EVA – Livro de Jorge Desgranges

EVA – SUPER LANÇAMENTO DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA

Opinião

Gostei do livro EVA, de Jorge Desgranges, por várias razões. A princípio a leitura é agradabilíssima, com ação, romance e time. Muito bem narrado em primeira pessoa, o autor dá vida à Eva, uma protagonista devidamente humanizada, que carrega o leitor para seu mais tenebroso interior sem nenhuma cerimônia, o que é fantástico.

Já no início da leitura, nos tornamos íntimos dessa anti-heroína que, almejando ascensão econômica e status, não mede as consequências resultantes de sua ambição, até que percebe o abismo para o qual fora projetada. Eva, então, constatando que perdeu tudo, zera sua vida e se propõe um recomeço.

Todavia, vê-se claramente a vida imitar a arte neste romance que sinaliza a literatura brasileira na pós-modernidade: a  personagem cria desafetos, passando a ter que conviver com seu diabo particular, um empresário perigoso e destemido, que passa a persegui-la no decorrer da estória, provocando impacto no leitor que surpreende-se com um mundo invisível, porém real.

Em alguns momentos perder-se-á o fôlego, porque a vida da bela jovem torna-se repleta de riscos, em um ritmo alucinado e caótico. Não obstante, é uma mulher com sentimentos e muito inteligente – estudou economia e contabilidade. Contudo, cada passo que dá, vai juntando seus próprios pedaços, recosturando-os. Assim, vai se transformando em um ser humano cada vez mais forte, principalmente quando o destino a põe frente a frente com Yos, um marinheiro grego que passa a ser seu mentor.

Brilhante metáfora como o próprio nome sugere, Eva é um livro desafiador que discute ética, lei, e o comportamento do homem, tanto o religioso quanto o que se aparta da idéia de Deus. O autor observa tudo e a todos de forma discreta, não cedendo jamais a nenhuma apologia, ao contrário, permite ao leitor pensar e tirar suas próprias conclusões frente às mudanças da sociedade humana.

Assim como a alma da protagonista, o leitor viajará, literalmente, pelo mundo, a bordo do Rhodes, um pequeno, porém poderoso veleiro pertencente a Yos, que cruza mares e oceanos, deleitando-nos com  viagens cinematográficas. Não por acaso, já que Desgranges é também roteirista de cinema e TV.

Abordando o submundo do mercado negro, o livro também traz informações bombásticas, como alguns detalhes a respeito do Banco Multinacional BCCI, instituição financeira coligada aos petrodólares e multifacetada em transações escusas.

EVA é uma obra preciosa em muitos sentidos. Do ponto de vista filosófico ao político, ela faz pensar. E a surpreendente protagonista é, ao mesmo tempo, doce, sarcástica e intrépida, o que gera empatia imediata.

Ao término da leitura, certamente, o leitor irá ponderar e refletir sobre várias questões ligadas à ética e à moral. Todo livro que causa esse efeito, é considerado um bom livro.

EVA é um pouco mais. Eu diria que é soberbo e necessário.

Ficha técnica:

Título: Eva

Gênero: Ficção/Literatura Brasileira

Páginas: 304

Ed. do autor – 2012

Quem adquirir o livro tem direito a uma versão digital para Ipad.

Contato com o autor: contato@jorgedesgranges.com.br

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Virtualidade real

Sentir a tua ausência é motivo para festa em meu coração. Mais forte que o sentimento é a razão que me faz viver, ainda que me venha o sofrer, a vontade, muitas vezes, de desaparecer, ou, como diria o poeta, morrer de amor. A vida tem sido dura, trazendo em suas asas poeira cósmica, desafetos pródigos, e insistentes derrotas. Não seria isto a vida? Eu me pergunto enquanto penso em algo alegre para escrever. Mas é o underground que me visita desde sempre. O negro, a noite, o vinho azedo nas ruelas do meu espírito. É assim que a banda toca, em sinfonias macabras, dicotomias esquecidas. Fazer o quê? Canta, meu povo, canta alegremente, enquanto me escondo atrás da sombria virtualidade dos meus sentimentos, tosquenejando a sós, entre o dia e a noite.

Peixe Morto

No exato momento em que te magoo, sinto-me também magoada e ferida.

Palavras ásperas em crises existenciais. Medo da perda – é esta a visão de mundo.

Não quero perder-te, e tu também não queres perder a tua roupa, teus sapatos tão bem acomodados em teus pés cansados. Ou melhor,  relaxados , por não mais andares em busca de luz e verdade.

Sofre o teu (meu) coração insano, estilhaçado por tantos torpedos em busca do teu (meu) peito já ferido e  quase morto entre o bem e o mal.

De onde, diga-me, virá tamanha força para consolar teu lar e tua frustração, vivendo tu mesmo num mundo entre homens magoados?

Diga-me, alma bipartida, onde estará a minha resposta? Não há mais carteiros, mas tão-somente desengonçados e-mails, escritas mal feitas e verdades pela metade. Fugazes ilusões.

Melhor seria me vires  insensata a te buscar nos bares, talvez? Teu hálito é sempre o mesmo, e tua fala mente eternamente, digo-te, oh bar de exús!

Teu charuto fede a horror. Queres guerra, eu quero paz. Vida eterna e morte passageira; uma palavra mais pesada, uma grande palavra, um palavrão é o que preferes.

Cadê aquele mundo utópico, onde poderíamos fazer amor, brincar e apostar corrida, cada qual em seu novo carro? Prefiro que não…

Minha infância, desde que te deixei, tenho chorado a desesperança. A falta de ilusão não mais me permite ler Baudelaire ou Sócrates. Estou perdida num invólucro de maldição. Entre a fé e a razão, num mosteiro repleto de mosquitos a zoar minhas orelhas.

Onde a verdade estará inteira? Diga-me, espírito do bem, moço trabalhador, poupa-me de ir mais fundo e ter que comer a carne podre dos peixes!

Como evitar tal testemunho de desgraça, afinal, é mau este mundo; eu sou apenas um grão dentro de um imenso saco no paiol. Sou solidão enquanto escrevo, sou raça misturada, sou homem, animal, e aquele peixe morto (!)

Sangra teus pés, fazeis  como eu faço, não desiste de lutar. Não poderia ser fácil ser solitário no Universo que não fala e não responde aos e-mails, tampouco esta carta de amor que sucumbe na escuridão da minha sala de leitura, enquanto um cão se coça, com as mesmas sarnas daqueles tempos.

Salva tua vida, e deixa que a morte faça-te como alimento. Mas não sejais apenas pragmático vegetal. Não adentra este túnel sem esperança onde, como toupeiras, vê-se o ladrão roubar, o sábio mentir, e o profeta debater-se entre sexo e falácias, oh Santo Deus!

Dai-me de beber, nem que seja do absinto que escorreu pela garganta do carrasco no século dezoito; que seja pela eternidade, e não por mim. Seja por nós e não pelos nossos pés.

Que a guerra finalmente venha. Estarei aqui, empunhando minha certeza de que valeu a pena viver longe daquele lago. E daqueles peixes mortos.

Via progressiva para o senso crítico – Livro Um Roteiro no Oceano das Ideias

Henri N.Levinspuhl

Via progressiva para o senso crítico

Foram-se os dias dos leitores qualificados, aqueles que, não só de tantas e boas leituras se formaram, mas que a elas se achegavam com simpatia e magnanimidade capaz de enxergar uma floresta microscópica onde ela deveras existe. Foram-se também os dias dos leitores maliciosos, que se imaginavam psicólogos peritos quando apenas maldavam o que queriam caluniar. E foram-se também os dias dos leitores ordinários, que, sem enxergar nada além do raso, não só pensavam que tudo era raso, mas inclusive queriam que tudo fosse assim e somente assim. Chegaram os dias em que, com muita deferência e títulos acadêmicos honradíssimos, é possível criticar o que não se leu e caluniar o que sequer se folheou.

Conheçam o site e muito mais, do escritor!