Noites Prolixas


Enquanto não me animo com a casa nova, resolvo passar aqui e acender as luzes um pouco. Deu uma raiva porque tropecei em vários cacarecos pelo chão. Alguns cômodos engordurados e tantos rascunhos sem sentido arquivados. Pensei, ainda com raiva, quanto tempo perdi alienando-me em meu próprio umbigo, fazendo HQ com minha vida, sendo egoísta, frívola e pouco amiga dos vizinhos, indo visitá-los pouco como se me bastassem minhas besteiras. Muita poeira, candelabros quebrados, cortinas enroladas. Da última vez que tropecei foi em alguns contos estranhos com cara de Penélope Cruz sem Oscar. Um abandono reina aqui. Mas acendi as luzes e vou dar uma arrumada, afinal é final de semana e estou mesmo com preguiça de me mudar agora. Japão chama minha atenção e terremotos me lembram que preciso profetizar, esgoelar e ah! Voltar a tocar violão, eis uma novidade. Luzes acesas me lembram final de baile. Neste caso que bom que acabou a festa da aranha soturna. A noite foi longa demais, a estadia da agonia romântica me deixou sem ar. Rarefeita em minhas necessidades, sei que preciso me nutrir dos outros, amar os outros. Lê-los. Bem, luzes acesas, vou dar o fora. A bagunça me assusta. Aos poucos eu limpo tudo e, quem sabe, até me mudo. Por enquanto fico por aqui, neste kitnet que era Fênix. Fênix não dá mesmo, a mitologia que me desculpe, mas viver é preciso. Pisei em algo de novo! Ui! Na minha prolixia. Vou embora. Pegar as bolsas. Hoje é dia da coleta. Muito lixo. Boa noite. Sem apagar as luzes.

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Boazuda e malzuda

Ser bom ou ser mal. Talvez ser idiota seja mais fácil. Porque não há como opinar. Nem bem nem mal. Ambos coexistem em teu interior, e no meu também. O que pode fazer a diferença é a educação ministrada em cada ser, de preferência na infância. Besteira e baboseiras. Maniqueísmo é papo de botequim, como futebol e mulher pelada. Tudo é bom e tudo é mal. Depende do teu pai e da tua mãe. Um menino aqui quebrou a perna de um gato de rua. Outro chegou, ficou com pena mas nada fez, nem comida deu, sendo sua mãe dona de retaurante. Hpocrisia incutida na raça humana.
Só pode ser o capeta mesmo, porque é inegável que somos feitos de amor. Questão de educação. Minha filha não tem. Eu dei, eu dei, entretanto não entrou, não pegou. Seria então questão individual? cada ser é mesmo um idiota individual?
Irônico notar que o gatinho continua meigo e amigo dos que o maltratam. Eu o maltrato, pois não o retiro da rua.
Já tenho vários bichos.
Eu sou bicho. Hipócrita, reconheço, miauu, pobre gato.
Nada de sete vidas. Bem e o Mal. Gato do diabo. Pro inferno o homem crente de idiotices. Vou passar por debaixo da escada e rir do vampiro. Meu vizinho é vampiro, cresci com essa lenda aqui no condomínio. Quem é bom e quem é mal? Vou morrer pensando. Ou não. Posso ficar boa antes.

Antiga e maravilhosa

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Nostálgico

Tudo já foi melhor.
O Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa. O que eu posso dizer? Ela, a minha cidade, ainda é uma beleza. Jardim Botânico, Santa Teresa, Ipanema, Prainha, Jacarepaguá. Centros culturais. Teatros, muitos teatros e cinemas. Shows na praia de Copacabana. Poetas, cervejas e orações no fim da tarde. O Rio é lindo. Talvez, e só talvez, sejamos apenas um reflexo de um mal entendido: Que parte, nós, homens falhos, não entendemos de “nos amar uns aos outros”? Porque a violência e o descaso com vidas humanas ultrapassam as barreiras cariocas. As fronteiras. Mundo a fora, o homem tem matado homem. Crianças estão sendo aliciadas, abusadas, beijadas à força. Antigamente, não existiam internet e nem Mc’ Donalds. Não havia sexo perigoso, e autoridades eram respeitadas. Tinha que tirar nota boa e ir para a faculdade federal. Violência? Era menos, exceto a fase ditadura militar na América. Dormia-se com tranqüilidade, não se sabia o que eram estampidos. Tiros. Sangue. Podia namorar até tarde na praça. No cinema. Sem drogas, a alegria era genuína. Bons tempos o planeta viveu. Não deveria ser assim.
Mas, tudo passa…

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