Fugindo das proibições, caiu em desatino pela Princesinha do Mar

              Quimera e loucuras, mas nem tudo é possível em Copacabana

Como não estou de TPM literária, o escritor Vogan Carruna passará pela malha fina sem muitos arranhões com seu conto Só mais um dia por aqui que está concorrendo na rodada do Duelo de Escritores, um blog de exercícios literários repleto de controvérsias, porém inegavelmente excitante no que tange à discussão e aprendizagem na arte de escrever.

Para quem não está acompanhando a via crucis, trata-se de um jogo onde, a cada quinzena, o ganhador da última rodada escolhe um tema para ser desenvolvido, fazendo com que muitas vezes os concorrentes, por falta de inspiração, tropecem em suas criações, já que são impulsionados por qualquer coisa, menos pela inspiração criativa. Vá lá, até aí morreu Neves.

Nesta rodada, o desafio da galera é escrever um conto ambientado em Copacabana, sendo, contudo, proibido usar 100 palavras que o autor do exercício, José Castello, chama de clichê , no que foi cegamente seguido pelo escritor e moderador do blog, Jefferson Maleski, um controvertido crítico de artes que, vez por outra, credita valores inexistentes a trabalhos literários, talvez para manter seus fiéis escudeiros, os participantes lá do blog.

Mas hoje é o dia de Vogan Carruna!, um bom escritor que representa, nesta rodada, minhas análises sobre o absurdo de se criar sob pressão, principalmente de proibições.

Quimera dos inocentes

Ao ler o conto de Carruna, a primeira palavra que me veio à cabeça foi quimera. Passei horas pensando no porquê desse substantivo feminino martelando em minha mente. Claro que, de cara, vi que a estória era totalmente inverossímel, com muitas deficiências,  abusando de uma linguagem coloquial que me lembrou alguns filmes nacionais e telenovelas, onde o roteirista e o escritor não conhecem a realidade do que escrevem quando o assunto é malandragem carioca.

O autor poderia argumentar que não se trata de malandros, mas de policiais malandros. A diferença seria pouca. Na verdade o policial malandro nem sempre usa gírias, porém geralmente faz uso de palavras obscenas, grosseiras e ofensivas, ou seja, os famosos palavrões. Pode até ser considerado estilo do autor não usar tais termos em suas criações, o que é uma pena, pois assim ele acaba com a verossimilhança dos personagens, conotando sua própria personalidade (a do autor).

O escritor que não faz uso correto da linguagem coloquial em seus personagens, geralmente é preconceituoso,  medroso, ou os dois, e isso prejudica sensivelmente suas obras. Melhor seria escolher outros personagens e ambientações, que deixar os personagens à deriva, entregues nas mãos do leitor e do crítico. Uma covardia. “Então presta atenção e tira o dedo dessa p**** de gatilho.” Quem pode levar isso a sério?

O  conto “Só mais um dia por aqui”

Trata-se da estória, até engraçada, de um policial veterano, e um policial novato que vive uma angustiante expectativa ante a disputa pela orla de Copacabana por dois bandidos. A ideia do tira iniciante apavorado pelo iminente confronto é boa, contudo, foi pouco explorada, levando o leitor a uma surpresa no desfecho, não posso negá-lo, entretanto, mais uma vez o escritor  virou criança, conduzindo-nos  a um espantoso o quê?!

Posso entender perfeitamente as limitações em criar quando  são impostas infindáveis regras para escrever. Compreendo que censura na arte é um vômito pela manhã, um absurdo despropositado. Todavia, como diziam os antigos, tá chuva é para se molhar. Ou se afogar, parceiro.

Deselegância, ô loco!

Não foi elegante citar um famoso Morro que está pacificado, o Morro dos Tabajaras, fazendo alusão à violência. Esta e muitas outras comunidades estão pacificadas, o que é uma vitória, não somente para o Rio de Janeiro, mas para o mundo inteiro que vem nos visitar.

E, se a ideia tão singela da disputa pelo “ponto” foi para nos remeter a um Rio de Janeiro lúdico ou  Antigo, não poderia ter citado o contemporâneo crocks, muito menos o sofrível linguajar “cracudos”. Não se trata do “politicamente incorreto”, a arte é livre, mas trata-se da falta de pesquisa ao escrever, uma vez que fazer uso da gíria pejorativa “cracudos”  associada à  orla de Copa, é simplesmente impossível. Os viciados se reúnem em guetos e em linhas de trem, geralmente às portas das comunidades. E, por fim,  falar de crack em um momento em que este – graças a Zeus! – está sendo contido, é realmente um p*** despreparo de pesquisa.

Sentenças ao infrator

Para terminar a reflexão sobre pesquisa na criação literária, aponto mais uma falha do escritor ao dar vida a um personagem que seria dono do Leme à Lapa. Quimera. Do Leme à Lapa, mesmo sendo da mesma facção, não pode existir apenas um dono. Bicheiro? Nem.

Algumas sentenças equivocadas do autor:

“É só uma disputa pela orla.”

“Tu não tá na favela e nem num filme do Tarantino.”

“Um dia vamos subir a Ladeira dos Tabajaras para você ver o que é diversão.”

“Do Leme até a Lapa é ele que manda.”

“… o bicheiro que mandava aqui no bairro. Ele controlava além do bicho, a prostituição e o tráfico.”

“Se o Belzebu ganhar, isso aqui vai lotar de cracudos!”

Finalmente, para não dizer que não falei das flores, destaco positivamente:  alguns poucos, mas cômicos momentos do texto; a coragem do autor em dar alma carioca aos personagens (até agora foi o único);  e apresentar um desfecho menos violento do que o esperado, a julgar pela estrutura do conto.

A nota, de 1 a 5, para “Só mais um dia por aqui” de Vogan Carruna, é 2,7.

Em tempo: A Princesinha do Mar não tem dono, ela é de todos!

A grande coragem, para mim é a prudência. (Eurípedes)

Inté!

A Literatura em Mãos Erradas

                            AI DE VÓS, ESCRIBAS E FARISEUS HIPÓCRITAS!

Louis  Scutenaire

Eu escrevo para libertar o meu cérebro, não para atravancar o dos outros.
   

O homem descobriu a necessidade de se comunicar. Passando da era da oralidade, mergulhou, encantado, no universo das escritas. Desde então, o mundo tornou-se globalizado, comunicando-se mentalmente através da palavra escrita.

Há dois tipos de escritores. Os que vivem para a literatura, seja ela científica, filosófica, ou artística. E os que fazem de tal arte um experimento, como se escrever fosse uma opção. Quando alguém nasce com tal dom, esse escolhido busca um caminho dentro de sua preciosa tarefa na terra.

Recentemente escrevi um conto sobre tal tema, onde um velho sábio explica que cada um de nós nascemos com aptidões e dons distintos. Assim como a atriz Glória Pires que, em certa ocasião, levantou estandarte contra modelos que se diziam profissionais das artes dramáticas, eu, em nome dos escolhidos, levanto minha pequena bandeira contra os falsos e iludidos escritores que vêm perturbando a paz na internet.

Para quem está acompanhando a saga desta aberração literária, sabe que me refiro ao blog Duelo de Escritores. E declaro, sinceramente, que não me causa prazer desenvolver tão cansativa tarefa, todavia, os participantes estão cada vez mais ousados, porém no pior sentido, pois resolveram, agora, defecar sobre as letras, sem o menor escrúpulo. E para quem está desinformado, leia aqui e aqui.

          Vamos às análises dos textos cujo tema foi mancha:

“MEU NOME É” – VOGAN CARRUNA

– O primeiro texto chama-se Meu nome é, do escritor Vogan Carruna que, como era de se esperar, perdeu a linha (do tempo) e virou criança, brincando com rimas pobres, descrevendo, como se fosse para leitor infantiloide, todos os tipos de manchas. O texto é tão didático que presumi que ele deva ser professor do ensino fundamental. E não poderia deixar de observar que este escritor perdido no tempo, ainda analisa os textos dos outros participantes usando a metonímia (ou metáfora?) para tal. Ou seja, “Superpoder” que é quando ele destaca o que gostou no texto. “Criptonita” é a parte que não agradou; e, por fim, ele resume com um “P.S.” que, geralmente, pretende ser uma dica de quem sabe mais. Se isso não for infantil e sem imaginação, nada mais poderá ser. Literatura é justamente a arte de transformação e não da repetição. Enfadonho. Um saco.

                             “O VINGADOR DE SANGUE” – ELAINE ROCHA

– O segundo texto foi O vingador de sangue, de Elaine Rocha. Esta participante é ainda muito jovem, mas, infelizmente, não é o que podemos chamar precocidade literária como o foi, por exemplo, Mark Twain, ou o caso emblemático de Arthur Rimbaud, que mudou o rumo da poesia, aos doze anos, e, claro, nosso amado Álvares de Azevedo que, aos treze anos, dominava o francês, inglês e latim. Pouco depois, traduziu Shakespeare e Byron, já mostrando ótima desenvoltura com prosa, drama e, principalmente, com a poesia.

Elaine Rocha, segundo seu perfil na rede Skoob, já leu 439 livros, aos quinze anos. Notável e digno de admiração. Contudo, como explicar um texto que começa terrivelmente assassinando o português, ao descrever uma vítima de violência física com o predicado nominal inenteligível. Talvez fosse um erro a passar cinicamente despercebido pelo crítico do espaço, Jefferson Maleski, não fosse o fato do paradoxo ler/escrever. Se está provado que quem muito lê, tende a escrever com excelência, prefiro evitar conclusões pessoais e/ou precipitadas.

Todavia,  o fato que mais me chamou a atenção foi que, se com tanta leitura, foi necessário copiar um texto já publicado em seu blog, a candidata Elaine não teria imaginação e/ou talento suficientes para criar um texto especialmente para o evento?

Minha cara, em literatura, nem tudo que reluz é ouro! Enquanto uns proliferam em criatividade, e não nos gabamos – é dom; outros insistem em ser o que jamais serão, porque talento vem de Deus, e sempre há um preço a pagar, acredite. Entretanto, espero que esse comentário abra seus olhos, Elaine Rocha. Para quem está começando, o Duelo de Escritores é o pior lugar para treinar. Basta comparar seu texto de estreia com o fiasco desta rodada.

                  “O SÍTIO, NEM SEMPRE TÃO CALMO” – NATÁLIA OLIVEIRA

– Então o próximo participante é o texto O sítio, nem sempre tão calmo, da insistente ex-futura médica Natália Oliveira. Como previ, a sua participação no Duelo de Escritores piora sua narrativa a olhos vistos. Desta vez, desesperadamente, ela intentou criar uma estória de terror. Conseguiu, haja vista que o texto é tão horrendo que chega a virar comédia. Em seu blog literário, ela posta vários artigos sobre a escrita, esquecendo, ela mesma, de seguir os conselhinhos básicos que existem por aí como, por exemplo, escrever no Word, ou qualquer corretor miserável que existe aos montes na internet. Os erros de português remetem, novamente, ao jardim de infância brasileiro, ao estudo que leva uma ex-estudante de medicina a escrever cinto com s, “tenta acalmar a menina enquanto solta seu sinto.” Mais uma agressão sistematicamente ignorada pelo crítico do blog que, antes de perceber que o Duelo naufragava, apontava todos os erros dos participantes. Compreensível seu silêncio.

                            “NEM O DIABO PODE” – JEFFERSON MALESKI

– E, graças a Deus, o último participante, Jefferson Luis Maleski, com o sofrível candidato a plágio Nem o diabo pode. Para não ser injusta, confesso que li, contra a minha vontade, várias vezes. Só pode haver um espírito maligno que conspira contra a literatura neste bloguito. Não sei se é crônica ou um textinho de entretenimento, o fato é que me lembrou aquela imundície que saía em um jornal – não sei se ainda existe, pois não leio a marrom – que publicava umas croniquetas do dia a dia das infelizes donas de casa e seus maridos, ora cornos, ora espancadores, ora assassinos, etc. Para escrever sobre tal tema, em comédia,  o escritor precisa, no mínimo, possuir empatia, ingrediente ausente na maioria das pessoas.

A linguagem coloquial é para lá de regional, não passa das fronteiras de seu Estado, e não sou xenofóbica. Acredito na universalidade literária, tanto que amo Jorge Amado. E escrever comédia é mesmo dramático, não é para qualquer um, mesmo escritor. Por fim, aplausos para Luis Fernando Veríssimo e seu Comédia da vida privada. Seria uma boa leitura antes da aventura insólita do escritor que me levou ao mesmo questionamento: por que leem tanto e criam tão pouco?

“P.S.” Provavelmente esta foi minha última rodada nos comentários aos cansados e desarmados duelistas que usam agora tudo que têm, seus guerreiros despreparados para a arena. E pior, candidatos que, ao que tudo indica, jamais serão guerreiros da literatura. Para tal é necessário talento e muito sangue, mas isso já é para a medicina. Ou não.

“P.S.“2 Ideias genéricas e uma grande presunção estão sempre em via de causar uma terrível desgraça. (Johann Goethe)    

Inté!