Renovação

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Assim como as águias, devo parar, vez por outra,  para questionar opções na vida. Repensar no tempo dos meus sonhos.

Elas, essas aves adivinadas, perdem um precioso tempo quando decidem pela renovação, ou seja, recolhidas no topo de alguma montanha, esperam com a paciência dos dias, pela misericórdia do renascimento.

Lá no alto sobrevivem em pleno sofrimento, e esperam o renascer do bico para assim arrancarem as velhas unhas. Com as novas unhas, retiram dolorosamente suas penas. Sem contar sua valentia ao violentar seu antigo bico contra a pedra, para início de sua renovação. Aí, ela se cala, e aguarda.

Assim somos nós. Talvez, menos corajosos que essas aves, mas também somos passíveis de renovação.

Doer, dói. E muito. Entretanto, se vejo pelo lado milagroso da escolha, ou seja, do direito de voltar à vida, livre de velhas e cansadas atitudes, é possível voltar a ser feliz e voar de encontro ao novo dia. Poder ser eterna depois da dor.

Águia sou eu também. Difícil é me recolher nas montanhas, arrancar o bico, retirar as unhas e depenar-me em plena solidão.

Porém,  não custa tentar. A natureza me ensina.

 Eu desejo os céus, entretanto, sou antes, discípula da águia.

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