O VOO SENSUAL

A sensualidade é a percepção de todos os sentidos em alerta maior, para que a consciência, previamente preparada, deixe-nos alcançar sensações tais como voos de animais sagazes e ávidos por se alimentar de todas as formas. Acasalando-se e recriando-se em doces ciclos naturais, sim, é a natureza nos prevenindo da importância dos sentidos, porém parece que em nós – amargos humanos – os sentidos não nos são preciosos, uma vez que importamos do mundo exterior, amores e desejos pré-ajustados para uma maquiagem sinistramente desprovida de originalidade, e tão comum a ponto de um simples voo de uma ave qualquer nos envergonhar por nossas podadas asas humanas.

Peter Brook pensa Shakespeare, Artaud… mas só em inglês, mesmo no Rio

Estou voltando a escrever para o teatro, minha paixão insana. Por isso este post.

No início era o verbo; teatro era o circo que chegava nas cidades. Lá pelo século dezenove, Shakespeare era encenado em praças públicas, ao ar livre. E, pasmem, o teatro era para o povo, o inglês falado era popular, ao contrário do que pensam alguns empertigados do meio.

Mas o que quero falar mesmo é do dramaturgo inglês Peter Brook.

Peter Brook é, para nós, uma espécie de mestre maior da dramaturgia do século vinte. Recentemente foi agraciado com o Prêmio Ibsen, da Noruega.

Aqui, no Rio de Janeiro, estreou em curtíssima temporada, a nova produção do dramaturgo, “Warum, Warum (Por Quê? Por Quê?)”, um mergulho que Brook faz em textos de Antonin Artaud, Edward Gordon Craig, Charles Dullin, Meyerhold, Zeami Motokiyo e Shakespeare, buscando respostas para a própria dramaturgia.

Não assisti ao espetáculo por dois motivos. Um, que não era exatamente prioridade, dado o leque de opções. Segundo, porque o espetáculo, com a atriz Miriam Goldschimidt, é falado em inglês, sem tradução. Não domino totalmente o idioma, então linkei Shakespeare do século dezenove, encenado para o povão, a esse clímax experimental. Claro que foi espetáculo para poucos assistirem.

Teatro não é acessível no sentido popular, o que já é um erro no Brasil. E termos espetáculos falados em inglês no Rio de Janeiro, soou mal aos meus ouvidos, principalmente pela recente enganação de termos tido um Gilberto Gil na Cultura.

Teatro deveria ser para o povo. Porque teatro é consciência e protesto. Político, informativo, reflexivo, e sem vínculos mundanos.

Sorry, Sir Brook.

SARTRE – A eterna Existência

 

Jean Saudek’s photo

 EXISTENCIALISMO

“Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim, não há natureza humana, visto que não há Deus para a conceber…” Jean-Paul Sartre

 O QUE DIRIA SARTRE HOJE, NESTE MOMENTO TECNOLÓGICO? O EXISTENCIALISMO MANTERIA A INDEPENDÊNCIA DO HOMEM, AINDA NEGANDO A DEUS?

AS IGREJAS ESTÃO MASSACRANDO HOMOSSEXUAIS E MULHERES QUANDO INTERFEREM NA ESCOLHA ÍNTIMA COMO NA QUESTÃO DO ABORTO. ONDE SE PRESERVA A ESSÊNCIA DAS MINORIAS ?

    

AS IGREJAS AINDA MANIPULAM EM NOME DE DEUS. EXISTENCIALISMO É ISSO. PERCEBER QUE QUANDO SARTRE FALOU, ESCREVEU E VIVEU NA INDEPENDÊNCIA DE SI PRÓPRIO, ERA PORQUE NÃO ACEITAVA QUE A ESSÊNCIA DO HOMEM PUDESSE SER SUBJUGADA.

  “… Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsablidade da sua existência. E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens.”
Jean-Paul Sartre