Literatura Libertadora

A literatura é um processo de libertação e, por conseguinte, aspira à liberdade. Quer dizer que o seu ponto de partida é uma recusa aos constrangimentos. Quer dizer, ainda, que os constrangimentos estão na sua génese ou no desencadear da sua explosão, como tem sido proclamado por tantos criadores.
Homem livre, pois, o escritor – ou que visceralmente deseja sê-lo. Tão livre, ou tão necessitado de o ser, que nem sequer pode estar de acordo com certas situações para que ardorosamente contribuiu: seja numa sociedade burguesa, seja numa sociedade proletária, ele sempre encontrará razões para a sua insubmissão e para o seu inconformismo, mesmo se, muitas vezes, se trate de uma contestação inconsciente.

Fernando Namora, in ‘Jornal sem Data’

Reflexão

O que é ser livre para um escritor, que não seja, ao menos comigo é assim, acordar com um novo pensamento, uma nova recusa em meu íntimo, nova revolta contra algo que me injustiça?

O escritor não está preso a nada, pois a química celeste, nem mesmo ele a conhece. Não há como seguir imposições para criar, e exteriorizar em palavras escritas  sentimentos e ideais tão infinitamente obscuros aos outros, a menos que este outro seja o leitor propício. O escritor contesta, reclama, denuncia, levanta questões e sofre. E, se não ouve toda essa voz interior, ele não é um escritor, mas um alfabetizado que escreve. (Day)

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Para falar de poesia – Arkadii Dragomoshchenko

Leia a entrevista do poeta alemão Arkadii Dragomoshchenko a Régis Bonvicino  e Odile Cisneros

Para falar de poesia

Falar de poesia é falar do nada
ou possivelmente de algumas raias externas
(onde a língua se devora)
discernindo ou determinando um desejo
penetrar este nada, uma lei, um olho
para encontrá-lo em si mesmo, presente em nada
Impossível !
A morte não pode ser trocada por outra coisa.
Sinceridade – é o processo insaciável
de transição, de flutuação, em sentido oposto,
ou seja, eu-te-amo-não-te-amo
desaparece à beira da consciência

Não há mais tempo para a expressão
Eliminada pela simultaneidade
Onde achar um homem dançando como uma vela?
Escute, como o segundo milênio
a água avança sobre as margens – algas
A pétala-da-abelha seca seus lábios: pó em seus pés
seus quadris e ombros expostos

Lembro-me do tempo quando a lâmpada de querosene
noite fria o lilás brilhava verde, como um nervo
O halo da chama do querenosene, um hemisfério esmeralda
atraía mariposas do escuro.
O arco zênite de agosto, uma foice estrelada,
revelando os traços honestos da matéria,
pálpebras rasgadas.
Uma tela e letras, esta é a estória,
arquivo pulsante do nadir e nele, como a queima
de mariposas,
a descrição da noite aparece. Os ramais
do jardim pegam fogo,
campos magnéticos de palavras aparecem, tensos,
entrelaçados ao nada. O que mais posso falar!
O que mais dizer?
Deslizando dentro de você, no delta no meio do rio
abrindo-se, como um arco,
cuja corda está corroída
pelo silêncio.

Traduções: Régis Bonvicino

52 filmes para amantes da Literatura Estrangeira

Taí uma super lista feita por André Gazola, do Lendo.org, um dos maiores blogs de Literatura, do qual me orgulho por ter trabalhado com resenhas literárias. Parabéns, André!

1. A Bela da Tarde (da obra do francês Joseph Kessel)

A bela da tarde

2. A Corrente do Bem (baseado na obra de Catherine Ryan Hyde)

A corrente do bem

3. A Dama das Camélias (da obra de Alexandre Dumas Filho)

A Dama das Camélias

4. A Flor do meu Segredo (de Pedro Almodóvar)

A flor do meu segredo

5. A Gaiola das Loucas (da peça de Jean Poiret)

A Gaiola das loucas

6. A Rainha Margot (inspirado na obra de Alexandre Dumas)

A rainha Margot

7. A Revolução dos Bichos (baseado na obra de George Orwell)

A Revolução dos Bichos

8. Adeus às Armas (da obra clássica de Ernest Hemingway)

Adeus às Armas

9. Agonia e Êxtase (da obra de Irving Stone)

Agonia e Êxtase

10. Amor & Cia (do livro de Eça de Queirós, Alves e Cia.)

Amor & Cia

11. Bonequinha de Luxo (do conto de Truman Capote)

Bonequinha de Luxo

12. Crime e Castigo (da obra de Féodor Dostoiévski)

Crime e Castigo

13. De Salto Alto (por Pedro Almodóvar)

De Salto Alto

14. Em Nome de Deus (da romance homônimo de Marion Meade)

Em Nome de Deus

15. Excalibur (baseado no livro “O Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, de Thomas Malory)

Excalibur

16. Fausto (adaptação da obra de Göethe)

Fausto

17. Fernão Capelo Gaivota (baseado no best-seller de Richard Bach)

Fernão Capelo Gaivota

18. Germinal (da obra de Emile Zola)

Germinal

19. Hamlet (da peça de William Shakespeare)

Hamlet

20. Henrique V (baseado na peça de William Shakespeare; inspirada na vida do rei inglês)

Henrique V

21. Horizonte Perdido (da obra de James Hilton)

Horizonte Perdido

22. Júlio César (a produção aclamada de William Shakespeare)

Júlio César

23. Macbeth (baseado na peça de William Shakespeare)

Macbeth

24. Madame Bovary (da obra de Gustave Flaubert)

Madame Bovary

25. Meninos do Brasil (inspirado no romance homônimo de Ira Levin)

Meninos do Brasil

26. Nina (versão brasileira da obra “Crime e Castigo” de Dostoiévski)

Nina

27. O Caçador de Pipas (do best seller de Khaled Hosseini)

O Caçador de Pipas

28. O Carteiro e o Poeta (do livro homônimo de Antonio Skármeta)

O Carteiro e o Poeta

29. O Código da Vinci (do best seller de Dan Brown)

O Código da Vinci

30. O Corcunda de Notre Dame (inspirado na obra “Notre Dame em Paris”, de Victor Hugo)

O Corcunda de Notre Dame

31. O Crime do Padre Amaro (da obra homônima de Eça de Queirós)

O Crime do Padre Amaro

32. O Diário de Anne Frank (por ela mesma. Relatos dramáticos da II Guerra Mundial)

O Diário de Anne Frank

33. O Ditador (baseado no romance “A Festa do Bode”, de Mário Vargas Llosa)

O Ditador

34. O Idiota (baseado no conto de Dostoiévski)

O Idiota

35. O Iluminado (baseado na obra de Sthepen King)

O Iluminado

36. O Inferno de Dante

O Inferno de Dante

Nota: Segundo os comentários do André Alexandre e da Sônia, logo abaixo, a única alusão à obra de Dante está no título. O roteiro não tem nada a ver com a Divina Comédia.

37. O Médico e o Monstro (da obra de Robert Louis Stevenson)

O Médico e o Monstro

38. O Nome da Rosa (baseado na obra de Umberto Eco)

O Nome da Rosa

39. O Pequeno Príncipe (inspirado no livro de Saint Exuperry)

O Pequeno Príncipe

40. O Primo Basílio (da obra de Eça de Queirós)

O Primo Basílio

41. O Velho e o Mar (do livro homônimo de Ernest Hemingway)

O Velho e o Mar

42. Oliver Twist (baseado no livro homônimo de Charles Dickens)

Oliver Twist

43. Os Cavaleiros da Távola Redonda (baseado no livro “O Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, de Thomas Malory)

Os Cavaleiros da Távola Redonda

44. Os Miseráveis (do livro de Victor Hugo)

Os Miseráveis

45. Os Três Mosqueteiros (do clássico de Alexandre Dumas)

Os Três Mosqueteiros

46. Papillon (da obra de Henri Charriere)

Papillon

47. Robinson Crusoé (da obra de Daniel Defoe)

Robinson Crusoé

48. Romeu e Julieta (adaptação da peça de Willian Shakespeare)

Romeu e Julieta

49. Shakespeare Apaixonado (baseado no clássico “Romeu e Julieta”)

Shakespeare Apaixonado

Nota: Segundo o comentário do André Alexandre, logo abaixo, há referências à obra de Shakespeare, mas o roteiro é original.

50. Sonhos (baseado no livro de Akira Kurosawa)

Sonhos

Nota: o leitor André Alexandre acredita “que o roteiro é baseado em um argumento dele [Akira Kurosawa], inspirado em seus próprios sonhos.”

51. Tempo de Despertar (baseado no livro autobiográfico de Oliver Sacks)

Tempo de Despertar

Nota: o leitor André Alexandre diz que “na verdade é baseado em um livro de relatos de pacientes do Dr. Sacks, vítimas de uma letargia encefálica e como eles retornaram desse sono.”

52. Tristão e Isolda (da obra de Joseph Bédier)

Tristão e Isolda

AS 5 mulheres mais inteligentes da atualidade

Copiado do site Miscelâneasqp

O jornal inglês “The Mirror”, publicou uma lista com as mulheres mais inteligentes da atualidade. E o primeiro lugar é de ninguém mais, ninguém menos que MADONNA.
Confira abaixo a lista das mais inteligentes:
1 – Madonna – além de ser a maior artista feminina de todos os tempos. Madonna sempre colocou em prática o seu Q.I. de 140, um dos mais altos entre as mulheres de nosso tempo. Escritora, diretora, empresária, produtora, fazem um todo que forma a mulher mais importante do século passado e desse. Biógrafos dizem que Madonna chega a ler 3 livros por dia de diversificados focos, desde ciências naturais até política e religião, conseguindo debate-los com profundidade após a leitura.ㅤ
2 – Natalie Portman – é psicóloga, aprendeu sozinha o alemão, hebraico, francês e classic greek. Atualmente, Portman desenvolve um estudo científico, dos mais importantes e contundentes, sobre espiritualidade e vegetarianismo. Ela é uma das maiores conhecedoras da bíblia em várias línguas. Natalie possui um troféu que recebeu em Harvard por seus trabalhos envolvento a mente humana e os símbolos oníricos.
3 – Jodie Foster – foi a melhor aluna do curso de Literatura da Universidade de Yale em todos os tempos. Jodie é conhecida por ler seus textos uma única vez e repetí-los com exatidão. Em 1998, quando professores de Yale discutiam a modernização da “Constituição dos Estados Unidos da América”, Foster foi convocada para o projeto como examinadora e orientadora.
4 – Lady Gaga – autodidata em piano clássico, Stefani era uma aluna exemplar. Ela possui um mosaico, que carrega por toda parte, contendo colagens e frases sobre tudo que quer conquistar em sua vida. Segundo Rich Cohenn, estudioso das estrelas, Gaga estuda minuciosamente a história da arte moderna, os artistas modernos e desenvolve seu trabalho a partir disso. Conhecedora profunda da arte de Madonna, David Bowie, Kraftwerk e Andy Warhol, em 2001, Gaga teve seu primeiro encontro com Madonna em um clube dos Estados Unidos da América, onde após isso teve a certeza do que queria fazer em sua vida.ㅤ
5 – Athina Onassis – Athina Hélène Roussel, mesmo sendo bilionária de nascimento, tornou-se doutora em história da arte e empreendedora de sucesso. Athina é fluente em inglês, francês, grego, espanhol e alemão, além de arranhar o iídiche. Onassis é apaixonada por cavalos e mantém duas fundações que estudam a melhoria da Síndrome de Down com a equitação

9 livros que mudaram o mundo

 

Desde o nascimento da civilização, os seres humanos têm registrado seus pensamentos em paredes, pedras, papiros, e nos famosos livros. E volta e meia, alguns livros causam abalos nas leis sociais reinantes, modificando o pensamento de muitos. Hoje, ainda há a possibilidade de não precisar comprar o livro, já que muitos clássicos estão disponíveis gratuitamente na internet!

Essa não é uma lista no estilo 1001 livros, que vai abarcar todas as fases do mundo da literatura e do pensamento. É só uma lembrança de alguns títulos, e espero que nos comentários cada um lembre também daqueles que mudaram a sua vida!

1 – A República, de Platão

Os gregos têm seu lugar reservado na história. E quando não estavam passeando por aí enrolados em lençóis, praticando sexo com os anciões ou guerreando, exploravam a filosofia, a natureza e a sociedade. E o incrível é a simplicidade: Platão sublinhou conceitos morais e sociais apenas com diálogos entre seus contemporâneos. E podem apostar, as ideias dele estão por aí até hoje.

2 – O Kama Sutra, de Vatsyayana

O primeiro livro de “sacanagem” da história. O texto Hindi foi um dos primeiros guias para os casais atingirem o prazer máximo. O livro descreve 64 práticas sexuais diferentes (as fotos só foram inseridas depois, infelizmente). Quer saber o mais incrível? Dizem que Vatsyayana seguia a castidade, mas através de muita meditação atingiu um conhecimento profundo da natureza humana. O que o livro influenciou? Não preciso nem dizer.

3 – Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, por Sir Isaac Newton

Com esse livro, um tanto complexo para aqueles sem bases nesse tipo de conhecimento, Newton revolucionou completamente todas as ciências da época. Aqui estão os três princípios básicos da mecânica, que provavelmente você estuda ou estudou na sua vida: o da inércia, da dinâmica e da ação e reação.

4 – Senso Comum, de Thomas Paine

Talvez não tão conhecido por aqui, mas muito famoso nos Estados Unidos. Na época dos reis e da colonização britânica, Paine começou a falar abertamente sobre liberdade e tirania. O resto você já sabe. Porque é radical? Junto com outros autores rebeldes, como Henry David Thoreau (não necessariamente envolvido nesse caso, mas por semelhança de ideal), convenceu o “João” comum da sociedade de que a Independência é uma boa ideia, dando espaço para a Revolução Americana.

5 – Folhas de Relva, de Walt Whitman

Considerado um dos expoentes da poesia, Whitman foi importantíssimo para quebrar barreiras desse estilo: ele tirou a poesia da academia, trazendo uma linguagem mais próxima de todos. Ele também uniu o romantismo e o realismo, gerando uma poesia livre. Influenciou muita gente, desde os Beatnicks até os poetas atuais.

6 – A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells

Escrito há mais de um século, esse livro deu origem ao que hoje chamamos de ficção científica. Wells influenciou uma geração inteira, contaminando a mente de crianças que passaram a sonhar em serem cientistas, astronautas e coisas do gênero. Ah, e também influenciou o Tom Cruise.

7 – A Reivindicação dos Direitos da Mulher, de Mary Wollstonecraft

Essa obra, lançada no fim do século 18, num muito período turbulento da Revolução Francesa e dos ideais de liberdade do homem, formou a base do começo do feminismo. Nela, Wollstonecraft afirma que a mulher precisa ter direito a educação para sair de sua condição inferior, e condena o casamento como escravidão disfarçada. Por foi marcante? Deu ideias para acabar com a sociedade patriarcal.

8 – A Origem das Espécies, de Charles Darwin

Em um época onde o ateísmo está crescendo muito, esse provavelmente ainda é o livro de cabeceira de muitos cientistas e pensadores. Na época de Darwin todas as religiões eram criacionistas, e o livro de Darwin um de seus mais terríveis ‘inimigos’ já que deu base inequívoca sobre como os organismos evoluem para se transformarem em outros. Termos tão usados atualmente, como Seleção Natural, devem muito ao barbudo Darwin. Com certeza, um dos maiores livros científicos da história.

9 – Pé na Estrada, de Jack Kerouac

Saindo um pouco da ciência, e voltando à literatura, esse é um clássico marcador de uma geração. Ainda lido por muitos “alternativos”, “On The Road”, no original, foi o livro base da geração Beatnick, das décadas de 50 e 60 dos Estados Unidos. Essa geração marcou o começo de uma contra cultura que lança suas ideias até hoje. Além de toda a importância histórica, o livro ainda foi escrito de uma maneira completamente radical, em apenas três dias.

Copiado do site Hipe Science

 

Leitura super dinâmica

Curso de leitura dinâmica para quem precisa ler muito e em pouco tempo (estudos), ou simplesmente quer ler mais nessa vida. 😉

Leitura Super dinâmica é um sistema de leitura acelerada que se diferencia dos outros cursos de leitura dinâmica por ter sido projetado especialmente para uso nos estudos. Estudantes que precisam ler dezenas de livros em poucos meses tem usado essa ferramenta para atingir suas metas de leitura com sucesso.

Esse curso de leitura dinâmica foi baseado em descobertas recentes sobre o funcionamento do olho humano e que revelam os segredos dos leitores super velozes. Leitores capazes de ler um livro cinco vezes mais rápido do que um leitor comum. O que faz desse sistema um método revolucionário de aprendizagem acelerada é que ele conseguiu unir todos os 3 métodos mais eficazes de aceleração de leitura existentes na atualidade, que são: A Leitura Dinâmica, A Fotoleitura e o Sistema SQ3R. Juntos esses 3 métodos garantem o resultado de turbinar ao máximo sua habilidade de leitura.

Um dos diferenciais do Curso Leitura Superdinâmica é que ele não se preocupa apenas em acelerar a leitura. Métodos de leitura dinâmica convencionais costumam ser ineficazes para o estudo de livros e assuntos complexos. O aluno simplesmente não consegue usar as técnicas, devido à complexidade do texto, que torna a leitura lenta.

Leitura Super dinâmica trás soluções inovadoras para isso, apresentando um sistema de aprendizagem acelerada que não apenas acelera a leitura, como também aumenta o nível de compreensão de matérias complexas. O método ensinado aqui pode ser usado de forma bem sucedida em todos os tipos de leitura, inclusive na leitura de livros para a preparação de provas e concursos.

83% dos estudantes que são aprovados como primeiros colocados em provas de concursos e faculdades admitem ter aplicado métodos de aprendizagem acelerada como parte de sua preparação. No nosso curso de Leitura dinâmica você vai ter acesso ao que há de mais moderno em nessa área e estará preparado para concorrer de igual para igual com outros candidatos a sua vaga, que estão nesse exato momento aplicando técnicas semelhantes nos estudos.

Se ficou interessado, saiba mais.

Vai virar febre: Livros eróticos invadem a Feira de Frankfurt e o Brasil

Sexo é bom. Na literatura é elegantemente excitante. E com criaturas fantásticas?

Se você é humano, já pensou em sexo. Prazer, fantasias, intimidade — palavras que sempre aparecem ligadas ao ato sexual, ao erotismo. Mas se tudo o que move o imaginário erótico está ligado a um instinto que serve primordialmente para a reprodução, por que personagens terráqueos sempre estenderam seu desejo a alienígenas, seres mágicos e criaturas artificiais de todas as espécies por toda a história da literatura fantástica? Como seria ter um selvagem lobisomem entre quatro paredes, ou mesmo uma terrível e sedutora vampira? Seriam os androides eficientes também na arte do amor?

Foi para responder essas perguntas que 16 autores, conduzidos sem censura pelo veterano das letras e do erotismo Gerson Lodi-Ribeiro, que nasceu a coleção Erótica Fantásticada Editora Draco. Já está em pré-venda aqui.

 

Fenômeno?

Como nada precisa de muita explicação, o fenômeno deve passar despercebido. Ou não. Afinal, em literatura tudo é buxixo. Principalmente quando tem ares de movimento. Seria, então, um movimento literário feminino?

Como informa o título, a Feira de Frankfurt, na Alemanha,  causou frisson. Deve ser um novo boom. Mudança de foco. Já estão sendo negociados alguns títulos estrangeiros pelas editoras brasileiras. Sexo é saudável, afinal de contas, ainda mais na literatura.

Trecho da matéria na Veja:

“Desde a Feira do Livro de Londres, em abril, o que se constata é a explosão da produção e da venda de romances eróticos, com Cinquenta Tons de Cinza abrindo caminho para dezenas de outras autoras e assumindo a liderança — já são mais de 40 milhões de exemplares vendidos. “Agora, o mundo está tentando encontrar um livro, ou uma trilogia, que possa ter uma performance como a de E L James”, conta Andy Hine, diretora de direitos estrangeiros da britânica Little, Brown, do grupo Hachette, que também está tentando pegar carona no fenômeno. Ela publicou, entre outros, A Haven of Obedience (Um Refúgio da Obediência, em tradução direta) e Dark Secret (Segredo Obscuro, em tradução livre), de Marina Anderson, já vendidos no Brasil para a Ediouro.”

Editoras já trabalham com reedições

Um exemplo da corrida do ouro é o livro Falsa Submissão, da escritora Laura Reese. A editora Record divulgou o lançamento de uma nova edição do título.  Doses do mais inusitado erotismo. A escritora admite, em entrevistas, que, em muitos casos, as estórias partem de experiências pessoais.

 

 

Mas parece que a mola propulsora foi mesmo a trilogia “Cinquenta tons de Cinza”, de E L James, que foi comparada a um “Crepúsculo adulto”. Sexo sobrenatural?  Leia resenha.

Trecho

“…Sinto aquela tesão dentro de mim. Músculos com os quais agora já estou mais familiarizada se contraem diante dessas palavras. Mas não posso aceitar isso. Sua arma mais potente usada de novo contra mim. Ele é muito bom com sexo – até eu já entendi isso.”

Seria uma exigência do público feminino? Certamente, se analisarmos que a mulherada está, digamos, se expandindo nesta era de libertação e queda de valores morais.

Um ótimo exemplo é outra trilogia da Editora Leya – “Luxúria”, da escritora Eve Berlin, que trata do apimentado tema sadomasoquismo.

Sinopse

SE VOCÊ NÃO FOR AO LIMITE, COMO SABERÁ ATÉ ONDE PODE IR?

Quando Dylan Ivory, escritora de romances eróticos, recebe o contato de Alec Walker, nem imagina o quanto esse homem pode mexer com seus pensamentos.
Conhecido por ser um famoso dominador em relações sadistas e sadomasoquistas, Alec tenta convencer Dylan de que a melhor forma de se aprofundar no assunto – e então escrever um livro o mais próximo possível da realidade – é viver uma experiência como submissa e sentir na pele a sensação desse tipo de relação. Para Dylan, essa proposta será difícil de ser aceita – uma vez que ela é fanática por ter o controle de tudo em sua vida.
Embalados por um misto de prazer e apreensão, o casal se vê em uma situação tentadora enquanto evitam entregarem-se ao sentimento que nasce entre eles.
Primeiro romance da trilogia erótica de Eve Berlin, Luxúria traz uma história envolvente carregada de desejo e amor em que cada limite superado revela sensações ainda mais prazerosas.

Então é isso. Leitoras e leitores, deleitem-se com essa onda de erotismo na literatura. Para quem aprecia o gênero, nunca o mercado esteve tão quente.

 

 

 

 

Os 10 melhores finais de livros – Carlos Willian Leite

Esta excelente matéria é do site BULA Revista, com Carlos Willian Leite que colheu opiniões de escritores, críticos, professores e jornalistas. Os com asterísticos eu concordei, outros ainda não li.

Nada de Novo no Front
(Erich Maria Remarque)

“Estou muito tranquilo. Que venham os meses e os anos, não conseguirão tirar nada de mim, não podem tirar-me mais nada. Estou tão só e sem esperança que posso enfrentá-los sem medo. A vida, que me arrastou por todos estes anos,  eu ainda a tenho nas mãos e nos olhos. Se a venci, não sei. Mas enquanto existir dentro de mim — queira ou não esta força que em mim reside e que se chama “Eu” — ela procurará seu próprio caminho… Tombou morto em outubro de 1918, num dia tão tranquilo em toda a linha de frente, que o comunicado se limitou a uma frase: “Nada de novo no front”. Caiu de bruços, e ficou estendido, como se estivesse dormindo. Quando alguém o virou, viu-se que ele não devia ter sofrido muito. Tinha no rosto uma expressão tão serena,  que quase parecia estar satisfeito de ter terminado assim.”


On The Road *
(Jack Kerouac)

“Assim, na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice. Penso então em Dean Moriarty, penso no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, penso em Dean Moriarty.”


A Espera dos Bárbaros
(J. M. Coetzee)

“No centro da praça, algumas crianças estão construindo um boneco de neve. Acerco-me, temendo assustá-las, mas tomado de uma inexplicável alegria. Não se assustam, estão ocupadas demais para sequer me notar. Terminaram o grande corpo redondo e, agora, estão fazendo uma bola para a cabeça! – Alguém tem de ir buscar as coisas para a boca, o nariz e os olhos – diz o menino que os lidera. Ocorre-me que o boneco de neve precisará de braços também, mas não interfiro. Colocaram a cabeça sobre os ombros e, com seixos, fazem os olhos, as orelhas, o nariz e a boca. Um deles o cobre com o boné. Não está mal o boneco. Não se trata da cena com que costumo sonhar. Como tantas outras vezes atualmente, deixo-os, sentindo-me tolo, como um homem que há muito se extraviou, mas que ainda insiste em seguir pela estrada que não o levará a parte alguma.”


Cem Anos de Solidão
(Gabriel García Márquez)

“Macondo já era um pavoroso redemoinho de poeira e escombros centrifugados pela cólera do furacão bíblico quando Aureliano pulou onze páginas para não perder tempo em fatos demasiado conhecidos e começou a decifrar a última página dos pergaminhos, como se estivesse se vendo num espelho falado. Então deu outro salto para se antecipar às predições e averiguar a data e as circunstâncias de sua morte. Porém, antes de chegar ao verso final já havia compreendido que não sairia jamais daquele quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no instante em que Aureliano Babilônia acabasse de decifrar os pergaminhos, e que tudo estava escrito neles era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda chance sobre a terra”.


1984 *
(George Orwell)

“Já não corria nem dava vivas. Estava de volta ao Ministério do Amor, tudo perdoado, a alma branca de neve. Estava na tribuna dos réus, confessando tudo, implicando todos. Ia andando pelo corredor de ladrilhos brancos, com a impressão de andar ao sol, acompanhado por um guarda armado. Por fim penetrava-lhe o crânio a bala tão esperada. Levantou a vista para o rosto enorme. Levou quarenta anos para aprender que espécie de sorriso se ocultava sob o bigode negro. Oh mal-entendido cruel e desnecessário! Oh teimoso e voluntário exílio do peito amantíssimo! Duas lágrimas cheirando a gin escorreram de cada lado do nariz. Mas agora estava tudo em paz, tudo ótimo, acabada a luta. Finalmente vencida a batalha contra si mesmo. Amava o Grande Irmão.”


Lolita *
(Vladimir Nabokov)

“Nenhum de nós estará vivo quando o leitor abrir este livro. Mas, enquanto o sangue ainda pulsa nesta mão com que escrevo, você faz parte, como eu, da bendita matéria universal, e daqui posso te alcançar nas lonjuras do Alasca. Seja fiel a teu Dick. Não deixe que nenhum outro homem te toque. Não fale com estranhos. Espero que você ame teu bebê. Espero que seja um menino. Esse teu marido, assim espero, sempre te tratará bem, porque, se não, meu fantasma o atacará como uma nuvem de negra fumaça, como um gigante insano, e o destroçará nervo por nervo. E não tenha pena do C.Q. Era preciso escolher entre ele e o H.H., e era desejável que H.H. existisse pelo menos alguns meses a mais a fim de que você pudesse viver para sempre nas mentes das futuras gerações. Estou pensando em bisões extintos e anjos, no mistério dos pigmentos duradouros, nos sonetos proféticos, no refúgio da arte. Porque essa é a única imortalidade que você e eu podemos partilhar, minha Lolita.”

Notas do Subsolo *
(Fiódor Dostoiévski)

“Deixem-nos sós, sem livros, e imediatamente ficaremos confusos, perdidos – não saberemos a quem nos unir, o que devemos apoiar; o que amar e o que odiar; o que respeitar e o que desprezar. Até mesmo nos é difícil ser gente – gente com seu próprio e verdadeiro corpo e sangue; sentimos vergonha disso, achamos que é um demérito e nos esforçamos para ser uma espécie inexistente de homens em geral. Somos natimortos, e há muito tempo nascemos não de pais vivos, e isso nos agrada cada vez mais. Estamos tomando gosto. Em breve vamos querer nascer da ideia, de algum modo. Mas basta, não quero mais escrever “do subsolo”… Entretanto, aqui não terminam as “notas” desse paradoxista. O autor não resistiu e prosseguiu com elas. Mas nós também pensamos que é possível terminar por aqui.”
Crime e Castigo *
(Fiódor Dostoiévski)

“Ela esteve também comovida todo aquele dia e, à noite, voltou a ficar doente. Mas era feliz a tal ponto que quase a assustava a sua felicidade. Sete anos, só sete anos! No princípio da sua felicidade, houve alguns momentos em que tinham estado dispostos a considerar aqueles sete anos como sete dias. Ele nem sequer sabia que a vida nova não lhe seria dada gratuitamente, mas que ainda teria de comprá-la caro, pagar por ela uma grande façanha futura… Mas aqui começa já uma nova história, a história da gradual renovação de um homem, a história do seu trânsito progressivo dum mundo para outro, do seu contato com outra realidade nova, completamente ignorada até ali. Isto poderia constituir o tema duma nova narrativa… mas a nossa presente narrativa termina aqui.”


O Grande Gatsby
(F. Scott Fitzgerald)

“E, quando lá me achava a meditar sobre o velho, desconhecido mundo, lembrei-me da surpresa de Gatsby, ao divisar pela primeira vez, a luz verde e existente na extremidade do ancoradouro de Daisy. Ele viera de longe, até aquele relvado azul, e seu sonho de ter-lhe parecido tão próximo, que dificilmente poderia deixar de alcança-lo. Não sabia que seu sonho já havia ficado para trás, perdido em algum lugar, na vasta obscuridade que se estendia para além da cidade, onde as escuras campinas da república se estendiam sob a noite. Gatsby acreditou na luz verde, no orgiástico futuro, que ano após ano, se afastava de nós. Esse futuro nos iludira, mas não importava: amanhã correremos mais depressa, estenderemos mais os braços… E, uma bela manhã… E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado.”


O Estrangeiro
(Albert Camus)

“Pela primeira vez, em muito tempo, pensei em mamãe. Pareceu-me compreender por que, ao fim de uma vida, arranjaram um ‘noivo’, porque recomeçara. Lá, também lá, ao redor daquele asilo onde as vidas se apagavam, a noite era como uma trégua melancólica. Tão perto da morte, mamãe deve ter-se sentido liberada e pronta a reviver tudo. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar por ela. Também eu me senti pronto a reviver tudo. Como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que tinha sido feliz e que ainda o era. Para que tudo se consumasse, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muitos espectadores no dia da minha execução e que me recebessem com gritos de ódio.”

 

O gênio julgado inapto” para a literatura

Já que tudo nesta vida é carregado de dualidades, vejam que interessante. Às vezes candidatos a escritores desistem no meio do caminho por conta das críticas negativas. Entretanto, desistir por conta disso pode ser uma péssima ideia, um erro atroz. Veja esse exemplo maravilhoso do escritor francês Émile-ÉdouardCharles-Antoine Zola, o idealizador e principal expoente do estilo Naturalismo.

O escritor nasceu no dia 2 de abril de 1840. Órfão desde os sete anos, passou fome na infância e teve a sua admissão recusada pela Sorbonne, considerado “inapto para a literatura“. Mais tarde enfrentou a fúria da elite intelectual e política francesa pela sua intervenção no caso Dreyfus, quando defendeu um oficial judeu do Exército francês acusado de espionagem a favor da Alemanha. Apesar das dificuldades, criou o gênero “romance naturalista” e tornou- se um dos mais populares, admirados e bem-sucedidos escritores franceses do século XIX. Entre as suas principais obras estão Gerrninal, Naná e o manifesto, Eu Acuso, no qual, ao defender Dreyfus, aponta o anti-semitismo francês. Para saber mais sobre esse gênio da literatura que morreu em 1902, leia Zola, de Henry Troyat (Editora Scritta, 311 páginas), que também retrata as amizades do escritor com os pintores Manet, Renoir e Cézanne.
Fonte: SUPER Interessante

O sino da madrugada – Parte II

Leia a parte I

 

O Salvador

Na verdade, a culpa deveria ser atribuída a mim. Eu poderia ter cuidado dela. Quando nos conhecemos, eu percebi que Sônia era uma mulher diferente. Vestia-se com roupas de cores escuras. As sobrancelhas eram bem recortadas, mas notavam-se alguns ínfimos pontos de cicatrizes de onde, certamente, gotas de sangue escorreram um dia. Nada comentei na ocasião. Eu era um cara simples. Escrevia poesias como se fosse contemporâneo de Baudelaire e, em outros momentos, dos negros ativistas, os Panteras Negras.

Central Park. Foi lá que eu a conheci. Uma brasileira perdida em seus cabelos negros, citando Augusto dos Anjos e seus poemas de morte, dando-me sua boca ressequida de maconha, com traços de um artista chamado Salvador Dali. Aliás, sempre achei esse pintor um bosta.

O pai dela era das Forças Armadas. A família possuía bens e muito dinheiro. Disse-lhe que ela não passava de uma princesa da ditadura militar. Certamente a magoei, contudo, eu também era um exilado em Nova York. Descendente da antiga União Soviética, minha família migrara para o Brasil. Eu tinha índole de criminoso, e gostava de citar escritores russos como Dostoievski, e, enlouquecido, trazia até Nietzsche quando trepávamos em um sobrado onde, com muito custo, eu pagava o aluguel semanal.

A vagina dela era diferente de todas. Não sei como explicar. Era algo que, ao mesmo tempo em que parecia livre e sem virgindades, exalava odores e sons de uma santa. Porém jamais mencionei tal fato que me enchia de excitação e dor. Tudo que eu queria era falar para ela que jamais me importaria com detalhes tais que impedissem nosso amor. Eu não acreditava em nada. Família, moral e pudor, de nada me serviam.

Certa vez, estávamos nus no terraço do prédio. Na verdade, só hoje entendo aquela metáfora. Disse ela, na época, que já que estávamos ambos longe de nossa pátria e de nossa família,  somente do alto do prédio poderíamos sentir o mundo paralelo. De alguma forma, por alguns segundos, eu a entendi. Senti meu corpo livre de roupas e passaportes. Envergonhado pelo meu passado, chorei, olhando aquelas construções concretas e egoístas abaixo de nós. Lembrei do meu pai que dizia sempre que a mulher nascera para confundir um homem que se apaixonasse por ela. Eu estava apaixonado e totalmente perdido nas entranhas daquela mulher que poderia, a qualquer momento, se jogar do terraço só para me provar que estava viva. Sempre achei que fosse meio suicida.

Quando Cazuza morreu, voltamos ao Brasil. Cada um para um lado. Ela ainda estava com nuances de bela fêmea às portas dos trinta anos. Eu, acabado, entre a vida e a morte existenciais a deixei se afastar de mim no aeroporto.

O livro que ela publicaria aqui no Brasil fora censurado, não pelo governo em franca abertura, mas por seu pai, um reaça imbecil que, além de ter feito parte da ditadura em final dos anos 70, era um homem obtuso que queimara todos os seus poemas. Até o certificado que ganhara em um concurso literário em NY, como a maior poetisa do expressionismo e surrealismo ele destruíra, pois ela o enviara para sua mãe. Disse-me, com os dentes trincados, que jamais perdoaria o filho da puta.

A mãe dela morreu. Eu fiquei em meu apartamento na Urca, esperando os deuses ou demônios me ajudarem. Ainda acreditava nela. E a amava. O mundo estava mudando. Pessoas morriam de overdose e AIDS no governo pós-ditadura. Ainda carregava meu violão e alguns rascunhos de poesias e  músicas que escrevemos na puta que nos pariu, os Estados Unidos da América.

Minha deusa morena entrou em depressão profunda. Fui trabalhar nas empresas da minha  família. Ela não queria mais saber de mim. E eu, ainda novo, me envolvi com a filha do sócio do meu pai. Uma vadia burra que, piscando para mim, disse que no Brasil nada mudara. Éramos duas famílias interessadas em fazer dinheiro. Eu pensei que ela era mais burra do que eu imaginara. Era feia por dentro, egoísta  pra cacete. Mas eu estava fraco para lutar.

Então soube, alguns anos mais tarde, que minha guria publicara seu livro e que era o maior sucesso. Morava só e triste, porém sua casa era seu paraíso. Vivia taciturna e pintava telas. Possuía um gato especial que ela amava. E este era sua única companhia. Moravam em um prédio antigo na Glória. Eu soube, ainda agora, que seu gato, andando pelo beiral do prédio, fora assassinado. Jogaram o pobre animal do décimo andar. Tinha lógica, pois gatos simplesmente não caíam. Ela, desiludida com tudo, parou de pintar e escrever, foi o que me disseram. Vivia como um zumbi naquele apartamento sombrio. Somente eu, seu ex-amor, poderia ajudá-la. E começaria por descobrir o assassino de seu gato.

Em breve a  parte III com grandes revelações…