DOR

Não fosse o milagre de acordar todos os dias renovadas, muitas pessoas cometeriam o suicídio. A renovação em questão alivia a dor passada, contudo, não garante novas manhãs belas e perfeitas; apenas que algo inusitado pode acontecer; e esta expectativa basta para que  suportem todo tipo  de sofrimento imposto pela própria negação de um administrador. Pelo constrangedor comportamento que assumem, tais pessoas aprendem, ao longo de suas vidas, que a independência as legitima enquanto ser pensante. O preço pago por sua decisão é aceitável, já que não cogitam a morte. A questão são clichês do tipo ser feliz para sempre, do seu jeito. A única falha em tal estilo de vida, é não perceberem que a morte pode ter vários significados, já que tanto elas quanto quaisquer outros têm o direito de olhar a vida sem, contudo, driblar como num ginásio de patéticos iniciantes, a mais cruel e definitiva realidade da gente: a morte as deixam estúpidas e vulneráveis diante de toda sua teoria estilosa de vida, quando se tornam adubo, e apenas isso é real – a continuidade dos ciclos e das manhãs ensolaradas, mas só que sem a presença delas.

PAZ E HORROR

Agrego nas entranhas todo um desejo místico, com simples e ingênuo sonho que não pode ser realidade. Desta forma, encontramos – através de muitos caminhos – portas, saídas de escape para sanar a dor da verdade cruel e mítica. Nada é tão hediondo que não possamos deixar mais complexo do que nossa própria experiência possa sentir. Nos calabouços de toda condição humana, prescrevem-se leis de todo o universo. A nós nos resta tão-somente a dor real da passagem de toda gente pela terra viva. Depois, apenas a morte a nos trazer prazer e alívio momentâneo quando ainda não é nosso cadáver nas catapultas da alma carrasca que domina e sempre dominará as espécies do mundo conhecido.

VAIDADE

MULHER ESQUELETO

DA VAIDADE PORQUE TUDO É VAIDADE

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.” (Eclesiastes1-2)

A palavra ‘vaidade’ tem uma semântica interessante. Semântica vem do grego σημαντικός, sēmantikáv, ou seja, o “estudo do significado”. Em nossa língua, vaidade tem dois significados.

– Pode denotar orgulho excessivo, prazer em chamar a atenção. Exemplifico com a onda da ostentação entre os artistas de rap, funk, e os chamados sertanejos. Bem como os jogadores de futebol, exibindo suas posses e mulheres lindíssimas.

E, por falar nisso, as mulheres também, principalmente no Brasil, têm gasto verdadeiras fortunas; ‘poposudas’ quantias para se sentirem desejadas e amadas, elevando a aparência física ao mais alto patamar de sua existência.

Atualmente tais pessoas são conhecidas por “Ubersexuais”, ou seja, são indivíduos que gostam de se destacar, aparecer mais que os outros.

– Contudo, há outro significado para vaidade, onde se lê quão vãs as coisas podem ser. Evidentemente, ambos os significados são interligados, uma vez que nossa existência é finita. “Que grande inutilidade, diz o mestre. Que grande inutilidade! Nada faz sentido” (Eclesiastes1-2).

Certamente, muitos não haveriam de concordar, tendo sua visão de mundo limitada à matéria. Por outro lado, há que se concordar que tudo passa. Portanto, tudo é vaidade em toda a semântica que o substantivo feminino nos ensina.

Um dia este post não estará mais aqui. Muito menos eu.

Fontes:
http://www.bibliaon.com/eclesiastes_1/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sem%C3%A2ntica

Por Luciano Ayan

 

Uma tática para devastar a apologética neo-ateísta: a tática Prometheus

 

Engineer

Quando um neo-ateu faz sua apologética, tentará arrumar contradições para Deus e a Bíblia a todo momento, mas sempre o fará com o uso de alguma fraude intelectual. (Isso não significa que eu queira provar a existência de Deus. Aliás, demonstrar a lógica ou não de um pensamento não é mesmo que a definir comprovação ou não da existência de Deus)

Além do mais, o neo-ateu é incapaz de perceber o quanto está sendo ridículo em sua atuação, e tudo isso fica facilitado pelo aspecto “nublado” do escopo de existência de Deus. Por exemplo, a Bíblia não diz onde Deus vive, o detalhe de suas motivações e daí por diante. Em torno destes aspectos pouco detalhados, fica fácil para o neo-ateu criar situações de contradição no comportamento de Deus, e, em seguida, usar essas alegadas contradições para constranger um cristão, judeu ou islâmico.

Uma forma de se resolver esse problema é desnublar esse cenário, tornando-o tangível e substituindo a questão do Deus bíblico pelos engenheiros do filme “Prometheus”, de Ridley Scott. Embora a idéia possa parecer incômoda à primeira vista para um cristão purista, o efeito no debate é devastador, pois torna tudo tangível, e todos os argumentos apologéticos do neo-ateu podem ser colocados sob teste. (Note que esta metodologia serve para os argumentos apologéticos dos neo-ateus, isto é, aqueles que são mais filosóficos)

Vamos a um exemplo.

Imagine um neo-ateu que chegue dizendo que “não é possível existir um ser onisciente, que saiba tudo o que vai acontecer, e eliminaria o livre arbítrio dos humanos”.

Transpondo para o universo do filme Prometheus, os engenheiros estariam no papel de Deus, e poderiam conhecer todas as opções que os seres humanos tomariam,e ainda assim isso não eliminaria o poder de escolha do ser humano. Supondo que os engenheiros teriam como antecipar e burlar as regras de “espaço-tempo”, um ser humano poderia escolher suas ações, e um engenheiro poderia saber qual ela seria de antemão. Com essa contextualização, já fica claro que não existe contradição entre onisciência de um criador (que tenha superado as regras de “espaço-tempo”) e o livre arbítrio de sua criação.

Suponha agora que o neo-ateu surja com o paroxo da onipotência. O truque é mais ou menos assim: “Poderia Deus criar uma pedra que não consiga levantar? Ou poderia Deus deixar de ser Deus?”

Transpondo para o universo do filme Prometheus, bastaria contextualizar os engenheiros como donos de todas as possibilidades em relação aos seres humanos, e são capazes disso por que são os criadores dos seres humanos. Eles ainda assim poderiam criar uma pedra que não conseguissem levantar por si próprios, mas poderiam continuar movendo as pedras relacionadas ao mundo dos humanos. Como se vê, a onipotência percebida por uma criação em relação ao seu criador, não limita a onipotência do criador em relação a esta criação. Se esta pedra criada pelos engenheiros não fosse possível de ser levantada pelos engenheiros, isso em nada implicaria na onipotência com relação à sua criação.

Note que é uma abordagem preliminar, mas o objetivo é levantar questões e contextualizar aquilo que fica “nublado” no discurso.

Com um cenário tangível, fica muito mais difícil praticar uma fraude intelectual, pois trabalhamos com “modelos” que podem ser descritos em detalhes de seu funcionamento, ao invés da mera elocubração metafísica.

É importante notar também que o cenário do filme Prometheus não serve para provar a existência de Deus (a meu ver, nem a existência de Deus nem sua inexistência podem ser definitivamente provadas), mas sim para testar as contradições alegadas nos atributos de Deus.

Considerem a tática Prometheus como um antídoto contra a pseudo-intelectualidade neo-ateísta.

Do blog

http://lucianoayan.com/2013/01/03/uma-tatica-para-devastar-a-apologetica-neo-ateista-a-tatica-prometheus/#comment-13292

Ciência, crença, ateísmo ou lavagem cerebral?

Pois é.

Dificilmente a Dai disserta sobre assuntos do tipo ‘papo cabeça’. A não ser quando a cabeça em questão, se assemelhe a uma cabeça de bagre.

Explico. Ah, eu preciso falar.

Conversando, harmoniosamente com uma pessoa evangélica, tive que ouvir algo que realmente me fez rever minha condescendência com as religiões cristãs.

Falávamos mansamente sobre questões da espiritualidade. Da dualidade empírica, do demônio, enfim, analisávamos a influência do Bem e do Mal em nossas vidas à beira do Apocalipse.

O papo até estava agradável, pois eu percebia – surpresa – que a pessoa deixava que eu falasse, sem me interromper com frases do tipo: ”Jesus te ama’ ou ‘Está tudo na Bíblia’. Era uma manhã calma e esse meu vizinho aqui no prédio sorria e eu também sorria.

Por um momento pensei seriamente em dar atenção às suas filosoficamente fechadas idéias de postura humana. Ok. Eu estava inebriada por olhar nos olhos sinceros de alguém tranqüilo, que falava com prazer e misericórdia sobre céu e inferno. Até eu mencionar as drogas da natureza, tipo maconha, ou canabis sativa, cocaína, cânhamo, payote, cogumelo etc.

Sei. Reconheço que fui provocativa, mas o olhar do meu vizinho já não era tão santo. Então, pensei: Lá vem bomba! E não deu outra. Em plena manhã de quinta-feira, eu meio dura, véspera de receber a merreca para pagar as contas, ouvi daqueles lábios suntuosamente felinos:  “Quem disse pra você que maconha é de Deus?”

Eu:

_ A Natureza é de Deus ou não?

Ele:

_ A maconha e a cocaína não são de Deus!

Eu:

_ Neste caso, há dois Criadores, digo, um fez o pé de mamão e o outro a canabis sativa? Dois Botânicos, um do Bem e outro do Mal?

Como terminou esta discussão natural?

Das duas uma: ou ele é louco mesmo, ou eu ainda tenho muito que aprender.

(De quebra rolou melancolia dos meus tempos de adolescente pinkfloydiana)