pois como Platão, que tão nobremente exortava Dionísio a passar “da mentira para a verdade”, pode ser filósofo como os que, longe de aconselhar tão extravagante mudança, preferem atravessar o rubicão e justificar a mentirada de cada dia? Como o filósofo grego conceberia uma filosofia que, ao invés de lutar contra a decadência político-cultural, instigasse tal declínio com malícias psicológicas e tramoias teóricas? E não é o cúmulo que essa astúcia toda vocifere contra uma idealidade platônica, supostamente sem contato com o mundo real? Quem acusa a filosofia platônica de apartar-se do real parece esquecido de Sócrates a avaliar as teorias sofísticas com exemplos da experiência comum, e de como ele conferia a veracidade das teses intelectuais evocando vivências tão simples. Era reconhecendo a lógica inerente à realidade que Platão tomava esta avaliação precisamente como a mais apropriada, sobre o que nos legou o dito de que “para tudo a melhor pedra de toque é a experiência”. Mas, estranho quanto pareça, seus críticos modernos, que devem ter conquistado espaço na história da filosofia graças a admiradores muito perspicazes, pensaram, em contraste com Sócrates e Platão, que o discurso mal se comunica com o real. Quer dizer, ao tempo em que – vá alguém entender – acusam Platão de haver-se apartado da realidade! Esses novos “filósofos” são gente engenhosa, a ponto de, no fundo, ninguém saber como descobriram que o discurso, na realidade, não fala do real, ou – o que é mais espantoso – como conseguiram comunicar tal descoberta a seus perspicazes seguidores. Seja como for, através da crença num abismo intransponível entre a palavra e o real, eles acabaram abrigando seus próprios enunciados das experiências concretas dos sapateiros e de toda aquela gente simples com a qual os sofistas não gostavam de ver suas teses comparadas; e, nesse sentido, os novos “filósofos” e os novos sofistas não precisam preocupar-se com quem queira fazer-lhes ver umas coisinhas.

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Agora entendi!

O erro e a ilusão acharam um vasto campo sobre o qual espalharam seus cardos e abrolhos. Por toda parte mentes se mostram tão cronicamente enganadas que, quem na segunda-feira obtém êxito em fazer uma pobre alma compreender algo sobre o que ela tão-só se imaginava douta, já na terça a ouve dar uma declaração muitíssimo séria com a qual demonstra não haver entendido nada.

Henri N. Levinspuhl

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Do Engodo Filosófico Ao Sofisma Virtual

(Day)

Platão – foto

É impressionante a quantidade de homens que se dizem filósofos na rede virtual. Homens que não conhecemos pessoalmente; não convivemos, e não observamos seus hábitos, o que não nos impede o deciframento de sua personalidade, sem muita dificuldade.

A Filosofia, segundo Platão, trata de generosidade acima de tudo. O homem que, de fato, consegue enxergar um novo mundo, certamente, e vide o Mito da Caverna, necessariamente volta ao lugar primitivo da ignorância e “salva” aos demais.

Então, me pergunto como um ser humano de caráter duvidoso, desonesto em suas ações, parcial e radical poderia se considerar um filósofo, se nas entrelinhas de sua obscura alma, ele vitupera os direitos das pessoas, conspira massacrar sua psiquê, alienando essas pessoas segundo seus pessoais propósitos. E, acima de tudo, vulnerável, deixa claro que alguns arquétipos jungianos o direcionam peremptoriamente.

Arquétipos estes que os denunciam, tais como a persona, que é a máscara que usam para mostrarem-se às pessoas como desejam ser vistos (hipocrisia). Anima e animus, arquétipos que mostram o lado feminino no homem e vice-versa, por isso, não raro estes homens dão “chiliques” diante de situações extremas.

Contudo, considero o arquétipo sombra – o self, o mais visível e risível nestes homens, que é a parte animalesca da personalidade que conota desejos imorais, violentos e inaceitáveis. Estes homens geralmente não conseguem omitir o self. Têm ataques de fúria constantemente.

Dormem e acordam com a consciência “limpa” porque faz parte de sua personalidade não sentir culpa; retrato de psicopatia, uma vez que não lhes resta boa consciência para medir seus atos. Jamais sentem empatia, que é o dom de se colocar no lugar do outro, todavia, almejam toda a atenção para si.

Muitos desses ignóbeis seres estudam Direito, o que geralmente justifica o gosto pela Filosofia, mas não a tendência para filosofar, não a capacidade de pensar a vida. São, em sua maioria, dignos de compaixão pelos verdadeiros filósofos que o analisam, desde Platão.

Citei Platão e passei por Jung, porém não quero me estender. Apenas deixar um alerta sobre esta estranha “dobradinha” filósofo/advogado.

Neste caso de evidente engodo, pura falácia existencial, o conselho é que nunca se confie em um jurista que se diz filósofo, sem antes verificar  se há generosidade neste ser. Desta forma, qualquer leigo poderá perceber a fraude em tal homem.

Platão disse que “você pode descobrir mais a respeito de uma pessoa numa hora de jogo do que num ano de conversação”. Experimente jogar, seja o jogo que for, com este tipo de homem e você descobrirá coisas que o espantarão, a princípio, mas que fará com que você mesmo cresça sobre a desgraça do fraudulento jogador.

Geralmente, estes atores da filosofia, deixam marcas e rastros que podemos, facilmente, identificar. Por exemplo, disse Platão ainda que “a coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento”. Em geral, esses filósofos leem muito, devoram livros, e passam uma imagem de muito conhecimento, grande sapiência, contudo, como pensou e descobriu Platão, são enganadores, no momento em que não sabem fazer uso de tais conhecimentos. Antes, agem como quaisquer estúpidos ou néscios.

Este artigo é uma reflexão a respeito do que passei, recentemente, no blog Duelo de Escritores quando, sem percebê-lo, fui sendo levada por uma corrente maligna que visou deixar-me em profundas águas amargas. Todavia, tornar-se-á toda maldição em bênção, pois que voltei a fazer o que mais gosto: pensar o ser humano. Independente de quem ou o que seja, eu termino por amar o que eles me fazem passar, pois cresço e sinto-me melhor, afinal, Platão, mais uma vez, concorda com meus sentimentos ao dizer que “quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado.”

Sendo assim, espero que este depoimento reflexivo o ajude a entender melhor as falácias do homem/advogado/filósofo. Eles estão em toda parte, principalmente nesta era de pós-modernidade. Buscam, ora a luz, ora a escuridão. Nada seria condenável se tal homem incluísse algumas almas em sua luz.

Observe as características supracitadas e te sairás ileso das armadilhas destes seres humanos. Os modernos sofistas da rede virtual.

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O modelo e os postiços

Existe uma ligação entre o piedoso e o divino, um elo que torna a piedade sensível de modo misterioso e inexplicável. Na esfera artística ou sapiencial, essa sensibilidade é tão indispensável como a consciência acesa, sem a qual arrazoar sobre ética não passa de um intelectualismo vão e antiético. Com efeito, não só precisou desse elo o homem notável que, em originalidade, fez história nos assuntos do espírito; pois ele também é imprescindível entre os que se dispõem a estudá-lo. Sem aquela sensibilidade, o exame de seu pensamento é desastroso como os descaminhos de um péssimo discípulo. De fato, muitos se afastaram de quem pensavam aproximar-se, e é invariavelmente mais fácil achar um arremedo, algo bem postiço e que, em investidas teoréticas e controvérsias seculares, passe longe daquela sensibilidade espiritual. Em Sócrates, ela move as peças no tabuleiro do diálogo. Isso pode parecer uma fantasia e uma mistificação para os que jamais experimentaram uma vida mais espiritual e interior, e existe mesmo uma vã filosofia que de nada disso suspeita, sendo inclusive mais aparentada a tudo contra o que a ironia socrática tão graciosamente combateu. É isto. Ainda que se escrevam mil teses anuais sobre Sócrates ou se organizem simpósios frequentíssimos sobre o ironista grego, o que essa espécie de arrazoado faz é coisa morta como a montagem paleontológica de um esqueleto. Aliás, nos dias em que o iluminismo vestia a pele do leão, bem viu Hamann que debaixo da pele estava o esqueleto do leão, e posto que o leão não estivesse vivo, a pele era apenas um disfarce da carcaça, do esqueleto anatômico. É claro, a ignorância socrática pode tornar-se símbolo de um ceticismo com o qual nada se possa saber ou querer saber do que é divino; mas, para tanto, enquanto bandos de intelectuais exibem uma demonstração erudita dos limites da razão ou se esforçam para propagar a ideologia sociopolítica destes tempos, enquanto arrebitam e olham para baixo, esquecem-se de que, conforme Platão, Sócrates desembainhava sua ignorância como uma missão divina.

Henry N. Levinspuhl, escritor e filósofo.

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MOMENTOS QUE PRECISAMOS TER NA VIDA…

“Há horas em que alguém se esquece do mundo; há horas em que alguém se aproxima dessa região de bem-aventurança, na qual a alma se acha contida dentro do eu, e em presença do Altíssimo. Cala-se, então, o clamor dos desejos; tranquilizam-se os sentidos. Só Deus é.” (Pensamento Oriental)

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HENRI  N. LEVINSPUHL – Escritor

Reviravolta na história da filosofia II

Em seu ideal ordeiro, os antigos filósofos observavam as constelações celestes e não concebiam, no universo do espírito, um arranjo menos perfeito que o encontrado na ordem natural. Já seus seguidores modernos militam pelo caos livre, dispostos a conquistar os méritos das órbitas em colapso. Se os pré-socráticos, em favor da filosofia, deixaram o caos mitológico dos gregos, a mentalidade filosófica moderna preferiu abandonar o mito em sentido didático e ideológico, dedicando-se, enfim, a seu projeto escandalizante de iluminar bruscamente o caos. Para um pensador prafrentex, a pobre gente do cotidiano a toda hora esconde o caos real sob um sentido ordeiro forjado. São os costumes e as convenções do povo que enxergam ordem em montanhas arborizadas, ipês amarelos e noites estreladas. Naturalmente, um pouco da nova filosofia dará jeito em quem a escute, e os que antes viam ordem no quebra-mar, num jacarandá florido, ou mesmo no logos, compreenderão que esses e outros mencionados espetáculos em nada diferem dos estragos causados por terremotos e tsunamis, no mundo natural; e pela nova sabedoria, no universo do espírito. Essa sabedoria nova é errática e astuta, a exemplo da filosofia que é sofística. Por isso, nos momentos da ambição, ambas admitem uma ordem quando antes só confessavam caos e turbilhão – admitem-na ao menos quando projetam uma nova ordem mundial a emergir do caos. Assim, se em sentido político Platão presava a harmonia das partes como a dos órgãos do corpo, os filósofos agora não desprezam a desarmonia entre classes, e sequer uma boa pitada de pânico caótico, se dele o novo príncipe extrair poder progressivamente maior para seus ideais de revolver o mundo inteiro. E é segundo essa novíssima ordem que se pode compreender o papel do novo socratismo. Porque Sócrates foi vítima da injustiça; mas os novos filósofos, se não fazem de tudo para encurralar as suas, endossam a elaboração de uma legislação que mal disfarçadamente proveja invejosos e potentados de um pretexto para uma nova sorte de injustiça – se é que cabe chamar nova a injustiça que maquina em bandos e vocifera em multidão. Nesse sentido, faz bem lembrar que as denúncias do povo não partiram dele, e assim como, em seu meio, os escribas do templo se puseram a gritar: crucifica-o (com que o povo, a uma, correspondeu em responsório), também nestes anos avançadíssimos é gente influente a que se põe a instigar uma multidão de mente aberta e vazia, a fim de que esta faça bom uso do disk denúncia. Trata-se do paralelo das coisas que trafegam em mãos contrárias. Desde o iluminismo, os filósofos se separaram cada vez mais dos profetas e do filho do carpinteiro. Isso avançou tanto a ponto de que o novo modelo socrático prefira, senão os saduceus do templo e da teologia, ao menos os Ânitos e Meletos – e não à toa, já que, no progresso da dialética histórica, eles se transformaram nos seus contrários. Assim, é apenas embaraçoso que a aparência das coisas tenha feito da filosofia uma sofística, porque essa troca de naipes foi absolutamente consequente com o sentido histórico elaborado teoricamente por pensadores engenhosos, crido cegamente por militantes universitários, e repassado culturalmente para fins de reprodução automática e inconsciente do respeitável público.

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Um comentário em “Filosofia e Reflexões

  1. Estou feliz com esta nova página. Espero proporcionar bons momentos de leitura e reflexão aqui, selecionando pensadores de excelência, para que nossas vidas melhorem cada vez mais. Beijos, professor Henri.

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