Contos Inéditos

O Bosque (Day)

Acabara o expediente naquela maldita fábrica onde Joseph era gerente. Ratoeiras era o que fabricavam. De todos os tamanhos e formas. Ratos eram o negócio de Mentira City. Havia até mutações, como umas ratazanas de quase um metro, com enormes dentes.
Pensou em Geisa, ou melhor, não a tirara do pensamento um segundo sequer.

Era o dia de seu aniversário de casamento de seis anos. Ela queria deixá-lo, ele pressentira. A possibilidade de ficar sem sua mulher tornara-se um monstro em sua mente. Viver tornara-se ato infernal. Tímido e feio, fora afortunado com aquele casamento. A família da esposa era muito pobre, mas Geisa era linda. Desde a infância era apaixonado. Ela tinha um cheiro natural que o enlouquecia. Por possuir alguns bens e propriedade, o casamento fora pura consequência.

Pensou em aproveitar a data especial para tentar resolver as coisas entre eles. Cada vez menos ela dava-lhe amor. Era tão quente no sexo; faziam todas as noites, às dez e meia, antes de dormir. Todavia, agora, ela o evitava, simulando enjoos e mal estar.

Decidira passar no abatedouro (enfestado de roedores) e levar um pato ou uma ave preciosa para o jantar. Conversariam. Ele não poderia perdê-la. Antes, morreria.
Depois do animal abatido e embrulhado, passou na fétida, escura e nauseabunda taberna da esquina. Não bebia, porém naquele dia tomou uns tragos, fumou um charuto ordinário, e se foi com aquele medo que incomodava, doía, o apunhalava na alma já combalida.

Olhou o relógio. Era um pouco tarde, logo escureceria. Precisava se apressar. Geisa gostava de jantar às nove, pontualmente. Da vila até sua casa eram uns dois quilômetros, mas Mentira City tinha um bosque que cortava caminho. Resolveu ir por ele, afinal, ainda não escurecera e percorreria apenas uns quinhentos metros até sua casa. Um calafrio abraçou seu corpo ao dar o primeiro passo, adentrando o Bosque da Besta. Uma velha placa dizia Proibido Cruzar o Bosque da Besta. Entretanto, os mais antigos sabiam que esta era um estratégia para evitar que novas gerações encontrassem restos humanos (ossos), dos tempos da ditadura militar. O governo de Louis Lonsberg fora considerado o mais sangrento e injusto do mundo.

O Bosque fora a alegria das crianças, lembrou, subitamente. O tempo passara rápido. Não tinha notícias dos amigos e nem da ponte banguela, mas naquele dia passaria por ela. Precisava chegar mais cedo.

Sempre que chegavam à tal ponte, que agora estava separada dele por uns poucos metros, rilhavam de terror porque, invariavelmente, TODAS as crianças a ouviam rir como uma bocarra banguela, e algumas até a viam sacudir-se enquanto gargalhava.
Joseph era o mais covarde, o mais feio, com dentes encavalados e pernas tortas. Os olhos esbugalhados, e os cabelos sebosos faziam com que as outras crianças o chamassem de “filhote do demônio do bosque”, enquanto, chorando, o franzino miserável urinava nas calças curtas.

Rezava a lenda que ela não existia, que era invenção do lugar, no máximo até existira, mas fora o presidente bem vivo que, num surto de ciúmes, assassinara a esposa com golpes de machado, e a destrinchara como uma galinha agonizante, distribuindo partes de seu corpo aos famintos animais da floresta. E o horror de centenas de corpos mutilados dos oposicionistas, como ficaram conhecidos.

A noite estava cruelmente escura, havia neblina e a lua era pálida. Não se via uma estrela sequer. Anoitecera mais rápido que o de costume. Olhou em volta, já sentindo a batida do coração acelerar. As pernas iniciaram um tremor que o impedia de manter a calma; não obstante, ele era homem, e não correria. De forma alguma, isso não!

Entretanto, pensou em mudar de idéia quando escutou passos trôpegos e pesados atrás de si. A impressão que tivera era que a “coisa”, fosse quem fosse, estava a poucos metros de alcançá-lo. Olhou para os lados, mas não para trás. Acovardando-se, tentou andar mais rápido. Não correria, de forma alguma. Por mais que estivesse apavorado, não correria. Não sairia correndo tal qual um camundongo apavorido.

Era sangue em suas mãos. A ave abatida sangrava de forma sobrenatural. Não compreendia. O sangue espirrava. Eram grossas gotas que iam fazendo uma trilha atrás dele.

O ruído continuava, agora mais lento. A cada três passos que ele dava, a criatura arrastava apenas um; sentia que a qualquer momento seria atacado. O Besta do Bosque existia, pensou, horrorizado, no ditador sanguinário.

Finalmente chegou, ofegante, à ponte banguela. Um pavor eletrizante tomou conta de seu ser. O céu estava finalmente negro, já era noite cerrada. Ao longe, avistou a varanda iluminada de sua casa. Só precisaria atravessar a ponte e correr. Contudo, a ponte não estava mais lá!

Quase podia sentir em seu pescoço o bafejar da criatura. Ouvia sua respiração que carregava uma espécie de asma forte e compassada. Um estranho odor chegava às suas narinas, e sua presença tão próxima provocava calor, embora a noite estivesse muito fria.

Quis gritar. Mas era um homem. Morreria calado.

Ela estava muito próxima dele agora. Não tinha para onde correr, e ele correria se pudesse, mais covarde que qualquer rato acuado, ele correria. Tudo que sobrara da ponte eram os corrimões de corda grossa, podre e carcomida, e uma ou outra tábua igualmente deteriorada.

Tomado de súbita coragem Joseph se virou, de olhos fechados. E esta foi a pior coisa que já fizera em toda sua vida. Provavelmente nenhum ser humano suportaria a visão que se descortinara à sua frente.

Pôde ouvir nitidamente a pone banguela a rir-se dele; uma gargalhada horripilante; a ponte vampira com apenas duas tábuas-dentes. E quanto mais a criatura se aproximava, mais a ponte balançava com aquela risada insana e entrecortada.

O sangue fresco da ave certamente enfurecera a criatura ou a instigara. Diziam que era carnívora.

Joseph, finalmente, olhou a coisa, enquanto a urina escorria por suas pernas fracas.
Os olhos da coisa eram duas cavernas. Quase não se viam o brilho da pupila. Media uns três metros de altura. O corpo era como de homem, embora grotesco, mas o mais impressionante… Tinha enormes asas negras! Abertas, possivelmente mediriam uns quatro metros. As garras eram mais feias que de uma rapina normal, até porque eram enormes, com escamas acinzentadas e com muitas rachaduras.

Passo a passo, a diabólica ave se aproximou do pobre Joseph. Ela o olhava de cima para baixo. Joseph, encolhido, rezava. Envergonhava-se por estar com as calças empapadas. Seus dentes muito salientes tilintavam de pavor. Queria ser cardíaco e morrer naquela hora.

A aberração corvejou e abriu as negras asas; seus olhos ficaram mais vermelhos e brilhantes. Com um ruído ensurdecedor, ela vomitou um grosso líquido sobre sua cabeça. O líquido era fedegoso. Lembrava o cheiro de vísceras do abatedouro, só que mais forte e ácido; um odor apodrecido, insuportável. Quando escorreu por sua boca, provou o gosto amargo de fel, sim, era amarga aquela coisa viscosa!

A gosma foi colando em seu corpo. Sentia-se paralisando aos poucos, enquanto a criatura observava, impassível, com aqueles olhos de demônio. Do fundo das grutas que guardavam os olhos resplandecia um brilho cada vez mais forte, na medida em que Joseph se entorpecia.

Foi quando começou a sentir doloroso prurido por todo o corpo. E a gigantesca ave gralhou assustadoramente, enquanto devorava o pato do jantar. Joseph chorou ao ver seu jantar especial sendo triturado por aquele bico negro. As vísceras quedavam ao chão e a ave as bicava junto com a terra, sem tirar os terríveis olhos de Joseph.
Todo seu corpo doía, e as pernas não o obedeciam. Os braços, igualmente paralisados, o faziam cogitar se aquilo tudo não seria um pesadelo. As lágrimas, agora, saíam finas, porque toda sua pele estava ressequida. E quando tentou, num esforço sobre humano, andar, percebeu, horrorizado, que nenhum músculo respondia.

O monstro foi em sua direção, com aquela irritante asma. Chegou bem perto. Joseph sentiu um forte impacto em sua cabeça. O poderoso bico atingiu-o em cheio. Sem poder se mover, desabou de uma só vez. Pensou em Geisa, no pato, e no jantar especial. Depois não pensou em mais nada.

Abriu os olhos. Estava na cozinha do quintal de sua casa. Alívio. Bebera demais, fora só isso. Naturalmente alguém o levara para casa e ele acabara dormindo ali mesmo, na bacia de alumínio, deduzira.
Contudo, na bacia de alumínio cabiam apenas carnes e aves onde Geisa as temperava antes de cozinhar!

Com o corpo dolorido, olhou em volta, sem poder se mexer. Estava tudo em silêncio, queria gritar pela esposa, mas a voz não saía. Queria mexer os braços, mas igualmente não fora possível. Ainda estava paralisado!

Foi então que percebeu toda desgraça! Se ele cabia na bacia era porque era agora uma ave! A criatura… Foi a criatura! Não! – gritou em pensamento. Alguém me ajude! Geisa! Querida, me ajude! Tire-me daqui, minha amada! Não podia se mexer, bater asas, sair voando, ir atrás do monstro e reverter a situação. Santo Deus! Nenhum som saía de seu bico, nenhum movimento! Geisa!!!…

Por fim ouviu passos vindo em sua direção. Graças a Deus, pensou, arfando o peito coberto de penas. Os olhinhos avistaram sua mulher. Olhou fixamente para ela. Ela o reconheceria, sorriu em pensamento. Ela o amava. Não o abandonaria jamais. Aquilo era só um pesadelo. Ele era um homem!
Todavia, apavorado, foi o facão a última coisa que viu, num rápido golpe em seu pescoço.

Agosto/2012

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Tremendo

Tremendo sempre foi meu parceiro. Quando moleques, as pipas eram as nossas deusas. Disputávamos o serol, a rabiola, o cabresto, e quem cruzava e aparava mais.
O que era uma linda colina, hoje, é apenas um morrinho enlameado lá na favela.

Tremendo sempre se dava bem porque, sendo canhoto, parecia se esforçar mais. Eram os carrinhos de rolimã e as bolas de gude, depois das pipas, nossas paixões. Mas a infância nos foi roubada pela exigência das circunstâncias.
Tínhamos dezesseis anos agora.

Nosso primeiro roubo foi na quitanda do Severino, um paraíba safado que explorava todo mundo, inclusive minha mãe. Chegava fim de mês, meu pai, acabado da obra, dava o dinheiro na mão da minha santa. Ela corria com pernas honestas em direção à birosca do Severino para pagar a conta. Voltava sem dinheiro, e meu pai apenas a olhava. Resignado, desistira de ensinar que era melhor comprar no supermercado, porque ela sempre argumentava: “E quando faltar arroz, óleo, extrato de tomate… o mercado vai fiar?”

De fato, sua filosofia procedia. Melhor pagar mais caro e não passar fome. Ela estava doente. Desconfiávamos ser câncer na barriga; minha mãe nunca tinha feito esses exames preventivos.

Já a mãe do Tremendo era mulher soberba que trabalhava à noite num motel ralé. A molecada o zoava, chamando a mãe dele de Putana Cabana. O doido espumava, balançando aquilo, tentando nos intimidar. Pior era quando ela passava, exatamente na hora da encarnação. Tremendo ficava vermelho, roxo. Envergonhado, subia a ladeira com a gostosa da Dona Selam (era para ser Selma, mas erraram no cartório). Um tundá daqueles que nem precisava de silicone. Na época era tudo, meurmão. A coisa era ritmada, a cada passo uma banda rebolava sozinha, independente da outra. Fantástico glúteo tinha dona Selam.

Roubamos cem paus que, na época, valia uma grana. Muitas pipas, lanches, bagulho pra ficar doidão e pegar as meninotas. E já naquela época elas eram astutas. Nós passávamos a lenha, não aliviava nenhuma. Porém éramos cavalheiros. Rolava presentinhos, chocolate, brinco banhado a ouro e o escambal.

Nosso segundo assalto foi na farmácia do Robi, um cara metido a deputado. Jamais ganhava, mas vivia como se fosse melhor do que o resto da Comunidade. Corno até à morte, a keila, mulher dele, era vinte anos mais nova. A lorinha mignom tinha vinte e cinco anos e a galera fazia a festa, porque ela chamava nós e mostrava revistinhas de sacanagem (nosso HQ da época), se fazendo de sonsa, até que Tremendo caiu pra dentro. Faziam fila na sala, enquanto no quarto, o bicho pegava. Robi, uma vez, flagrou a mim e Tremendo na cama com a putinha. Pensei, vou morrer, caralho! Mas o deputado apenas disse “Só não a machuquem”. Pelo sim pelo não, voltamos mais lá não. Poderia ser escama.

Terceiro round. O posto de gasolina. Mas aí tinha cúmplice, a Michele. Mulata linda desavergonhada que dava pra geral, mas que era honesta, a palavra dela era documento. Ela organizou tudo. Chegamos de máscara na hora da troca do plantão. Nós dois armados pro gerente: “Entrega tudo, viado!” Na época a grana foi boa. Compramos um Passat com placa fria de Minas, e aí as cachorras latiam e dançavam charme, pleiteando andar na nossa caranga. Tremendo até fumava charuto, o escroto. Dizia que malandro de verdade tinha que fumar charuto, igual filme de mafioso.

Já contando vinte e cinco anos, resolvemos meter um banco. Michele apresentou o ladrão Tucano, ex-presidiário barra pesada. Topamos. Vamo nessa. Três oitão, pistola e um fuzil. Parece pouco, mas meu irmão, o que valia era a disposição. Chegamos de bicho e o gerente gritou “mamãe” enquanto enchia as sacolas. Nunca entendi esses marmanjos que não saíam da barra da saia da mãe. Tremendo era até fanático. Vi, muitas vezes, ele próprio olhando pras montanhas da dona Selam. Ah, se vi. Um dia toquei nesse assunto só de sacanagem. Ele meteu o cano do revólver na minha boca e mandou eu repetir. Eu não o fiz, claro, conhecia a disposição do meu parceiro. Minutos mais tarde ele estava chorando igual criança no terreno baldio onde fumávamos maconha.

Trinta e dois anos. Estávamos bem. Compramos um casão em Búzios. Eu, preto com cabelo alisado (estilo chão de garagem) e muito ouro na carcaça. Tremendo, branco, cabelo crespo, imitava castelhano para ganhar as gringas.
Estávamos bem. O carro agora era uma BMW, quente, parceiro. A essas alturas negociávamos jóias e ouro em pó. Rio de Janeiro era nosso. O xerife da Presidente Vargas, o Cícero, confiava só em nós. Sobrava mulher. De toda idade, cor, credo. Tinha uma beata que só faltava voar pro céu na nossa mão. E, mulhezinha de quinze anos, só hoje é crime ha-ha-ha!

Sequestrar o filho de um magnata. Eu achei arriscado. Muito segurança, maluco não tava de bobeira. Tremendo me encarou: “Vai amarelar, cumpadi?”
Lembrei da Dona Selam, das pipas, e da quitanda que minha mãe pagou até o último centavo, antes de morrer. Bagulho doido. Meu pai foi embora pro Maranhão com meus três irmãos, e nunca mais os vi. Olhei meu relógio Rolex, os cordões de ouro, a carteira de couro; abaixei a cabeça. “Não.”

Tremendo me olhou com fúria, e me apontou a mão esquerda: “Meu irmão, se tu amarelar, já era nossa parceria. Tu é homem ou safado, primo?”
Olhei a BMW e bebi de uma só vez a cerveja. As gatinhas, nuas, dando tchauzinho da piscina…. “Falô! Arma o esquema. Vamo nessa, porra!”
Acho que não comentei que Tremendo, na verdade, se chamava Evaldo, e o apelido era porque, mesmo sendo preciso em tudo que fazia, o canhoto tremia o tempo todo feito vara verde – vai entender. Acostumamos com ele desse jeito, afinal o cara jamais perdera uma pipa, um tiro, um rabo.

Entretanto, neste dia, ele vacilou mais que o normal.
O filho do empresário pediu pra falar com a mãe pelo telefone. Menos de um minuto, a polícia não iria grampear. Mas a mãe do moleque se chamava “Selma”. Fudeu. Emocionado, enquanto fui comprar o rango, o infeliz deixou o moleque falar à vontade. Pensei em minha mãe, naquele corpo frio e magro. No dia do enterro chovia, e eu gostei porque disfarcei minhas lágrimas. Mãe morta é foda! Quando a polícia chegou, o imbecil atirou. Dois contra dez.

E tanto macaco para ele acertar, a porra da mão tremeu mais que o normal. Evaldo, o canhoto filho da puta, acertou meu peito. Senti apenas uma dormência, e nem deu tempo de eu xingar a gostosa da mãe dele.
Morri na hora. E o escroto conseguiu fugir, ninguém sabe como. Pulou da janela, de uma altura de mais de cinco metros e vazou.

Amigo de infância não existe, parceiro. Eu bem que disse que aquela merda ia dar errado. Tudo bem, nasci para morrer. Não vou entrar no inferno de BMW. Nem levar minha mãe e umas putas.
Mas sacanagem o Tremendo não aparecer no meu velório.

Julho/2912

12 comentários em “Contos Inéditos

  1. Oi, que bom que vc abriu esta página! Depois vemos alguma coisa para postar. Quanto ao facebook, manda convite que eu aceito. 🙂

  2. DAY eu abri uma pagina só para poesias escreve uma duas para mim postar na minha página agradeço desde já podemos ficar amigas no face que acha

  3. antes que você o faça eu mesmo vou faze – lo me corregir postagem tenho algumas dificudades com isso por escrever pouco, mas Parabéns mais uma vez..

  4. Day deixei o recado mas tive que sair , mas andei vasculhando suas outras potagem magnificas não desanime.

  5. Realmente ,são dois textos que passa muita realidade e envolvimento quando se está os lendo Parabéns você também é uma ótima escritora

Sua opinião me interessa ;)

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