Poesia de Paulo Vilmar

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Resolvi escrever sobre amor,

Mas lembrei de suas coxas,

do gosto da sua carne,

do prazer de revolver,

sua boca, seu corpo, suas entranhas!

 De plantar-me sobre você,

abusado, lambuzado e sorrindo.

Lembrei-me do cheiro forte de sexo,

de suor, de sangue e cachaça,

que penetra qual prazer,

em nossas narinas sangradas!

Nada de cafés da manhã

ou de apologias ao clássico!

A madrugada ainda é escura

e vejo luzes, fugidias,

Circundando tua vagina.

Nem foguetes, nem estrelas,

somente balas tracejantes

iluminam como raios,

nossos urros guturais.

Lá fora a chuva é ácida…

Grande Paulo Vilmar

 http://www.caldodetipos.blogspot.com/

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Sob as rodas do ônibus

200498925-001.jpgEu estava correndo pro ponto do ônibus. Meus passos eram nervosos, com pressa, com falta de ar.

A roupa de sempre, a sandália de sempre, a pressa de sempre, o batom e o perfume se foram, era tarde.

Dia que saco, monótono enfadonho suspenso no ar. Que medo eu sentia num dia ruim, era dia de prova, eu sabia a matéria? Porra nenhuma, eu colei na cabeça a vontade de ir, ir embora pro ponto do ônibus, pro ponto do ônibus, de volta pra casa e voltar a dormir.

Que dia estranho, que gente esquisita, por que todos olham? Por que uns sorriem, eu já sei, é a pressa eu arfando o tamanco sandália a sandália tamanco toc que toca tum tum. Eu preciso fugir eu não quero ver gente eu não quero ser gente eu só quero ir embora pro ponto do ônibus de volta pra casa e voltar a dormir.

Pra que ler Voltaire, tanta regra Allan Poe e Sinclair. Meu roteiro eu rasgo não quero filmar é ruim Syd Field me ferra e eu só quero ir embora pro ponto de ônibus, eu quero minha cama eu quero a nudez de meus sonhos eu só quero dormir.

To estranha  com raiva de gente eu preciso de um trago eu preciso ir pra casa eu só quero dormir.

Eu não quero sonhar eu não quero lembrar dos instantes do amor que perdi da letrinha de prosa do meu grande afair da mania à noite eu não quero filmar eu não quero amar eu só quero um ônibus eu preciso sonhar então eu vou dormir e minha cama espancar.

Onde estão os poetas e onde a vitrine e as tais estrelas  que eu nunca vi meu roteiro pifoi ele é muito ruim eu não quero filmar só queria com ele meu amor firmar mas eu quero meu ônibus a gente me olha será estou rasgada não meu irmão eu só estou bocejando eu estou enfadada e fadada a sonhar.

Eu preciso de um ônibus meu carro já era eu só quero ir embora olhar o asfalto e o meu carro pela janela eu preciso ruir meu roteiro é  má escaleta esta prova de fogo queimou meu neurônio onde está o maldito esperado meu ônibus.

O ônibus veio parou e freou enquanto eu apago o cigarro lá está um homem debaixo do sonho debaixo do ônibus que me levaria pra casa e me jogaria na cama e eu só queria dormir.

O mundo parou e em câmera lenta eu fiquei a olhar as tais pernas do homem debaixo do ônibus eu cuspi gosto de sangue acendi outro cigarro e chorei pelo carro, e o roteiro e as pernas do homem embaixo do ônibus.

Resolvi: eu não vou mais dormir vou voar pro PC escrever outro tema outro caso o roteiro das pernas do homem debaixo do ônibus.

Outro ônibus vem outra espera e eu vou, sento e pela janela dou adeus às pernas do homem debaixo do ônibus.

Mas que louca eu sou hoje não acordei bem e o homem escorrega de baixo do ônibus. Está vivo e sorrindo está vivo e lá se foi meu roteiro outra vez.

Um ônibus enguiçado e um homem abaixo só olhando engrenagem não dá roteiro.

Ah, eu quero dormir, eu quero gritar eu só queria dormir…

Por que não morreu?

A cara do cara – Poesia de Dan R.

A cara dele
os dentes
o pau
os dedos
os pentelhos claros
a língua
os medos
os pêlos do antebraço
os palavrões
as brigas
a rouquidão cigarro
o cigarro
o olho água
a porra
o leite
o nariz agudo
o cansaço
o choro
o cheiro quando acorda
a timidez
os desejos
os bagos
os tornozelos
as sardas
o riso
o espeto barba
a curva do pescoço
os apelos
Falam as partes de um todo?
Eduardos, Marcelos, Leonardos, Renatos e Ricardos foram só variações do seu rosto.
Vertigem sob a língua na floresta negra, num céu baunilha de Monet, numa tarde clara de abril ou junho.
Drummond sob a capa de chuva, quarta-feira de manhã, amarelos dentes e escarlates sorrisos, ‘do you remember’?
Boca boca
mãos costas
cabelo mão
língua ouvido
pescoço língua
pescoço dente
peito peito
mão mamilo
língua mamilo
dente mamilo
mão coxa
coxa mão
pica mão
pica boca
pica boca
pica boca
pica boca
pica boca
porra boca
e um “ai” de gozo que corta a respiração!
Posso escrever os mais lindos versos.
Dizer que te amo em várias línguas, pelo menos três.
Te fazer um elogio filosófico.
E mesmo assim continuo sem saber como dizer: “não te amo!”

Se alguém quiser conhecer  as loucas aventuras de uma carioca chamada Nara…

 http://www.epifaniascariocas.blogspot.com/

Desejo de Alessandro Martins

marilyn_homep.jpgO desejo, diferente do

que se pensa, não

queima. Na verdade,

inunda o ser, que

enfim se afoga em

bálsamo. Uma onda de

lassidão toma o corpo

e, seletiva contrai

alguns músculos e

descontrai outros.

Acorda, assim, quem

antes dormia e agora esfrega a pele nos lençóis. Embora a sensação seja ígnea, o desejo é úmido, cálido e se apega à carne viva como um tempero que provoca espasmos. Desejo é sede de boca mordendo e de língua lambendo. Quem aumenta voluntariamente seu desejo alimenta-se de fome.

Mais evidente que a verdade, pois não há como negá-lo nem como, através de subterfúgios da lógica, encobri-lo. Urgente como uma dor – que não dói, mas suplica -, não há como ignorá-lo. Não há como evitá-lo e, para arrefecê-lo preciso é satisfazê-lo. E assim, com ele satisfeito, pode-se observá-lo – com o olhar do espanto e da volúpia – novamente a crescer ainda maior, ainda mais forte e avassalador.

Não é flor. ÿ semente. E por vezes cai no solo em região desconhecida, em momento ignorado. Espera o melhor momento, seja o dia de chuva, a noite de sereno, a manhã de sol. Nem sempre o desejo é pra já. E sem que se perceba germina. E sem que se perceba dá tronco, folhas, cria raízes. E, então, é uma planta enorme que, ao tomar conta de tudo, grita por dentro e, por si mesma alimentada em sua própria ânsia, se expande. Menos satisfeita, mais cresce. Derruba paredes, levanta o telhado da casa e lá dentro, na cama, na sala, na cozinha, onde for, alguma pessoa finalmente se mostra nua, sem paredes, sem telhado. Desejar é saber-se sem roupa em meio a uma humanidade vestida.

Ter desejo dá vontade de partir para voltar em seguida pra que ele jamais se esgote. Mas ele nunca se esgota. Dá vontade de, ainda que ele esteja dentro da lama, enfiar-se nela até o pescoço e até mesmo mergulhar e, assim, achar a lama, aconchegante, morna e voluptuosa. Camufla-se nessa lama, assume-se um personagem vagamente antropomórfico, disfarçado. Pernas, braços, tronco, cabeça são mera sugestão de corpos que viajam sem forma. E, neles, que se encontram juntos um do outro, só se vê o branco dos olhos. O branco dos olhos é o desejo que faísca no escuro.

O ser que deseja é identificável por uma certa agitação e um certo foco. Ao mesmo tempo em que ele age, algo lhe chama a atenção e o distrai. ÿ o desejo, que o quer todo para si e carrega sua consciência, nos momentos mais inesperados, para onde ele quer. O desejo chupa os pensamentos de canudinho. Deixa só a carne e é o suficiente.

Mas muitas vezes, na maioria, o desejo, independentemente de pensamentos ou de carne, ele se basta.

Por isso, não quero saber de onde você vem, que língua fala, o som de sua voz, o que carrega em sua mala, qual o seu nome, sua comida preferida, que livros leu, que discos ouve ou que roupa usará. Não quero nada disso.

Venha trajada de seu desejo e eu a reconhecerei na multidão.

Para Deia

(mas como não a encontrei na multidão achei que não se chatearia com a senhorita Monroe)

http://www.alessandromartins.com/

Poesia da Lady Cronopio

6100411629147837.jpgentre as notícias loucas que povoam jornais&TV,

eu antecipo teu sorriso e só assim, posso continuar o dia que mal começou

num sinal fechado com um pivete me ameaçando através da película escura que encobre

os vidros do meu carro. não me assustei quanto devia, pois o tormento

dos dias que se seguem são tão claramente violentos que tudo já parece trivial

por baixo dos meus cílios. liguei o rádio e ouvi uma canção do Chico que fala de um amor

guardado através dos tempos, a ser descoberto por escafandristas do futuro.

pensei em nós e nessa ausência de tudo que é normal que nos acompanha…

não sei teu cheiro, não me conheces o hálito. queria tocar tua pele, teu braço

e peito de remador.

queria minha cabeça no teu ombro e minha voz minha voz reconhecida no teu ouvido.

ah, mas eu também queria tuas mãos torturando minha pele,

encontrando as cicatrizes da alma e da palma da minha mão, onde um dia

a cigana te leu na minha vida: quando tudo parecesse deserto e findo.

ponto e vírgula para dizer que sim, já sei como te ver através dos minutos poucos que

tenho de ti.

estou de malas prontas e o navio me espera, pra cruzar o atlântico,

através de mares&ares, até te chegar e encontrar em meio a uma orgia de

palavras&gentes que nem sei se irás me reconhecer: eu uso óculos, não sei se sabias,

e mal enxergo sem eles, ou preciso estar nua para poder ver o que me passa

através do desejo e da dor desta saudade tensa e insana que me corrompe os dias e sóis,

atravessando minha carne feito lança de herói, ou suspiro ventania de faca

de atirador de circo que amador que é me atinge coração adentro,

te encontrando deitado sobre a minha nuca,sobre minha longa cabeleira

com mechas castanhas douradas pelo sol da minha metrópole cravada entre dois rios

e que proclama a fome e a dor de ser pobre num país pobre, católico por invasão

e incrédulo de tudo ao saber de mim e de ti, assim tão absolutamente desconhecidos

e amados, e desejados e queridos… ah, meu rei, se um dia cruzar contigo na saleta de um

aeroporto de uma pequena cidade no Japão, e eu te reconhecerei. mas e tu?

saberás que sou eu aquela que exala rosas em cada passo,

mas que acende um cigarro atrás do outro enquanto fustiga as páginas

de um livro de poesia e marca com caneta lilás o que acha mais bonito pra amanhã

ou depois te repetir através da galáxia láctea ou azul que é a cor do meu jardim,

que por hora não aflora pela imensa falta que faz esta tua voz quente aqui no meu

labirinto de ouvir.

http://www.anotacoesdecronopio.blogspot.com/

Remember…

imagem-008.jpgPARA MARCELA ( meu bebê quando tinha 4 aninhos ganhou este poema da coruja punk)

que as vitrines

são coloridas

e os pássaros

gorjeiam

apanhando ramos

no cair da tarde?

Sente

que o mundo

é muito grande

e nem todos

são iguais,

alguns amam

outros matam?

essa menina linda

mas cuida

da vida

como fosse uma flor

rega

e com amor

conserve-a.

Quem sou eu afinal?

Talvez apenas uma presunçosa

blogueira

Sem eira nem beira

À beira do abismo

Na beirada de minha vida

Disfarçando minha tristeza

Perscrutando meu espírito

Inventando amores

Em alquimias distantes

Distantes do sol e da lua

Das luas dos sóis

E as noites são fake

Minha beleza é feia

Meu silêncio rascante

Desafino em meus poemas

Tão mentirosos

Tortos mal escritos

Como meu destino

Que traçaram ao bel prazer

Da desgraçada vida sem rumo

Que insisti em viver

Dando pra uns, momentos

De gozo eterno até o amanhecer

E a outros toda chama

Do meu inferno gélido

E fisiológico

Mas quem sou eu afinal?

Mulher e homem

Criança e velho

Todos reunidos

Entre minhas pernas lisas

creme  d’Boticário

Dentes rasgando carnes

Lábios mornos de sexo

E umidade na língua ferina

A rainha má

Cruel cachorra

A morder os meus amores

Sou fake sou feia sou má

A gostosa na praia

A velhice chegando

Onde estará a gostosura

Da bunda e dos peitos

Imitando o silicone

É natural – pode pegar!

Mas e a dor na madrugada

Cadê o revisor

Dos textos

Imundos e obscenos

Que eu dei pra ele

Pra ela e pra mim

Pro diabo

Me fazer amor daquele jeito..

Quem sou eu afinal?

Burra garotinha

Que invade as camas dos amigos

Sem escrúpulo sem noção

Cuidado, sexo é pecado

Só amando dá certo

Mas meu amor é fake

Eu sou bela, gostosa e feia

A rainha má

A vampira espacial

A caçar cometas e gametas

Escravizá-los por uns momentos

E depois assassiná-los

Loucos de prazer e saudade

Quem sou eu, afinal?

Uma contadora de estórias

Mentirosa perfumada

Profanada em Alcorão

E entre os padres

Safada fadinha disfarçada

Em flor de liz

Margaridas indecentes

Não amo não amo não amo

Sou fake sou feia e quente

Esquece este rosto essa língua

E esta roliça e rotunda coxa

Que te aqueceu lá atrás

Era mentira, eu nem gozei

Sou má, perversa mundana

Poeta das abelhas

Meu ferrão te mata

Entre minhas pernas que te estrangulam

Enquanto morres a perguntar

Quem sou, ora, a poeta má

Sou fake, sou feia

A linda bruxa que

Encanta o macho

Antes de amá-lo

Arrebatá-lo de prazer

Divorciada carente – ha-ha!

Quanta mentira, Juan!

Ah, e como dou prazer

Mas vá embora agora

Já sabe quem sou eu

Sou fake sou feia

Sou má.

Vista tua roupa.

Mais tarde tenho um encontro

No MSN…

Ele, o poeta, maior dos meus amores…

pessoa81.jpgEROS E PSIQUE

FERNANDINHO PESSOA

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Para um certo amigo…

Pablo Neruda

MORRE LENTAMENTE

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não
ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem
não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do
hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não
conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o
negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um
redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos
olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um
sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da
sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de
iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não
responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente…

Para ANNY   (pelo seu maravilhoso post)

http://anny-linhaozzy.blogspot.com/
 

Poesia da Maga

images2.jpgEu te olhei e tu me olhaste e neste instante… bem, neste instante nada aconteceu.

O mundo continuou a girar sobre seu eixo e a vida seguiu – a minha e a tua.

Com a diferença de que, agora, o teu olhar fazia parte do meu mundo,

deste mundo indiferente a girar sobre seu eixo.

E então eu já não andava pelas ruas olhando para o chão.

Andava olhando nos olhos, essa multidão de pares coloridos,

procurando embebedar-me, mais uma vez, na profundeza liquida de tua íris.  

Encontrei olhos que contavam toda uma vida –

vida recheada de amarguras e alegrias –

e estes olhares que encontrei sempre me sorriram de volta,

por vezes o sorriso opaco do desesperançados, por outras o sorriso luminoso dos amantes.

Fui percebendo que o que eu via nestas retinas eram reflexos do que eu já havida vivido:

essas expressões me contavam a história de um mundo do qual eu também fazia parte,

de uma vida da qual eu também compartilhava.

Aprendi a andar olhando nos olhos, primeiro te procurando, depois procurando a mim…

nunca mais te encontrei. Mas tu me deixaste um presente: com teu olhar me devolveste

ao mundo, a vida… tu me devolvestes a tudo que havia de mais humano e sublime

em minha alma.

E por isso, às vezes, me lembro das tuas íris tão profundas, liquidas, e sinto-me estremecer…

 esse tremor que nada mais é que a vida se fazendo presente pela presença fugidia de teu

olhar.

Marcela, você está em boa companhia com Clarice.

http://metamorfosepensante.wordpress.com/