Dele a Elegia

Ainda ouço ao longe a música do Violino...
Ainda ouço ao longe a música do Violino…

Como magia ou outro fenômeno qualquer

naquele momento deixei de ser artista

estanquei de ser mulher.

Vibrei o instrumento na vidraça

e o som das lascas de madeira, os cacos ruidosos

confundiram-se com a dor da tua elegia – Por que a compuseste?

Olhei a música quebrada

e notei nacos sangrentos espalhados no piso frio de nossas almas.

Apertei com força meu pulso e tua fronte – como estancar tal agonia…

Abracei-te dilacerada, quis morrer para sanar o teu martírio.

Rios de lágrimas beberam meu coração emudecido.

__ E a música, penosamente, sussurrou e não nasceu

pois que, só e lentamente, com os dois pereceu…

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Black Beijo

 

Não haverá beijo em tão longa distância. Minha África é cerebral, meus medos são todas as bombas estourando no mesmo instante. Não, não poderei beijá-lo jamais. Para mim sempre foi pedreira, escarradeira, todos os meus amores desaparecem como a chama virtual de vitrines em prostíbulos. Minha alma não tem jeito. Por isso não haverá beijo.

 

Tu & Eu Destino

bgb

Lancei o desafio na cara do destino.

Desde o início desconfiei que ele me odiava.

Olhei suas narinas através do espelho.

Os olhos eram negros flamejantes;

A boca retorcia um sorriso, mas eu não me detive em ilusões.

Nos enfrentamos desde então.

Onde vou, lá está ele, a me cativar com feitiços e betume

Em quadros que me dei conta que foram pintados com meu sangue,

Em cada ano, em todas as esquinas.

Suspiro toda vez que o eucalipto de minha terra cheira tão forte que desmaio.

Quando recobro os sentidos, morro de novo.

E de novo.

E de novo.

Ansiosa, imagino a morte.

FUTURO

 

Anda ainda o homem-macaco

a falar das coisas vãs.

Ele se sente o rei de todos os reinos.

Na idiossincrasia vestibulanda,

ele trapaceia;

ignora todos os códigos – de honra, genéticos.

Vale quanto pesa sua consciência,

contudo, ele não possui mais a mente brilhante;

ele já foi à lua, e também chorou na rua.

Leu Darwin, Dawkins, o diabo a quatro.

Este homem está morto

e o século é o XXXXXXX.

Boyfriend’s Day

flor negra2Não é pelo dia aclamado, nem por força do meu âmago,

Não é o frio no estômago, talvez nem paixão seja.

É como um mistério, uma vontade maior que eu,

Maior que meu corpo. Não quero explodir o mundo,

Não quero trair você, só precisava voar até lá,

No Sul, no castelo de outro Rei por um segundo.

E depois voltar, com meus lábios inflamados,

Talvez alguma decepção, heresia na alma,

Outra cama em vão?

Contudo,preciso ir lá, atravessar a ponte

E cavalgar até cansar.

Depois, sentada à beira de um córrego,

Recarregar as forças, guardar as rosas que ele me deu,

 Perceber que, aos poucos, na medida em que saía

De perto de seu castelo,

Voltava sozinha, pela noite escura,

Mordendo o mesmo lábio que você chupou batom.

E tudo está bom, apesar do meu bardo,

Do dia dos namorados, apesar de mim…

O que restou, além dessa saudade da noite

Em que com ele estive, mas apenas em sonhos,

Sonhos para outros sombrios.

Para mim, necessários,

Imprescindíveis, cortantes, quentes.

Caem lágrimas e pétalas

Das flores que enegreceram

Com o veneno do Rei

Que, ao me deixar,

Estancou meu sangue que circulava,

Mas era somente por ele,

O clérigo Rei do meu

Desatino.

E mais ninguém.

Leviana literatura

Andei em uma estrada escura,

Tinha muita bebida, porém pouca leitura.

O tempo foi longo, demorado…

Nem luz de velas, nem de lampião:

Estava sempre escuro

E era sem energia meu coração.

Algumas vezes até tropecei em livros,

Entretanto, o fogo das velas

Lambia as páginas, antes de lê-los.

A estrada parecia infinita,

As curvas derrapantes não eram bonitas.

Foi quando pensei: livro, por que de ti me privo?

E assim, como num romance

No espaço entre a curva e o nada,

De alguns tornei-me enamorada.

Acenderam-me mente e olhos – eu estava apaixonada!

Não por um, ou por dois,

Eruditos ou hereges,

Talvez sejam muitos…

Ainda hoje, levo uma vida dura,

E apesar de leviana, iluminada

Nas páginas da literatura.

 

Parceria – Beto Júnior