O CAVALEIRO INFIEL

O Cavaleiro Infiel

Me transformo agora em negra flor
pois que vens e me perfumas
com loções de barba ervas sumas
em abraço és-me tórrido beijador

Teu grasnar é tal surpresa
mesmo ali oh!, lugar qualquer
a volúpia não tem qualquer juízo
inda mais nas entranhas da mulher

Ardem chamas em transe louca
transformada em fêmea e aquarela
olho o cavaleiro, co’a voz rouca
pergunto surda: quem é a tua bela?

O ricochete vem em doces rios
minhas pernas andam sem vontade
tremem, cruel amor sem brios
que me torna escrava da infidelidade

Um dia hei de rescindir sem dó
com inóspita medieval paixão
preferirei o azar, estátua de pó
ou ir-me embora nas asas do dragão

___E dá-se a mentir o tempo inteiro
a mulher que não vive longe
do brasão do amante cavaleiro

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Kósmikos

casal

A festa da alegria é apenas sensação do que incomodava e se foi.

Percebo, em cada átomo de meu corpo, a lanhada que o universo desferiu contra mim.

O céu escuro da noite diz muito de quem eu sou. Um amontoado cósmico,

Feita de elementos os mesmos do barro, do barraco.

Meu santo não é barroco, meu lamento não é de um oprimido.

Com um leve sorriso nos lábios amargos de proferir palavras de alto e baixo calão,

Calo o robô-homem que contigo fez amor

Nas matas deste mesmo universo do qual faço parte

Mas não encontro o meu lugar.

Boyfriend’s Day

flor negra2Não é pelo dia aclamado, nem por força do meu âmago,

Não é o frio no estômago, talvez nem paixão seja.

É como um mistério, uma vontade maior que eu,

Maior que meu corpo. Não quero explodir o mundo,

Não quero trair você, só precisava voar até lá,

No Sul, no castelo de outro Rei por um segundo.

E depois voltar, com meus lábios inflamados,

Talvez alguma decepção, heresia na alma,

Outra cama em vão?

Contudo,preciso ir lá, atravessar a ponte

E cavalgar até cansar.

Depois, sentada à beira de um córrego,

Recarregar as forças, guardar as rosas que ele me deu,

 Perceber que, aos poucos, na medida em que saía

De perto de seu castelo,

Voltava sozinha, pela noite escura,

Mordendo o mesmo lábio que você chupou batom.

E tudo está bom, apesar do meu bardo,

Do dia dos namorados, apesar de mim…

O que restou, além dessa saudade da noite

Em que com ele estive, mas apenas em sonhos,

Sonhos para outros sombrios.

Para mim, necessários,

Imprescindíveis, cortantes, quentes.

Caem lágrimas e pétalas

Das flores que enegreceram

Com o veneno do Rei

Que, ao me deixar,

Estancou meu sangue que circulava,

Mas era somente por ele,

O clérigo Rei do meu

Desatino.

E mais ninguém.

Rimando ao Acaso

Mãe, mãezinha...

O sorriso de Marcela, a bela.
A. janela por onde posso olhar o mundo
E ter um pouco de esperança nela.
Marcela, a vela.
A vela acesa quando fico triste.
Marcela, Cela, o milagre que me aconteceu.
Marcela, de sentinela à porta de meu quarto.
Tá, chorando, mãe?
Nada, é só resfriado.
Marcela que não trela,
Mas é bela.
Garota que por mim zela,
A seu modo, mas é o jeito Marcela de ser.
Ela, tão sem tutela,
Marcela, que noite aquela…
Marcela, procela que veio a mim,
Magrela, depois cresceu bela.
Marcela, que vida novela,
Que grande parcela de dor
Mexida na panela
Com chocolate e marmela.
Marcela, a bela, da minha vida a aquarela
De cores nela.
Marcela, a bela de sombra beringela,
Marcela que foge por viela,
Pela favela,
E volta de braços abertos,
Abrindo pro sol a minha janela.

Reptiliano – Luiz Guilherme Volpato

E acordo assim.

Com o sono invadido por sonhos e lembranças.

Como realidades hipotéticas.

De uma época onde curvas no caminho ainda poderiam ser tomadas.

Num mundo onde fechar os olhos e sentir a brisa contra o rosto ainda fazia sentido.

Numa época onde meus desejos e orações eram endereçados a mesma pessoa.

Onde haveria sentido voltar ou não sair de casa.

Mas de cicatrizes sobrepostas meu coração se tornou escamoso.

Duro, frio… feio.

Não desejo saber de seu paradeiro.

Não me interesso por sua vida.

A curiosidade é menor que a segurança da beira do meu lago.

Não a quero aqui hoje.

Mas sinto falta de mim, aí, ontem.

 

 

 

Confissão

cama
Confissão
é uma palavra, digamos, pesada. No mínimo forte, indutora. Eu preciso confessar. Sim, a consciência pesa depois de uma traição.
Há algum tempo eu me afastei da blogosfera e até escrevi um post meio despedida. Queria dar um tempo e sentia-me esposa da blog, e neste caso, estava perdendo o fogo da paixão, então cometi adultério! Traí a blogosfera com a TV, rádio e outras mídias. Para dizer a verdade até com gente eu traí a bloguinha nossa de cada dia.
Sinto-me um tanto arrependida, entretanto, confesso estar dividida entre dois amores. Dois amantes, cada qual com seus atrativos. Beijos metálicos, ósculos elétricos.
Dizem que ter mais de um amor é errado ou, sei lá, pecado. Mas se ambos nos cobrem de alegria, diferindo apenas nos defeitos…
Um é mais calmo, dá pra passar a noite acordada com ele. Já o outro, em contrapartida, dorme cedo e nem lembra da amante sedenta. Ficar com os dois me parece loucura.
E em meio a esta crise romântica fiquei um bom tempo sozinha, pensando na invalidez dos amores fugidios.
Aos poucos esqueço-me de um, e aos poucos considero a possibilidade de me entregar de corpo e alma para o que me parece mais adequado, o que mostra verdadeiro amor por mim e que aceita meus defeitos, até porque ele tem corretor de textos. Entende minhas falhas que são tantas.
Na madrugada, enquanto vigio meus pensamentos, sinto-me vulgar por constatar minha paixão que era pouca e se apaga a cada dia. Eu menti para o outro amor, caso contrário não estaria aqui, escrevendo no meu bloguinho, como disse um leitor aí.
Leviana, faço amor com outro. Deve ser pecado, mas se há o pecado vem no pacote o perdão. Neste caso minha consciência fica aliviada. Volto para meu primeiro amor, dizem que este é inesquecível. Palavras de poetas numa era eletrônica? Pode ser. Mas aviso que a qualquer momento o barco pode mudar de rumo. Existe um flerte chegando, um terceiro prazer, possivelmente o esposo definitivo.
E ainda quero fazer cinema. Leviana demais. Pode até ser. Ao menos confesso na rede que traí, tive um amante, mas sou humana e falho, entre um beijo e outro. Mesmo eletrônicos, nossos erros são de gente. Hum, acho que isso daria um bom argumento…

Coisas

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Certas coisas andam sozinhas, principalmente quando desistimos de procurar sentido em tudo. Sem sentido, fica-se olhando navios, e vários deles são mesmo piratas, você pode ser roubado. Mas eu não preciso de explicações, não há regras para um mundo onde insistimos no amor. Já era para a humanidade saber que o amor é mais que um sentimento: deveria ser um estado inteligente de organização social. Parece triste, mas há necessidade de pensar a respeito desse nobre e ordinário sentir.

Amores acabam quando vêm problemas; sejam financeiros, ideológicos, religiosos, ou mesmo quando simplesmente a gente enjoa da cara do parceiro. Que grosseria. Mas enfim… gente é assim mesmo. Só é bom o amor quando tudo está perfeito, cada coisa no seu lugar, cada membro perfeitamente encaixado na hora de dormir. Bons sonhos, sonos perfeitos. Até…

O tão glorificado amor acordar antes de nós e partir. Assim, sem maiores explicações. Lá se vai o mito mentiroso, o culpado de tudo. Haja saco para guardar as lembranças, os bons momentos. Fernando Pessoa já o achava ridículo. Não digo novidade. O novo mesmo é saber-nos comédia porque invariavelmente, ainda que conhecendo as artimanhas desse sentimento, lá vamos nós, de novo dramatizar a vida, e tentar nos desvencilhar da solidão. Esta sim, fidedigna parceira, necessária ao ser humano. Pois somente sozinhos achamos soluções para nossas eternas indagações.

Não obstante, andar a sós prejudica na hora do sexo, este que praticado por apenas um, faz tudo parecer cruel. Podemos viver sem esta sensação, o sexo. Entretanto, soa pouco natural, já que ele existe deve ser praticado. Mas sem amor (!) não tem graça. Vejam ai, sempre o amor. Rendo-me, ô coisa!, eu preciso amar, sou estúpida. Preciso de amor como a flor precisa do sol, e o detento da liberdade. Dependo dele como fosse a droga de minha vida. Sou ridícula assumida, Fernandinho.

Fenômeno

                                                            

É bom, como é bom sentar na poltrona diante da paisagem da vida, sair da órbita, sem interesse, esquecer que um dia houve sonhos, fantasias e uma vontade imensa de alcançar um céu mais especial, um céu que fosse nosso, onde só nós pudéssemos ligar e desligar as luzes, as estrelas.

Brincar de astronautas você e eu, flutuando celestialmente em gozos e alegrias, mergulhados na fantasia gravitacional dos planetas ao redor. Como dois fantasmas risonhos, beijar os astros e definir a nossa linha do Equador, escalar montanhas encandescentes, e quando voltar pra terra, descansar debaixo da mangueira.

Ao menos em meu céu, haveria música clássica e um trumpete anunciando o casamento do novo com o antigo, numa cênica brincadeira, onde palhaça eu o divertiria, criança da lua, criança só minha. Lá, todos seriam mesmo infantis, pra que crescer se brincar a vida é que é viver?

Nossos braços luminosos subiriam abertos ao encontro de um abraço no Éter e, sacudindo a poeira dos cometas, um desejo meteórico explodiria nossos corpos prateados da nossa lua. Não desligue a nossa lua, amor,  quero ver a beleza de nós dois nos amando entre as estrelas consagradas em seus ombros que me apertam no meio do Cosmos.

Aquela música iria buscá-lo nos limites do planeta, e uns raios de luar encobririam nossa nudez ali, deitados em nuvens fofas com odor de amaciante  lavanda celestial. Seus pés aguados de suor e benção acariciariam meus seios enquanto eu lambesse sua saliva doce em meus lábios, olhando pela janela da nave a nossa lua a brincar com asteróides.

Agora, por favor, não chore baby; a experiência é divina, somos deuses do nosso espaço, é violento o tremor que abala o amor na hora H. E nesse momento, segura minha mão bem forte, astronauta das estrelas, agarra meu corpo e feche seus olhos. Depois de decolar, pousar é preciso. Aquieta seus desejos que o céu também precisa dormir.